Sistema e browser desconhecidos

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Agenda:

Mataram o presidente - Capitulo 5
 

 

Resumo dos capítulos anteriores: A mídia noticia que o presidente se suicidou,  mas o delegado Mauro da PF descobre que ele foi assassinado como parte de um golpe; enquanto a PF caça os assassinos, o núcleo duro da presidência organiza o ataque político ao golpe
 
 
Quinta Parte
 
    Na segunda reunião  do núcleo duro quem chegou atrasado foi o chefe da Secom. Entrou de cara feia, quando a conversa já avançara  vinte minutos. O delegado Mauro resumiu  o que já havia informado: a falsidade da carta testamento e o andamento da operação Rio Negro. 
 
  Estavam começando a analisar a ADIN da oposição junto ao Supremo contra  a posse do vice. A cerimônia de posse, disse Dagoberto,  o secretario da presidência, estava marcada para as dez da manhã seguinte, no Palácio. Preferiram perder algumas horas, para permitir que o vice saísse do hospital mais forte, de modo a reduzir o risco de uma recaída.
 
  O vice assumiria  a tempo de acompanhar o funeral do presidente assassinado já  como seu sucessor. A mídia dava o vice como morto, só faltando ser enterrado, mas  o velho era tenaz e o desfio da situação parece te- lo revigorado.
 
    O ministro chefe da casa civil explicou então que mesmo que o Supremo concedesse a liminar pedida pela oposição, não a daria  antes do prazo final, 14 horas do dia seguinte.  “Como você pode ter essa certeza?”, perguntaram vários ao mesmo tempo.  
   “ Foi uma negociação. Negociei com o presidente do Supremo. Primeiro confidenciei  a ele, como quem faz um favor, a extensão da operação Rio Negro, revelei, em segredo, que até o judiciário de lá esta comprometido. O ministro não é de lá, mas uma das noras  dele é. Tem gente da família dela a risco. “
   “Amoleceu ele”, comentou Mauro. 
   “Exato. Só depois entrei no assunto do vice. Argumentei que a Presidência precisava desse prazo para uma rodada de exames médicos que atestariam  com precisão o estado de saúde do vice. Sem esse  laudo médico, uma declaração de vacância pelo Supremo poderia ser vista como golpe. Ele concordou, com  entusiasmo que eu percebi exagerado. Tenho a certeza de que está no golpe  e entendeu o sentido da nossa operação Rio Negro.”
   “Atiramos num a acertamos em outro,” comentou Mauro. 
    O delegado passou a expor, resumidamente, as teses do professor Venâncio, de que era preciso formar imediatamente uma rede nacional de comunicação para se contrapor ao fogo golpista da grande mídia. Disse também  que na opinião do professor Venâncio, em algum momento próximo seria preciso haver mobilização popular.”
   O chefe da Secom então falou:
   “O Mauro já havia adiantado esse assunto a mim e ao Dagoberto. Eu concordo totalmente com a avaliação do professor Venâncio. Lamentavelmente tive que tomar uma decisão drástica; acabei de  demitir o presidente da Radiobrás e já nomeei um novo presidente, da minha total confiança e com a incumbência de formar imediatamente essa rede. O Dagoberto acelerou os trâmites. O novo presidente da Radiobrás é o Bento Guido, da tevê Senado, que vocês devem conhecer.”
   “Mas Fushekin, o que houve com o  Baccio, afinal ele não é dos nossos? Isso não vai atrasar tudo, vem um cara de fora que não conhece o terreno, até se familiarizar...”
   “ O idiota do Baccio disse que não acredita em golpe midiático, alegou que isso é teoria conspirativa...nem esperei ele terminar; eu já estava descontente com ele desde que armou aquele seminário para acabar com a voz do Brasil; armou de combinação com essa mesma mídia que agora nos quer derrubar...incrível, um sujeito tão culto, antigo companheiro da Labelau...claro isso vai atrasar um pouco mas é melhor assim, mesmo porque o Bento entendeu que é uma guerra e já armou o QG dele..”
    O ministro da casa civil pergunta:
“ Você acha que dá para entrar  com a rede logo depois da Voz do Brasil?”
   “A idéia é essa.  Vai ser uma guerra entre duas redes, porque  a mídia golpista já está praticamente em rede de desde esta manhã; não falam todos a mesma coisa?”
     “Você disse isso ao Baccio?” ,perguntou o ministro das finanças.” 
     “ Esqueça o Baccio. Já era. O Bento já assumiu, já está dando à Radiobrás uma orientação nova. Primeiro, vamos convocar uma rede nacional obrigatória de rádio e Tevê, para um pronunciamento  de grande importância. Entramos com o ministro da Justiça revelando que o presidente foi assassinado, e ai ninguém mais nos segura. “
    Diz o chefe da Casa Civil: 
    “ Eu vou alertar o pessoal do partido, o MST e as centrais sindicais. Estou desconfiado que a partir desse anunciou, hoje à noite vai começar a etapa de botar o povo na rua. É bom irem reservando os ônibus; vamos encher a Esplanada...”
    Encerraram a reunião acertando ponteiros: Dagoberto,  Mauro e o Ministro da Justiça preparariam o pronunciamento oficial para depois da Hora do Brasil. O Bento já mandara montar o cenário de gravação, na sala nobre do Palácio. Marcaram nova reunião para as dez da noite, depois dos primeiros efeitos da entrada da rede em operação e do Jornal Nacional.
 
