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Leitura da mídia se despede, com uma carta ao Correio Braziliense
 

      

Cinco meses depois da sua primeira edição, Leitura da Mídia se despede. Julgamos que esse espaço de reflexão sobre o fazer jornalístico e sobre a comunicação de governo hoje está fazendo mais mal do que bem. A reflexão crítica geralmente é mal recebida pelos nossos colegas jornalistas, e nem sempre fomos cuidadosos bastante com a linguagem, para evitar adjetivações impróprias a uma publicação que, apesar de assinada, faz parte dos trabalhos do governo, é paga pelo contribuinte. Como sempre agimos de boa fé e tendo como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade do jornalismo e da transparência nas comunicações do governo, não temos nenhum arrependimento. Consideramos que os desvios de conduta foram poucos e de pouca importância, normais mesmo num trabalho que se propõe a ser crítico. 

   

A título de despedida, adiantamos esta carta enviada hoje ao Correio Braziliense.

 

Ao Editor de Política do Correio Braziliense

Ilmo. Sr. Eumano Silva

 

Brasília, 09/07/2003

 

Prezados Senhores,

   

Peço que sejam corrigidos os seguintes equívocos de informação na matéria “O crítico sombrio da imprensa”, publicada no ultimo domingo, que se refere a um dos meus trabalhos na Secom..

 

1) Ao contrário do que diz a matéria, o Texto de Apoio N. 1 da Secom, que propõe a criação de um Serviço de Pronta Resposta não é um documento sigiloso. Não está classificado em nenhuma das categorias de sigilo definidas em lei e nem é tratado informalmente como sigiloso. Foi distribuído a todas as assessorias do governo e eu entreguei pessoalmente uma cópia ao repórter que veio me entrevistar;

 

2) O Texto de Apoio é um guia para  a redação  de respostas a jornais  e não simplesmente um texto “mais benevolente com os jornalista.” Ele é a base sem a qual não tem sentido usar os verbetes mencionados pelo repórter, como explico na introdução aos  verbetes:

 

“ Os verbetes servem para qualificar de modo preciso a objeção que se possa ter à matéria. Qualificar em vez de adjetivar. Por exemplo em vez de dizer que a matéria distorceu a fala do Ministro, munidos deste instrumental pode-se dizer que a matéria inverteu a ênfase da fala do ministro.” A inversão de ênfase é um dos verbetes. “    

 

1) Muitos verbetes  podem ser encontrados em  manuais de redação, em dicionários de mídia e até mesmo em dicionários comuns. Eu não inventei os verbetes. Vali –me de uma lista originalmente preparada anos atrás pelo Prof .José Carlos Rocha, da USP, e também do dicionário de mídia “Key Concepts in communication and cultural Studies,  da Routledge (Londres, 1996)

 

2) Os verbetes citados na reportagem  são deturpações dos que eu redigi. O método usado pelo repórter foi o de inventar títulos fortes e longos, para cada verbete, uma espécie de verbete do verbete. Esses títulos  deformam o sentido original dos verbetes. A começar pelo próprio verbete  deturpação da informação que recebeu do repórter o seguinte título;  Fatos são deturpados para torná-los torpes e sórdidos”.Eu não disse que fatos são deturpados. É impossível  deturpar fatos. O que se deturpa é a noticia do fato. A notícia não é o fato . É o resultado de um processo social  de construção de sentidos. Disse que a deturpação da informação ocorre quando a notícia é construída de modo a tornar os fatos especialmente infamantes ou sórdidos para prejudicar a imagem dos protagonistas dos acontecimentos. Foi o que a reportagem  fez comigo, construindo a narrativa de tal  forma a me retratar sordidamente. 

 

3) O segundo verbete por ele citado também foi deturpado com um titulo ”informações são colocadas fora do contexto para reforçar aspectos negativos.”  O  meu verbete diz que descontextualização é a :  “ apresentação dos fatos sem explicar em que circunstâncias acontecermos...” .Notem como muda o sentido. Ele diz ainda que eu não dei exemplos desse mecanismo, o que não é verdade. Dei o exemplo de matérias da Folha  e do Estadão apontando  que o  governo gastou uma parcela ínfima este ano dos recursos disponíveis para investimentos,  sem considerar  a prioridade dada pelo governo para terminar projetos do governo anterior, cujos recursos  são do orçamento passado e sem considerar investimentos feitos através de fundos especiais que também não estão no orçamento.

 

4) Os outros títulos acrescentados pelo repórter aos meus verbetes também falseiam o sentido original: “Repórteres mentem de forma difusa”, “jornalistas mentem nos números”, jornalistas fazem denuncismo barato”, são acusações graves  feitas pelo repórter e não pelos verbetes . Os verbetes   trabalham com o conceito da “ construção social da notícia” no qual entram até fatores não editoriais, como a escolha do repórter e dos temas a serem cobertos. Não trata da culpabilização individual do repórter (  ainda que ocasionalmente como agora, eu tenha muita vontade de  fazer exatamente isso).Além disso os verbetes são acessórios do Serviço de Pronta Resposta que explicitamente reconhece o direito do jornalista errar, quando o erro é cometido de boa fé.

 

5) O repórter incorreu em vários outros equívocos listados pelos verbetes o principal deles o da omissão. Ele omitiu a existência de verbetes aparentemente mais inocentes como editorialização da notícia; falácia, clichês, e não contou que  muitas de minhas  críticas se referem a falhas de comunicação do governo e não dos veículos de comunicação. 

 

Dada a importância do tema e suas implicações para o trabalho jornalístico, e pára a manutenção de uma clima de cordialidade e boa fé nas relações entre governo e imprensa, peço que estas correções sejam publicadas com o mesmo destaque dado à matéria original.


 
     
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