Sistema e browser desconhecidos

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As muitas formas de não dizer a verdade - II
 

 

Continuamos com nossa série de verbetes que tem por finalidade ajudar as assessorias a responderem distorções do noticiário, sem ter que usar linguagem adjetivada  Os verbetes procuram descrevem os mecanismos específicos de distorção. 

 

 

Alusões obscuras - Referências indiretas a pessoas ou entidades sem a citação de  nomes  mas com dados  que permitem a sua identificação, ou que sugerem essa identificação, mesmos sendo indevida. Se identificação é indevida, como no exemplo abaixo, do O Globo de ontem de ontem, é uma modalidade de difamação não assumida. 

    

O Globo de ontem deu matéria grande com o titulo “Assentados queimam florestas na Amazônia.”  A reportagem, grande, relata queimadas em um grande semi-círculo da região amazônica e cita alguns casos específicos, entrevistando pessoas. Mas algumas histórias são muito antigas, da época da Trans-Amazônica, quando foram feitos ao agro-vilas do Incra. As alusões são obscuras, e o uso da palavra  “assentados”, claramente induz a se culpar o MST, que não é citado na história e muito provavelmente não em nada a ver com as queimadas.

 

Bricolagem - Montagem, especialmente em televisão, de cenas  ou declarações  retiradas de situações diversas, de modo a induzir a uma determinada visão do fato supostamente reportado.

 

Calúnia - Imputação falsa a alguém de fato definido em lei como crime. A calúnia é um crime de imprensa e também um crime de falsidade, já que substitui a verdade relativa à pessoa citada por uma mentira. A calunia é uma agressão à auto -  imagem e reputação das pessoas,  provocando  freqüentemente grande dano material. Na imprensa sensacionalista, pode ocorrer o uso recorrente da calúnia contra alguém, na forma de uma campanha sistemática,que os ingleses chamam de “character destruction.”

 

Cascata -  Inventar a história ou detalhes da história, inventar entrevistas  chutar dados e números quando não estão disponíveis, ou por preguiça de pesquisar. Um dos vícios do jornalismo brasileiro, relacionado à falta de método e do sentido de rigor. Foi o motivo da recente demissão do repórter do New York Times. A diferença entre Brasil e Estados Unidos é que lá, descoberta a cascata, os editores do jornal também se demitiram. No Brasil, é amplamente tolerada a  meia-cascata, em que o jornalista tece toda uma história, com apenas algumas informações precárias. O jornalista oculta a precariedade de sua fontes de informações dizendo que “apurou que”. 

 

Clichês -  Uso de uma adjetivação ou rótulo simplificador, em geral pejorativo, como “governo neo- liberal”, ou “ líder populista”. Também chamado de “estereótipo”, quando se refere a tipos humanos, como “uma mulher mal-amada”, ou  “esquerdista”, ou “petista.” A imprensa brasileira é pródiga em rotular “esquerdistas” ou “ex- trotskistas’, mas raramente rotula “direitistas” ou “ex- golpistas.” 

   

O clichê ou estereótipo torna  mais eficaz a comunicação, mas às custas de reforçar preconceitos ou gerar novos preconceitos, ou pré- julgamentos porque pré- seleciona a percepção e direciona o processo de decodificação da informação.


 
     
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