Sistema e browser desconhecidos

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Agenda: Encontro Literário      |      

O protesto dos perueiros
 

     

No mesmo dia em Recife, Campinas e Angra dos Reis, perueiros recorreram á violência como forma de demonstração. Em Angra, eles levaram suas famílias, inclusive crianças, invadiram a prefeitura, fizeram 50 reféns, espalharem gasolina em tudo e ameaçaram botar fogo. Foi a forma que encontraram para poder comunicar seu protesto contra a decisão da prefeitura de proibir o transporte alternativo na cidade. Depois de muita negociação, foram embora, sem nenhum deles ser preso. Não foram tratados como vândalos, e sim como um grupo social prejudicado por determinada medida e protestando contra ela. 

   Com variações de número e grau, assim agiram os perueiros também nas outras cidades: usaram a violência para forçar um diálogo. Só no Rio e Janeiro, informa o Globo de Hoje, há cerca de 12 mil perueiros.

 

E outros protestos.

   

Em Contagem, o povo destruiu 22 ônibus ao manifestar seu inconformismo contra aumentos de passagens de R$ 1,50 para R$ 2,10 e o mau funcionamento da linha 1167. Começaram bloqueando o trânsito, e terminaram queimando e depredando.  No Pará, mais um posseiro é executado por grileiros. Em três estados, o MST comandou mais uma série de ocupações relâmpagos. Invadem uma propriedade improdutiva, ficam um dia ou dois e depois se retiram. Como se quisessem comunicar alguma coisa. É visível o crescimento da violência como  forma de comunicação e  protesto.  O Jornal de Record ontem à noite, ia relacionando todos esses fatos, um após  o outro, sem muito ânimo, sem aquele tom usual condenatório, dando a entender que havia alguma razão social para todos esses fatos. 

 

A violência como forma de comunicação.

   

A razão é a exasperação com a falta de soluções para os problemas e o esgotamento da formas usuais de debate. Os presos que se rebelam, botando fogo nos colchões, fazendo reféns, jogando guardas telhado abaixo sob o foco das câmaras de TV, foram os pioneiros  no Brasil uso dessa linguagem macabra de comunicação social: a linguagem da violência. O método, portanto, já existe há muito  tempo no Brasil. Por esse método, primeiro vem a violência, depois o diálogo. A violência é usada para provocar o diálogo. Os presos se rebelam para forçar a vinda do ouvidor da polícia, dos grupos de Direitos Humanos, para eu eles escutem suas reivindicações. É o contrário diálogo  normal , que começa pelo diálogo e só em ultimo caso, acaba comum confronto. A comunicação pelo diálogo é a norma. A comunicação pela violência é a anomia, nome que se dá ao estado em que a sociedade deixa de se guiar por regras acordadas de conduta. A violência dos últimos dias é um sintoma de anomia crescente.


 
     
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