Sistema e browser desconhecidos

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Agenda:

Mataram o presidente - Capitulo 4
 

 

Resumo dos capítulos anteriores: o presidente da República é encontrado morto e toda a mídia fala em suicídio, mas o chefe da Policia Federal, delegado Mauro Nascimento, descobre que o presidente foi assassinado e suspeita que  um golpe está em marcha. 
 
 
Quarta Parte
 
   Ao meio dia, o delegado Mauro já tinha  as informações  da cena do crime oriundas da investigação de rotina e dos registros do Palácio. O presidente fora morto entre meia noite e uma da manhã. Dormia  só, porque a primeira dama  ficara em São Paulo para acompanhar o nascimento de mais um neto. Os criminosos certamente sabiam que ele estaria só. 
 
   No aposento adjacente, fazia vigília o ajudante de ordens, tenente Rigoberto, cuja ficha já fora levantada. Na copa davam plantão o cozinheiro Luizão, que acompanhava o presidente desde os tempos do sindicato, e o garçom Zezinho.
 
 Quatro soldados do corpo de guarda palaciana faziam a ronda em torno do Palácio, em duplas, em sentidos contrários. Outros quatro revezavam - se em turnos de duas horas no grande portão externo de entrada. Um funcionário civil dava plantão  na portaria. 
 
   O presidente não queria serviçais perturbando sua intimidade à noite. Exceto em ocasiões especiais, a ordem era ter sossego depois das dez. Para emergências, políticas e pessoais, servia-se do telefone especial, criptografado, com linhas diretas para a casa civil, a casa militar, a guarda do palácio e o serviço médico. 
 
    O cronograma: o presidente assistira um  filme das dez às onze e quarenta. Os filmes o acalmavam ao fim de um dia de correrias. Virara hábito a sessão das dez no Palácio. Era um filme antigo, que ele já assistira duas outras vezes, Doze homens e uma sentença, com Henry Fonda. Também assistira, uma única vez, outra versão desse filme com o Jack Lemmon no lugar do Fonda. 
 
   Gostava mais da versão com o Henry Fonda, embora em branco e preto. Encantava-o a forma como ele convencia os jurados um a um da inocência do garoto, injustamente acusado do assassinato do pai. O filme mostra a importância do princípio da presunção de inocência, até prova irrefutável em contrário, preceito constitucional que a mídia ignorava nas acusações ao seu governo e à sua família. O presidente também via nesse filme uma lição de como o preconceito deforma a mente das  pessoas, mesmo as mais simples e bem intencionadas. O garoto foi visto erradamente como o criminoso, porque era pobre e vivia na rua.   
 
    Naquela noite, teve poucos convidados, apenas o secretário Dagoberto e o ministro da Cultura, ambos retirando-se logo que o filme terminou.  O operador do projetor e seu assistente saíram por volta das 23h50,  cerca de dez minutos depois de encerrada a sessão. Não forneceram os nomes desse operador e seu auxiliar. Mauro mandou levantar. 
 
    Às 14 menos um quarto Mauro recebeu do Instituto de Criminalística de São Paulo , por mensagem criptografada, a confirmação de que a suposta carta testamento havia sido forjada,  era uma fraude. A linguagem era a do presidente, mas a grafia trazia sinais clássicos de falsificação.
 
  Logo de manhã Mauro havia pedido ao secretario do presidente espécimes de sua escrita à mão, cartas, bilhetes, o que fosse e juntou tudo à suposta carta testamento ao mandar o estafeta para São Paulo, no  vôo que foi buscar a família do presidente. Instruiu o estafeta a viajar despercebido, de preferência que fosse no avião reserva, como quem conseguiu um carona. 
 
  Estava claro para Mauro que entre os que conspiraram para matar o presidente havia gente  próxima ao seu dia a dia,  com acesso à sua letra manuscrita, aos seus hábitos, horários e agenda, inclusive sua movimentação fora da agenda. Mauro pediu ao Rodolfo que conseguisse uma  lista dos que preenchiam essas condições.
 
