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As muitas formas de não dizer a verdade – IV
 

     

Continuamos com nossa série de verbetes que podem ser úteis na reclamação de incorreções em matérias jornalísticas. Os verbetes permitem qualificar uma incorreção com algum grau de objetividade e definição, ao invés de apenas adjetivá– la.

 

Deturpação da informação.

 

Ocorre quando a notícia é construída de modo a tornar os fatos especialmente torpes ou sórdidos, com a finalidade de prejudicar a imagem dos  protagonistas dos  acontecimentos. 

 

Um exemplo em que o comportamento do protagonista é pintado de forma a torná-lo sórdido é a matéria de Elio Gaspari deste domingo, em que ele acusa o presidente de ter exercido censura contra o sociólogo Chico de Oliveira, pedindo que retirasse um texto de sua autoria, de um livro a ser publicado sob coordenação do próprio Chico de Oliveira. No final do comentário, Gaspari compara Lula a Stalin.

 

Além de não ter ouvido o Presidente, Gaspari omitiu de sua história, ao que parece veraz e riquíssima em detalhes, dois ou três fatos que poderiam dar outra conotação ao comportamento do Presidente. Primeiro, que não se tratava de um compêndio qualquer de textos acadêmicos, e sim um conjunto de textos constitutivos de projeto de Reforma Política, encomendado por Lula, dois anos antes de ser eleito, para ser elaborado sob a égide Instituto Cidadania; segundo, que o texto trazido por Chico de Oliveira não constava do planejamento original , ao contrário de outro texto co-assinado por Chico e que consta do projeto; terceiro, que o texto de Chico de Oliveira não tinha  a ver diretamente com Reforma política, era sobre autonomia do Banco Central, e finalmente, que esse texto, trazido de última hora,  depois de Lula eleito presidente, criticava a postura de Palocci, que não tinha nada a ver com a história, nem com a reforma política. O problema portanto era essencialmente político, e não de liberdade de expressão, e foi criado por Chico de Oliveira e não por Lula. O Presidente até achou uma boa solução que preservava a liberdade de expressão, como próprio Gaspari reconhece.  Isso não o impediu de compará-lo a Stalin..

 

Descontextualização.

 

Apresentação dos fatos sem explicar em que circunstâncias aconteceram, com a finalidade de lhes dar uma conotação negativa que não teriam se fossem devidamente contextualizados. Retirar frases do contexto em que foram ditas dando a elas um sentido diverso do pretendido.

 

Um bom exemplo foram as matérias da Folha da semana passada e do Estadão de hoje apontando que o investimento público do governo é ínfimo. As reportagens usam dados do SIAF (Sistema Integrado de Administração Financeira), que relaciona as despesas efetuadas do orçamento. Mas não contextualizam de modo adequado, para o que teriam que considerar a prioridade do governo em terminar projetos inacabados do governo passado, e  os gastos feitos através de fundos de investimentos especiais que não estão no SIAF.

 

Atenção, não deixe de ler: A importante entrevista do Ministro da Defesa, embaixador José Viegas, publicada na Gazeta Mercantil de hoje ( páginas A4 e A5) . Nessa entrevista ele trata de questões estratégicas e relata fatos que a maioria de nós desconhece sobre nossa nova política externa. 

 

Informe Especial: A matemática das demissões.

por Moacyr Oliveira Filho (Moa)

 

Segundo matéria da revista Carta Capital desta semana, desde janeiro o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo já realizou 235 homologações de demissões de jornalistas, sendo que, em março, ocorreram 86 demissões, capitaneadas pela crise na TV Cultura, e em abril, 41 cortes, destacando-se novas demissões na Gazeta Mercantil, que há dois anos vive uma crise que parece não ter fim.

 

Embora cada um desses processos tenha suas próprias origens e motivações, todos eles têm um ponto em comum: a queda na receita publicitária, estimada, segundo a Carta Capital, em 9,1%.

 

O fenômeno das demissões em massa nas redações não é recente mas recrudesceu a partir do ano passado. Estamos frente a uma das maiores ondas de demissões dos últimos tempos. Segundo  levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas apenas no ano passado 516 jornalistas foram demitidos, dos quais 345 em São Paulo.

 

Este ano, o alarme soou logo em janeiro, com o fechamento da revista Tudo, da Editora  Abril, que demitiu 20 profissionais. Em março, a Editora  Globo demitiu 60 pessoas. O Valor Econômico, uma publicação conjunta dos grupos Globo e Folha, que já havia reduzido sua equipe em 2002, demitiu 13 profissionais em maio. A revista Época demitiu outros 13 jornalistas.

A onda de demissões atingiu ainda a Folha de São Paulo, que demitiu 17 jornalistas, quatro na Folha On Line e cinco no Agora São Paulo, além de anunciar o fechamento da Agência Folha em Belém e o fim do suplemento TV Folha.

 

A movimentação chegou também às redações do Rio de Janeiro. O Jornal do Brasil, mergulhou há anos numa crise profunda resultando na compra do jornal pelo empresário Nelson Tanure, que afastou o diretor de redação, Nilo Dante, e demitiu nove jornalistas no Rio e outros nove na sucursal de Brasília.

 

A última parada da onda de demissões foi no O Estado de São Paulo. Na semana passada, um comunicado assinado por Francisco Mesquita Neto, diretor do grupo Estado, anuncia o cumprimento de mais uma etapa “do processo de reestruturação que visa adaptar os seus custos à dimensão das receitas e à atual conjuntura econômica do país” e, sem divulgar nomes, agradece os profissionais que estão sendo desligados da empresa.

 

Não existem números oficiais para as demissões da semana passada no Grupo Estado, mas os comentários correntes nas redações e no mercado falam na dispensa de 100 a 130 pessoas, sendo 34 jornalistas. Além das demissões, o Grupo Estado concluiu um radical processo de reestruturação interna que culminou com o afastamento da família Mesquita do comando administrativo da empresa, conduzido pelo consultor Cláudio Galeazzi, da Galeazzi & Associados, tido como o novo homem forte do Grupo Estado.

 

Além de reduzir custos, os jornais vivem as conseqüências de anos e anos de administrações caóticas, pouco profissionais e marcada pela falta de controle sobre os gastos empresariais e familiares. Além disso, a crise revela, também, uma brutal dependência dos veículos de comunicação das receitas publicitárias.

 

Segundo as previsões, o mercado publicitário deve iniciar sua recuperação nos próximos meses e as mudanças na estrutura administrativa das empresas, como a realizada pelo Grupo Estado, podem torná-las mais profissionais. Com isso, espera-se que a onda de cortes seja estancada e, quem sabe, num futuro não muito remoto, as contratações voltem a aquecer o mercado jornalístico.

 

Enquanto isso, a crise começa a ser sentida pelos leitores. Os jornais estão cada vez mais magros, casos do JB e da Gazeta, com equipes menores e menos qualificadas, uma vez que os salários também estão achatados e reduzidos. Como sempre, o principal prejudicado é o leitor.


 
     
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