Sistema e browser desconhecidos

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Agenda: Encontro Literário      |      

O descaso da mídia pela América latina
 

   

No último sábado, presidentes de cinco países da comunidade andina (CAN) reunidos em El Carmen del Vilboral, na Colômbia, aceitaram a proposta do presidente Lula de trabalhar pela criação até o final deste ano, de uma zona de livre comércio entre a Comunidade Andina e o Mercosul. A pressa se explica pela estratégia brasileira, aceita por esses países, de reforçar o bloco  Sul-Americano para enfrentar as negociações da ALCA com maior poder de barganha.

   

A notícia é da maior importância e assim foi dada pelo New Herald, de Bogotá:

 

“Os governos da Bolívia, Equador, Colômbia, Peru e Venezuela se comprometeram a estabelecer um plano de trabalho e um cronograma que sirva de mapa de rota para as negociações entre os países membros de ambos os grupos, com vistas a concluir um acordo de livre comércio CAN -Mercosul no mais tardar em 31 de dezembro de 2003.”

 

 Nenhum jornal brasileiro deu essa informação. Na mídia brasileira esse acordo de trabalho não aconteceu.

     

O desprezo por reuniões de dirigentes latino-americanos e principalmente por suas decisões não é novo na imprensa brasileira. Sua causa principal é mentalidade colonizada que não acredita que presidentes latino-americanos possam comandar o destino de suas nações. Se um único representante do governo americano tivesse participado do encontro, o noticiário teria sido diferente.

   

O descaso por decisões de presidentes latino - americanos já se havia  revelado no noticiário sobre o encontro anterior , do grupo do Rio, realizado nos dias 23 e 24 em Cuzco, Peru, em que  houve discussões importantes sobre a luta armada na Colômbia, que não apareceram com o mínimo de clareza na mídia brasileira.

   

Mas o que aconteceu desta vez em El Carmen Del Vilboral supera todos os limites. Circularam apenas quatro matérias sobre o encontro, todas fechadas de véspera, e nenhuma delas menciona o acordo entre os presidentes. Nem mesmo as reportagens da Radiobrás mencionam o acordo. Houve ainda as seguintes agravantes: A Folha publicou uma foto do presidente na Colômbia, encabeçando uma reportagem que  não fala do encontro. E a do Globo, circulou no site do jornal, mas não foi incluída na sua edição impressa.

 

O que fazer?

   

A cobertura foi um fracasso tão grande do ponto de vista do governo, que a Secom nem produziu o clipping regularmente montado a cada viagem presidencial. “Não  havia material jornalístico suficiente.” 

    

O episódio revela a necessidade de um planejamento especifico de cobertura das viagens presidenciais para ajudar a mídia brasileira a superar suas limitações e seu ceticismo e informar corretamente e com a importância adequada, os eventos que marcam a nossa nova política externa. 

   

A omissão do acordo de El Carmen Del Vidal é parte do mesmo solo no qual se planta a idéia de que o Brasil já entregou os pontos em relação à ALCA. Tudo faz parte de uma mesma mentalidade colonizada que precisamos ajudar a superar.


 
     
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