   Com o documento da PF provando a falsidade da suposta carta testamento, era possível armar um novo contra-ataque. A operação para prender a cúpula do Estado do Rio Negro já estava em andamento. Dentro de duas horas, no máximo estariam sendo presos todos de uma vez. O presidente da Câmara, Romão Malheiros, ligado a essa turma e muito provavelmente um dos conspiradores, no meio da tarde já ficaria sabendo e tentando decifrar o significado daquilo tudo. 
   Mauro meditava sobre os próximos passos, quando Amélia chamou todos à sala de situação para assistir o noticiário: o senador da oposição Arthur Virillo entrara com uma ADIN junto ao Supremo, pela declaração de  impedimento do vice- presidente,  com pedido de liminar. Alegou “ impossibilidade biológica  do vice –presidente de exercer o cargo.”
   “ Filhos da puta, impossibilidade biológica; não podiam dizer mental porque ele esta lúcido e não podiam dizer física porque isso não é impedimento. O golpe está em marcha”, disse Mauro
   Na Tevê o narrador Bondas já dava como certa a concessão da  liminar, em virtude, “ infelizmente” do estado terminal do vice-presidente. “
   Além de tudo um cínico, observou Mauro.
   “Chamem o Professor Venâncio,” ele ordenou. “Reunião, já.”
   Rapidamente, Mauro e sua equipe analisam o novo lance da oposição: a ADIN junto ao supremo. Lima, Rodolfo e Venâncio concordaram na avaliação de  que os golpistas havia  envolvido juizes do supremo. Não duvidavam de que concedessem a liminar e em tempo recorde.
   “ É a senha para o Malheiros acelerar suas articulações,” diz Lima.” Talvez nesta altura já tenha apoio parlamentar amplo. E tão logo Malheiros seja eleito no Congresso, nomeará um novo ministro da justiça que na mesma hora destituirá o Mauro e enterrara todas as evidências do crime.”
    Mauro explica  que a operação no Rio Negro  deve deixar o Malheiros intrigado. O Azevedo conseguira plantar na imprensa a que a operação Rio Negro havia sido desencadeada por um grupo da PF ligado ao uma outra ala da oposição. 
  “Com isso ganhamos pelo menos um dia. Mas com essa ADIN, a  posse ao vice  já  não está mais garantido, mesmo que consigamos dar a posse,  pode ser de curta duração, afinal ele não está mesmo bem de saúde.”
   “A batalha principal é na mídia, não é na justiça nem no Congresso”, disse o professor Venâncio. 
   “ Sugiro que antes de prosseguirmos nesta reunião, seja feita uma checagem da nossa posição na Radiobrás e nas emissoras do Congresso. Se for necessário, designar interventores da nossa confiança. Felizmente os jornalistas que dirigem as emissoras do congresso são gente fina. Vamos tratar diretamente com eles  Devemos reagir como reagiu Brizola em 62. Vamos formar uma rede da legalidade. A partir da Radiobrás, formar uma rede com as emissoras educativas, universitárias  estaduais e municipais. Felizmente a Radiobrás já tem o mapa dessa rede, porque vem negociando com eles há meses a formação de uma grade de programação nacional.”
    O professor falava sem ser interrompido. Parecia estar, por alguns momentos, no comando:
    “Se  conseguirmos entrar em rede até às oito da noite de hoje, revelamos em rede nacional que o presidente foi assassinado, insinuamos que a crime só pode ter sido praticado por grupos políticos ou econômicos incomodados com a nossa política e com isso nós é que jogamos merda no ventilador.  Colocamos os golpistas na defensiva. Creio que também podemos contar, embora sem muita certeza, com duas redes de tevê menores, que se ressentem do monopólio da  Global. Temos que rachar o bloco oligárquico. E temos que começar a pensar em mobilizar o povo.”
   Mauro dava sinais de aprovação. Pediu a  Lima  que contatasse imediatamente  os Diretores da Tevê Câmara e Tevê Senado, passando por cima das mesas das casas. Ele mesmo ligou para o chefe da Secom, sob cuja autoridade estava a Radiobrás e passou-lhe a idéia da necessidade de uma rede nacional.
 
Fim da Quarta parte
Nos próximos capítulos: o recuo tático dos golpistas
 
 
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