Sistema e browser desconhecidos

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Agenda: Encontro Literário      |      

Pequenos problemas dos jornais de hoje
 

 

  1. O problema das aspas fora do lugar. 

 

 A Folha de hoje inovou no uso das aspas, dando o seguinte título a um pirulito na página A9 ao lado da matéria principal sobre a reunião do G8:

 

Grupo “esquece” plano de Lula contra a fome.

Para que servem as aspas do ”esquece”? Para assinalar que foi dito por alguém? Ou que consta de algum documento? Não. Ninguém disse que o GB esqueceu o plano de Lula e nem isso está escrito em lugar nenhum. Vejamos o que diz a matéria da folha:

 

“O documento de cinco páginas divulgado ontem reserva apenas quatro linhas para o combate á fome...O G8 reconhece que a fome “ameaça milhões de pessoas“ e promete “atender às necessidades alimentares urgentes”, mas não detalha como isso será feito.”

 

O G8 mencionou a fome. Mas é fato que não mencionou o plano especifico de Lula de criar um fundo de combate à fome com base num imposto sobre o comércio de armas. Se a Folha não tivesse editorializado, isso ficaria mais claro:

 

“No documento de cinco páginas divulgado ontem ao final e sua reunião, o G8 reconhece que a fome “ameaça milhões de pessoas “e promete “atender às necessidades alimentares urgentes”, mas não detalha como isso será feito.”

 

Portanto o G8 sentiu-se obrigado a registrar a preocupação de Lula com a fome, mas não ao  ponto  de assumir um compromisso concreto e muito menos o mecanismo específico proposto pelo presidente. Essa é a informação correta, que hierarquiza a informação. A Folha tinha duas opções para o título: Dizer, sem aspas, que o G8 esqueceu a proposta de Lula. Dizer sem aspas que o G8 não esqueceu a proposta de Lula. Qualquer dessas opções era melhor do que as estranhas aspas.

 

2) O problema do furo que não é um furo.

 

Na Folha de hoje aparecem quatro matérias com o novo cacoete  a Folha apurou que”. Uma delas atribui ao ministro José Dirceu a declaração, em reunião de coordenação no Congresso, de que o governo já não considera o PDT um partido aliado. A outra diz que Lula e o comando político do governo temem perda de  autoridade por causa das declarações de Alencar. Em outra, a  Folha apurou que a iniciativa de Mercadante de  um debate público sobre juros também incomodou o Palácio; finalmente a Folha apurou que no acordo entre o PT e Alckmin será mantido a nova alíquota de 11% de contribuição para os servidores públicos de São Paulo.

    

Esse cacoete da Folha parece ter muitas funções: evitar ter que citar as fontes das  informações e com isso abrir caminho para muita cascata, como é o caso da matéria que diz que Lula teme perder autoridade ( nada mais improvável hoje, como qualquer jornalista que cobre o palácio sabe); transmitir a sensação de que se trata de uma descoberta exclusiva do jornal, o que não é rigorosamente verdade para a maioria dos casos. 

 

3) problema da subversão do conceito de notícia.

     

Notícia é o que é mais importante e mais fora da normalidade. O aumento da popularidade de Lula medido pela pesquisa CNT/Sensus é um fato surpreendente, até paradoxal, dado o estado de crise em que vive o país. Outros dados da pesquisa ainda são mais surpreendentes, como a disposição expressa da maioria dos entrevistados de dar dois anos para Lula arrumar a casa, e até mais de dois. Portanto, material farto para um debate jornalístico. E notícia de primeira página.

   

Mas só JB e Estadão registraram na primeira página. O Jornal Nacional .. tão criterioso na escolha do que vai virar notícia, nem mencionou Se tivesse caído a popularidade de Lula, teria sido um fato normal. No entanto é certo que seria a manchete de hoje de todos os jornais: “Cai popularidade de Lula “.


 
     
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