  E assim foi feito. Às oito da noite, em rede nacional, o país ficou sabendo que o presidente não se suicidara. Fora assassinado. 
 
   O núcleo duro reuniu-se logo depois. Dessa vez foram todos pontuais. O chefe da Secom abriu com uma análise sucinta do quadro político. Avaliou que a operação Rio Negro mais a revelação  de que o presidente fora assassinado haviam forçado os golpistas a re-avaliarem seus  movimentos, o que não era necessariamente uma noticia tranqüilizadora, pois poderiam tentar acelerar o golpe, para evitar que as investigações prosseguissem. Por isso foi importante o susto dado no presidente do Supremo.
 
   Quanto à mídia, o chefe da Secom, munido de suas sinopses, revelou que a maioria  dos  âncoras, inclusive o sistema Global, lançava suspeição sobre as  revelações feitas em cadeia nacional pelo delegado Mauro e davam os microfones invariavelmente a políticos de oposição, que passaram a exigir um acompanhamento independente do inquérito.  Um grupo menor de âncoras aventava a hipótese de que ao assassino era das fileiras do próprio governo. Citavam o assassinato do prefeito de Santo Amaro como precedente. Referiam-se ao partido do governo como “ bando criminoso.” Ou  seja, concluiu o chefe da Secom”  deu-se um acirramento de discurso, além da tática de confundir, que já esperávamos.”
 
   Houve concordância geral com o diagnóstico. 
 
   Em seguida o secretario Dagoberto deu um informe da situação entre os militares, esclarecendo que fora produzido pela Abin a seu pedido. O informe corroborava a avaliação de que a cúpula militar insistia na legalidade, de outro modo em vez de limparem seu nome, o manchariam ainda mais. 
    “Mas a Abin detectou a existência de um grupo de oficiais reformados, cadetes entre 63 e 66, que se reúne regularmente e produz um boletim em linguagem virulenta anti- governo, em especial contra as propostas de abertura de arquivos da ditadura.”
    Percebendo a ansiedade, o secretario acrescentou:
   “A Abin esta monitorando o grupo. Não há indícios de participação no golpe, embora tenham  marcado uma reunião para amanhã; talvez queiram se aproveitar da confusão.” 
   Mauro resumiu o que já sabia sobre o assassinato. Estavam naquele momento peneirando a lista de suspeitos. Quando aos mandantes, ao cérebro da articulação e até mesmo aos motivos mais específicos, estavam ainda no escuro. 
   Decidem mobilizar o máximo de povo  para o funeral do presidente na esplanada dos ministérios. Uma precaução, caso fosse preciso pressionar o Congresso ou o Supremo. Encerraram rapidamente a reunião, saindo todos num único carro, exceto o delegado Mauro que saiu no seu.
 
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