Sistema e browser desconhecidos

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Agenda: Encontro Literário      |      

Assim é se lhe parece.....
 

 

por Moacyr Oliveira Filho (Moa)

 

Um “vaiómetro” para os jornais.

 

O presidente Lula fez, ontem, um discurso emocionado na abertura do Congresso Nacional da CUT e saiu ovacionado pelo plenário, lotado de sindicalistas.

 

Mesmo assim, quem só leu a notícia pelos jornais e não viu os telejornais, dificilmente terá a dimensão exata de qual foi mesmo a reação dos cutistas ao discurso do presidente. Isso porque os jornais deram mais ênfase às vaias ao presidente do que aos aplausos que ele conquistou.

 

O Globo chamou as vaias para a manchete principal e disse que elas, inicialmente restritas a um grupo de militantes do PSTU, se ampliaram quando o presidente defendeu a reforma da Previdência. O Estadão e o JB registraram que Lula foi vaiado e aplaudido, sem deixar claro as diferentes intensidades de cada uma dessas manifestações. E a Folha, tentando ser precisa, avaliou que as vaias partiram de cerca de 100 dos 2 mil sindicalistas presentes.

 

Os telejornais, ao contrário, foram mais direto, até porque as imagens com áudio se impõe. O Jornal Nacional registrou: “Um pequeno grupo vaiou, mas no final os aplausos prevaleceram”. E o Bom Dia Brasil acertou na mosca: “Lula conseguiu o que poucos achavam ser possível, durante a defesa das reformas, virou o jogo, conquistou a maioria da platéia e saiu aplaudido”, disse a apresentadora Mariana Godoy, que classificou o pronunciamento do presidente como “marcante”.

 

Embora seja normal, e até saudável, existirem diferentes versões para um mesmo fato, nesse episódio a verdade é uma só: Lula foi timidamente vaiado por uma minoria, ovacionado pela ampla maioria do auditório, teve seu discurso interrompido várias vezes pelo tradicional grito de “Lu la, Lu la....!” (coisa que a mídia não registrou) e saiu aplaudido de pé pelo auditório. Com exceção dos telejornais, a mídia não registrou que Lula abafou as vaias com seu discurso emocionado e virou o jogo.

 

Na ausência de um “vaiómetro”, cada jornal ouviu como quis. E o leitor entenda como preferir.

 

Pensando com a cabeça dos outros.

 

Num exercício de mediunidade, o Globo descobriu o que estava se passando na cabeça do presidente Lula enquanto discursava no Congresso da CUT.

 

Em dado momento do discurso, Lula afirmou:

 

“Muitas pessoas morrem afogadas não porque não sabem nadar. Pois se tivessem controle emocional e consciência de que seu corpo é mais leve do que a água, certamente muitos não morreriam. Morrem porque ficam nervosos, batem demais as mãos e os pés, abrem a boca demais, bebem águas indevidas”.

 

O Globo, com visão extrasensorial, penetrou no subconsciente do presidente e decretou que o alvo da imagem foi o vice-presidente José Alencar e suas críticas à política de juros.

 

Como Lula não citou ninguém e, até onde se sabe, não contou para ninguém a quem estava se referindo, o título da matéria do Globo – “Lula manda recado a Alencar: quem grita muito pode morrer afogado” – só pode ter sido psicografado. Ou quem sabe uma manifestação de utilitarismo da notícia. Como a “bola da vez” para a mídia é Alencar, o recado foi para ele. Se a declaração tivesse sido feita em outro momento, por exemplo, no auge das críticas da senadora Heloisa Helena à reforma da Previdência, certamente ela teria sido  eleita como a destinatária da imagem presidencial.

 

Assim, o Globo personalizou um recado que pode ter sido para todos que manifestam algum tipo de impaciência: Alencar, Heloísa Helena, Babá, CUT, Brizola, Garotinho, Cristovam, Gilberto Gil, Conceição Tavares, etc, etc, etc...


 
     
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