Sistema e browser desconhecidos

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Agenda: Lançamento do livro: Pretérito Imperfeito      |      Participação na Feira do Livro de Porto Alegre - Mesa: Literatura: efeitos de transmissão      |      

A violência semântica dos juros altos
 

 

Juros altos como uma aberração financeira 

   

A crítica dos altíssimos juros  bancários, feita pelo Presidente  pautou a mídia deste final de semana. VEJA comparou os juros dos bancos  em vários  países, mostrando que no Brasil paga-se de longe o juro mais alto:  60% ao ano de juro real ( já descontada a inflação) , bem distante da Argentina toda estraçalhada mas onde se paga 15,6%. 

   

Em um pequeno grupo de países paga -se  entre 5 e 8% ao ano de juro real. No capitalismo avançado o juro real raramente passa de 2%. No Japão, hoje, é  apenas 2,4%. O fato é que o capitalismo é um sistema econômico que só existe quando o capital é abundante e barato. Historicamente, em tempos normais, a taxa de juro do capital nas economias capitalistas vem oscilando entre zero e 1 por cento. Por isso, o capital está na  semântica da palavra que define o sistema:  Capitalismo. 

 

Na VEJA, a culpa é da vítima

    

Como se explica a aberração dos juros brasileiros? VEJA dá as explicações convencionais, alto índice de  inadimplência, leis que protegem o mal pagador, governo que toma dinheiro demais do sistema bancário.Todos  tem culpa, menos os bancos que cobram esses juros. Os culpados são os que tomam os empréstimos: as vítimas.

 

A disfunção da língua

    

Suely Caldas, no Estadão, mostra que o “ spread”  bancário do Brasil é o maior do mundo.  Mas o juro é tão alto no Brasil que não tem sentido usar a palavra inglesa “spread”, que designa aquela fina camada de manteiga passada no pão.  Em países normais, dotados de economia normal, os bancos captam dinheiro a um certo juro e o re-emprestam a um juro ligeiramente maior, essa diferença  mínima é chamada de spread. Pode ser de meio ponto percentual, de um ponto percentual. 

   

Os juros reais  tem que ser  menores do que a taxa de lucro das empresas que tomaram esse dinheiro emprestado e que é da ordem de 5 a  10%.  Se no Brasil essa diferença é de 40 pontos percentuais, ou  seja, é maior do que o próprio juro básico, não em sentido chamar de “spread.”   O juro no Brasil é um caso em que a realidade subverteu  a lógica das relações econômicas e as palavras que designavam essa lógica perderam sua funcionalidade. A disfunção do sistema financeiro  gerou a disfunção da língua.

 

E a linguagem do ocultamento

    

Suely cita textos do  site do BC, que  admitem que em alguns tipos de empréstimos, como os de cheque especial,”os bancos tem poder de mercado sobre os tomadores de recursos.” Mas não se deteve em todas as implicações da citação. Notem a curiosa construção “poder de mercado”, uma aberração semântica. O BC quer dizer  que os bancos tem poder de impedir que funcionem as leis de concorrência do  mercado.” Então, não é poder de mercado é poder anti-mercado. É poder de monopólio. Mais que isso, é como a “ lei do barracão”, que força o trabalhador a comprar no armazém da fazenda, aos preços ditados pelo dono da fazenda. a escraviza o trabalhador. Ao cunhar essa aberração semântica o BC não está apenas ocultando o verdadeiro mecanismo que escraviza o cliente do cheque especial ao banco:  ele está sancionando esse tipo de prática porque a chama de “poder de mercado”, como se fosse natural do mercado.

 

A subversão da lógica 

   

O Globo do domingo tentou mostrar que bancos oficiais cobram juros mais altos do que outros bancos,; “juros de bancos oficiais supõem os do mercado”, diz a manchete interna”.

     

E o lead reitera a informação, apontando BB e Caixa Econômica Federal. Mas os dados da própria matéria  baseados no levantamento de cinco tipos de empréstimos, mostram um quadro bem diferente: no empréstimo pessoal a taxa média da Caixa é bem inferior do que a cobrada pelos bancos comerciais; na modalidade cheque especial, Caixa e BB cobram as mesmas taxas dos principais bancos comerciais. E para capital de giro para pessoas jurídicas, Banco do Brasil cobra  menos que os bancos comerciais e só a Caixa cobra mais. Finalmente sobra o hot - money, empréstimos emergenciais, em que as taxas são parecidas, porque em geral é dinheiro que os bancos emprestam entre si. Esse é um caso típico de pauta dirigida, que se recusou a aceitar a realidade dos fatos.


 
     
Index Enviar noticia por email clique aqui para imprimir a noticia
Comentários: 0

Comentários: