Sistema e browser desconhecidos

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Agenda: Encontro Literário      |      

As muitas formas de não dizer a verdade – VI
 

 

Continuamos nossa série de verbetes destinados a auxiliar na redação de cartas aos jornais corrigindo erros de informação. Os verbetes ajudam a apontar erros derivados das diferentes formas de manipulação da informação. Os verbetes descrevem essas formas.

 

Julgamento precipitado.

 

Apresentação de noticiário conclusivo, do ponto de vista da moral ou do direito, sem rigorosa apuração dos fatos, ou sem aguardar o julgamento da justiça. Muito comum em programas de TV que lidam com violência urbana e nas reportagens de estilo denunciasta da impresna escrita. 

 

Libelo

 

Ataque virulento e desproporcional a pessoa ou instituição, utilizando-se de linguagem fortemente adjetivada, de modo a incidir sobre os sentimentos do leitor e não sobre a razão; tem aparecido no texto de alguns colunistas famosos, que assim procuram se destacar no espaço cinza dos jornais.

 

Informação enganosa.

 

Semelhante à publicidade enganosa, tem a intenção de enganar o leitor com informações falsas que só o leitor mais instruído consegue perceber. Acontece raramente no jornalismo brasileiro por ser uma forma grosseira de ocultar a verdade. Um bom exemplo foi a famosa capa de VEJA sobre os Fundos de Previdência Privada (PGBL) que omitiu a cobrança do Imposto de Renda no momento do  saque.

 

Manchete enganosa.

 

Que não condiz com o conteúdo da matéria. Em geral isso se dá através da inversão de ênfase. Mas não é incomum  manchetes ou títulos internos dizerem o contrário do que diz a matéria A manchete enganosa é muito comum na imprensa brasileira, que usa a primeira página do jornal não apenas para vender mais jornal, também como  pôster político. Esse pôster é lido pelo povo que está esperando o ônibus ao lado do jornaleiro e não compra o jornal, e ainda determina o modo de percepção das notícias pelos  âncoras de rádio de TV. Tem  uma importante função política em períodos eleitorais e  uma função ideológica de fundo em tempos normais.  Muitas vezes a manchete é enganosa por mera negligência ou pressa do editor, que não leu a matéria até o fim.

 

Mentira difusa.

 

Publicação de informação falsa que não atinge especificamente pessoas, entidades ou grupos, mas tem o objetivo de formar opinião favorável ou desfavorável a interesses ou situações. 

 

Mentira estatística.

 

Utilização maliciosa de dados estatísticos para dar validade científica a informação falsa. O principal mecanismo da  mentira estatística consiste em  selecionar dois pontos de uma série estatística convenientes para provar uma tese que não resultaria verdadeira, se fossem tomados outros pontos da mesma série. 

 

Mistificação (ou mitificação).

 

Quando as práticas e conteúdos ideológicos da matéria,são apresentados com se fossem coisas da natureza, ou seja inevitáveis, insubstituíveis. A mistificação exercida pela imprensa é parte de um processo mais amplo  de praticas sociais  que envolvem a escola, a Igreja a própria família e outras instituições. Exemplo de mistificação pela imprensa: uso da expressão “globalização’ como fenômeno  natural e inevitável que tudo explica e justifica.

 

Roland Barthes, um dos principais teóricos desse fenômeno de “naturalização”, dos fatos e processos, prefere chamar a narrativa desse tipo de mítica, no sentido de que institui mitos. Um dos seus exemplos é o do casamento burguês erigido pela mídia como única forma “ natural”   de casamento. Um exemplo mais quente: o arrocho monetário como única forma de combate à inflação. È um mito à la Roland Barthes.


 
     
Index Enviar noticia por email clique aqui para imprimir a noticia
Comentários: 0

Comentários: