Sistema e browser desconhecidos

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Agenda: Encontro Literário      |      

As muitas formas de não dizer a verdade
 

As muitas formas de não dizer a verdade.

     

No Texto de Apoio N. 1 distribuído esta semana pela Secom, foi sugerido que as assessorias de imprensa das diferentes unidades respondam de modo mais sistemático às matérias da imprensa que contenham erros de informação. É relativamente fácil corrigir um erro factual de informação, ainda que muitas vezes isso exija muito trabalho, pesquisando dados.

   

Mais difícil é corrigir erros decorrentes de certas formas pelas quais a  matéria é construída, transmitindo um sentido falso, apesar de citar fatos que  isoladamente podem ser verdadeiros. Enfim, são maneiras as mais sofisticadas de mentir. Nesses casos, há o perigo da resposta resvalar para o embate ideológico, o que não é adequado para assessorias de governo.

    

Para ajudar a redigir essas respostas, minimizando o perigo de cair no patrulhamento, Leitura de Mídia passa a publicar a partir de hoje, por ordem alfabética, uma série de verbetes sobre as diferentes formas de editorialização ou manipulação da matéria jornalística.

    

Sempre que possível daremos exemplos dos jornais do dia ou do dia anterior. Os verbetes servem para qualificar de modo preciso a objeção que se possa ter à matéria. Qualificar em vez de adjetivar. Por exemplo, em vez de dizer que a matéria “distorceu” a fala do ministro, munidos deste instrumental, pode-se dizer que “a matéria inverteu a ênfase da fala do ministro”. A inversão de ênfase é um dos mecanismos mais usados na manipulação jornalística.

    

Hoje damos dois verbetes que começam com “A”.     

 

Abordagem superficial.

   

Ocorre, quando a notícia ou matéria trata de modo simplista uma questão complexa, ou  quando se limita aos efeitos imediatos do episódio , sem atentar para suas conseqüências de médio e longo prazo, seus efeitos colaterais e desdobramentos. A simplificação é erro muito comum, denota pressa ou falta de especialização do jornalista. 

    

Nos jornais de hoje temos o exemplo das matérias publicadas em quase todos os jornais sobre as mudanças na sistemática de aprovação de medicamentos, divulgada pelo Ministério da Saúde. Os jornais deram grande destaque, mas engoliram a apresentação do governo sem parar para examinar criticamente seus diferentes itens. Se tivessem feito isso, saberiam, por  exemplo que é um absurdo o governo dizer que de agora em diante os fabricantes terão que “comprovar a eficácia de quatro ou mais princípios ativos num mesmo produto.” Então , antes não tinham que comprovar? Teriam questionado o que significa a frase do ministro: “ “ Termina o mercado paralelo de registro.” Teriam questionado a decisão de obrigar as bulas a terem uma linguagem simplificada, porque ao mesmo tempo em que isso facilita a vida das pessoa,  estimula auto- medicação, que é potencialmente perigosa. Enfim, teriam questionado todo o conjunto de resoluções. 

 

Abordagem direcionada.

    

Às vezes, a matéria é conduzida desde o início para uma conclusão pré – definida na pauta. O repórter,  preocupado em conseguir declarações ou fatos que legitimem a tese da pauta,  acaba  desprezando fatos ou argumentos que contrariem ou enfraqueçam  a tese. 

   

Nos jornais de hoje temos o exemplo da reportagem da Folha: “ Índios ficam sem atendimento médico.”, publicada com grande destaque. Essa é claramente a pauta da matéria. O lead diz:

    

“Vinte mil índios da região do Alto Rio Negro estais sem atendimento médico por causa de atraso no repasse de recursos do governo.”

   

Mas à medida que a reportagem vai desfiando sua história verifica-se que está mal contada. 0s índios ainda estão sendo atendidos (portanto a manchete é uma assertiva falsa e naquele mesmo dia estava sendo depositada a segunda parcela do recurso em questão ( portanto houve uma primeira parcela e supõe-se eu haverá uma terceira,etc).

    

Qual o sentido dessa matéria? Ao que parece, culpar o governo por uma catástrofe iminente na saúde coletiva dos índios. Mas uma outra narrativa poderia ter sido construída com os mesmos dados da reportagem, chegando a uma conclusão diferente: a de que foi o governo passado que negligenciou nos pagamentos e o atual governo é que está  tentando por a casa em ordem. 

   

A abordagem foi direcionada para culpar o atual governo.Se o repórter tivesse procurado se inteirar dos fatos com rigor teria descoberto que a própria ONG que fez a denúncia é responsável pelo atraso na liberação da verba porque errou na documentação, que a Funasa demorou apenas 18dias para aprovar a papelada e que os índios não ficaram sem atendimento. Mas tudo isso is derrubar a pauta.


 
     
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