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Agenda: Lançamento do livro: Pretérito Imperfeito      |      Participação na Feira do Livro de Porto Alegre - Mesa: Literatura: efeitos de transmissão      |      

Prefácio: O pecado de Adão
 

Prefácio do livro: O pecado de Adão, crimes homossexuais no eixo Rio-São Paulo

 

Há muito tempo o homossexualismo não conhecia uma onda de preconceitos tão intensa  como a provocada pela Síndrome da Deficiência Imunológica. À condenação moralista do homossexual veio se somar um pretexto sanitário. Com esse pano de fundo ganhou  destaque uma sucessão de assassinatos no eixo Rio-São Paulo. Surgiram teorias e o  pânico. Um esquadrão da morte estaria liquidando homossexuais, como se liquidam certos ativistas políticos e os transgressores pobres. Este livro investiga essas mortes e a  hipótese do esquadrão. O que Márcio Venciguerra e Maurício Maia descobriram é que os  assassinos não pertencem a nenhum esquadrão. Constituem, isso sim, um exército  anônimo de parceiros eventuais que fazem o sexo por dinheiro e matam por mais dinheiro  - ou para destruir o objeto de sua prostituição. É a morte anunciada, arriscada, atraída  pela própria vítima. Até que ponto o aumento do preconceito ou o aumento da miséria  contribuem para a formação do criminoso? A frequência dos assassinatos sugere que o  que poderia estar sendo exceção foi se tornando regra. E a rotulação do homossexual  como disseminador da Aids pode ter contribuído para anular sentimentos de culpa e, portanto, o último bloqueio ao crime. Ao invés de culpado, o assassino se vê como agente  de uma justiça divina. Todas as grandes religiões existentes em São Paulo, do budismo  ao espiritismo, passando pela Igreja Católica, consideram o vírus da Aids como um  castigo de Deus. Isso foi demonstrado numa das reportagens do Jornal do Campus, que  fizemos juntos em 1986 e 1987 na Escola de Comunicações e Artes da USP. Nesse jornal  foi se desenvolvendo nossa visão das minorias como sal da terra e do trato das minorias  como a medida da sensibilidade de um povo. Foi graças ao repórter Márcio Venciguerra  que um funcionário da USP, negro e homossexual - um dos personagens desse livro - escapou de ser massacrado numa delegacia de Osasco. No Jornal do Campus a defesa  dos direitos humanos tornou-se instrumento pedagógico na formação do futuro jornalista.  Esta reportagem ampliou a experiência e a registrou na forma perene e com a qualidade  literária de um livro. Márcio Venciguerra e Maurício Maia escrevem quase sem adjetivos.  Frases curtas e duras. Afirmações. Um texto às vezes difícil, mas quase sempre impecável. Poucos adjetivos e todo sentimento do mundo.


 
     
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