Sistema e browser desconhecidos

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Serviço de Pronta Resposta
 

   

A reportagem de hoje de Lucio Vaz publicada no Correio Braziliense e reproduzida em jornais regionais, precisa ser respondida pelos diversos ministérios citados. O Jornalista diz que o governo investe menos que FHC. Seus dados são detalhados, ministério por ministério, mas contém três  falhas fundamentais que relacionamos a seguir em apoio  aos assessores que precisam responder:

    

Primeira falha: os dados são retirados do SIAF, que acompanha apenas as liberações do orçamento deste ano, não incluindo os investimentos feitos com “restos a pagar”, do orçamento do ano passado. Como governo decidiu dar prioridade á finalização de projetos não completados no governo passado, dá-se uma deformação estatística e a  manchete “governo investe menos que...” pode muito bem ser uma assertiva falsa, no todo ou para alguns dos ministérios.

   

Segunda falha: O repórter não considerou investimentos feitos com fundos especiais que não constam do orçamento geral da União. É o caso da Habitação que usa recursos do FGTS. Outros  ministérios também tem fundos especiais. Essa omissão dá origem a uma segunda deformação estatística.

   

Terceira falha: o repórter não foi conferir com as assessorias dos vários ministérios. Fez uma “ reportagem de computador”, com a agravante de não ter  decodificado ou contextualizado os números frios despejadas pela telinha;

    

Quarta falha: A mais grave: a matéria é uma quase repetição  de reportagem anterior, que continha os mesmos defeitos, feita por uma repórter da Folha. Não sendo novidade, não é matéria jornalística. É também um crime de plágio.

 

Porque é importante responder.

   

Um dos critérios de demarcação da matéria jornalística é o critério da novidade. Não sendo essa reportagem nenhuma novidade,  pode-se desconfiar que é matéria de campanha político  - ideológica. Um possível sinal antecipatório  de que na mídia a campanha eleitoral de 2004 já começou. Por isso é importante que cada ministério citado responda. É importante também para ajudar a elevar a qualidade do jornalismo brasileiro .Responder com fatos, sem patrulhamento ideológico (ver nosso texto de apoio N. 1) Para os assessores que precisam responder às alegações do repórter, lembramos que o Ministro Mântega tem um levantamento mais completo e mais correto sobre os investimentos do governo.

 

Não deixe de ler: 

    

Na Folha de hoje, a coluna de Fernando Rodrigues, que desmonta peça por peça, a última fala de FHC. 

    

Na Gazeta Mercantil de hoje as reportagens sobre aproximação econômica entre Brasil e Venezuela ( “Região Norte, mercado para 20 milhões de pessoas), e sobre substituição de importações ( “ País pode economizar US$ 7,5 bilhões...”) .Ambas muito informativas e bem organizadas.

   

No Estadão de hoje, a matéria assinada por quatro economistas da USP: “ Devo, na nego. Mas, como pagar?” Sobre o déficit da previdência.

 

 

Especial para leitura da Mídia: Como se produz a confusão na informação.

por Luís Jorge Natal

Coordenador de Comunicação do Ministério da Educação

 

É complicado estar do outro lado balcão. Temos a tendência natural de achar que sabemos fazer melhor o que outros colegas estão fazendo. A proximidade com o governo e com o ministro faz a gente se sentir parte do processo. Conhecemos, também, de forma privilegiada, os temas, as propostas e os programas que daí a pouco estarão nas páginas dos jornais. Penso nisso tudo quando leio ou vejo, nos jornais e telejornais, a repercussão das notícias do Ministério da Educação. Procuro não me deixar trair pelo envolvimento inerente ao cargo que ocupo e achar que os colegas têm a incomensurável capacidade de distorcer o que foi dito. O velho e às vezes bom nariz de cera se faz necessário aqui, para tentar explicar como o fato perde quase sempre para a versão.

 

Todos devem lembrar do "puxão de orelhas" dado pelo presidente Lula no ministro Cristovam Buarque em solenidade pública na Confederação Nacional da Indústria, quando foi lançada mais uma etapa do programa de erradicação do analfabetismo. Foi no dia 23 de abril. Vale lembrar as manchetes dos jornais. Todos faziam referência aos números da educação no país, divulgados pelo ministério. A crueza dos dados ganhou do ministro o título de "a tragédia brasileira". Os números foram divulgados numa entrevista coletiva, onde, além de apresentar o quadro dantesco da educação, o ministro anunciou algumas metas para resolver os problemas. Eram metas ousadas para serem executadas nos próximos quinze anos e, para isso, é claro, ele falou em dinheiro.

 

Pronto, chegamos aonde queria: o dinheiro. Todos os jornais, com uma única exceção, deram a entrevista do ministro no contexto da educação, ou seja, os editores baixaram as matérias destacando os dados da educação e mostrando quanto seria necessário, segundo o ministro, para superar a "tragédia brasileira". A exceção resolveu editar a matéria de maneira separada. Os dados foram reproduzidos na editoria de educação e a parte financeira foi destacada para o caderno de política, ganhando a primeira página com o título “ Cristovam critica orçamento do governo.”  A confusão midiática estava feita. O que era uma coletiva para divulgar dados trágicos virou lamentação de um ministro.

 

Durante o dia, tive a oportunidade conversar com a repórter que fez a matéria. Constrangida, ela me disse que a decisão de separar a matéria não tinha  sido dela. Como não haviamos contestado nada, estranhei o seu constrangimento. Depois do episódio, o mais incrível aconteceu. Até os jornais que tinham publicado a matéria de maneira correta compraram a versão da exceção e a versão virou fato. Segundo a versão, o ministro reclamou  do orçamento do governo, mesmo sabendo que o atual governo não elaborou nenhum orçamento ainda.  Sabendo ainda que a crítica do ministro era dirigida a todos os orçamentos feitos até hoje para educação. Mas não importava. A versão venceu o fato e o ministro passou a ser visto com um pedinte contumaz de mais verbas. 

 

Ontem, novas manchetes me fizeram crer que a interpretação venceu a notícia. O ministro fez aos servidores do MEC um alerta, até certo ponto, lúdico. Pediu a todos que não se deixassem levar pela burocracia e não perdessem a capacidade de se indignar. Falou de maneira genérica que o governo do qual ele faz parte não pode ser paralisado pela burocracia. Foi apenas um alerta. Ele não disse que o governo está parado, não disse que perderam a capacidade de se indignar, apenas alertou para o perigo.

 

Com certeza, mais uma vez, a versão vai vencer o fato. Isso me fez lembrar uma antiga nota da colunista Tereza Cruvinel, de O Globo. Em 1995, ainda se discutia a eleição do presidente Fernando Henrique. Em viagem a Alagoas, o então candidato montou num cavalo, magro, pequeno, feio e branco. A mídia do Sul maravilha viu naquilo um ato de populismo do príncipe paulista e mandou ver: "Fernando Henrique monta em jegue no Nordeste". A assessoria do novo presidente, dando uma importância demasiada ao fato, tentou explicar que ele havia montado num cavalo e não num jegue. Talvez por ser o cavalo um animal que se confunde com a nobreza. A mídia manteve a versão do jegue e Tereza em sua coluna explicou mais ou menos assim: Fernando Henrique de fato montou num cavalo, mas a imprensa disse que era um jegue, agora é jegue mesmo.

 

Do lado de cá do balcão sou obrigado a admitir: contra a versão não há argumentos.

 

 
     
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