Sistema e browser desconhecidos

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Agenda:

Mataram o presidente - Capitulo 6
 

 

Resumo dos capítulos anteriores: Depois do Ministro da Justiça revelar em rede nacional que o  presidente não se suicidara e sim fora assassinado, a mídia passou a insinuar que assassino veio das próprias fileiras do governo. 
 
 
Sexta Parte
 
 
    A pedido do professor Venâncio Leme, o chefe da Secom montara durante a tarde  uma equipe de dez pessoas para acompanhar em tempo real o noticiário da Tevê, do rádio e da internet. 
 
    Valendo-se de um software especial de análise de discurso criado  pela UnB, capaz de identificar diminutas variações no processo de criação de sentidos, o professor Venâncio  tentava identificar as vozes líderes do discurso midiático, as que sinalizavam mudanças de tom, de tema ou de abordagem, seguidas depois pelo resto da mídia.
 
   Logo ficou claro que o enunciador mor  era sempre o âncora da Central Brasileira de Rádio, a CBR, Carlos Roberto Alembert. Ele dava a deixa, o resto da mídia repetia, como o refrão de num coro de tragédia grega.  
 
  O professor ficou impressionado com  sincronismo. Todos mudavam ao mesmo tempo, logo depois do  âncora da CBR sinalizar, como se já estivessem de sobre-aviso.  Para sua surpresa, o âncora do Jornal Nacional, Bones apenas seguia a orientação, não a liderava. Tinha, no entanto, a função especial de massificar as mensagens, explicou o professor.
 
   A partir da identificação do enunciador do discurso golpista, ficou mais fácil descobrir seus possíveis idealizadores, entre as personalidades mais entrevistadas pelo Carlos Roberto.
 
    A principal era uma executiva  bonitona, magra e alta, de cabelos negros abundantes de fala ferina a gestos  vigorosos, Jafite Brotas,  presidente da Federação Brasileira dos Jornais Diários.
 
   Venâncio passara suas conclusões ao Mauro. O delegado mandou  seu pessoal em São Paulo seguir a Jafite, descobrir com quem se encontrava. À sua equipe de Brasília mandou grampear os telefones dela. Sem mandado judicial? Perguntaram. “ Grampeia já, o mandado eu trago logo mais.” De fato conseguiu o mandado judicial quase em seguida, através do secretario Dagoberto.
 
    Duas horas depois já lia o primeiro relatório das  gravações do telefone da Jafite Brotas. A mulher é esperta mesmo, avalia Mauro, não diz nada ao telefone que a incrimine; só conversas banais, e esse jantar  no Clube Nacional, para tratar de negócios ...esse jantar ... ...quem é que vai fechar um negócio num dia desses? E só pode ser importante, para chamarem  o presidente do maior banco do país, o da segunda maior empresa de comunicação. Magno manda seu pessoal de São Paulo grampear a mesa reservada pela tal Jafie no restaurante do Clube Nacional. 
 
    O método mais simples, disse ele ao Jorge, seu auxiliar de confiança em São Paulo, era descobrir que mesa foi reservada,  não era difícil saber quando se aproximasse a hora do jantar. Bastava deixar nessa mesa um saleiro com o aparelhinho transmissor. Que alguém fosse lá antes a pretexto de alguma entrega e pegasse um saleiro, ou um paliteiro, para embutir o aparelho. Se não desse certo  digam que um ministro de Estado deve jantar lá de noite e vocês precisam fazer uma vistoria rápida de segurança.
 
   Por precaução, Mauro pediu ao ministro do patrimônio que mobilizasse  dois empresários do seu esquema em São Paulo, de total confiança,  para jantarem no restaurante do Clube Nacional. Alguém iria contata - los.  Esperava o retorno.
  Uma hora depois ele tinha o nome dos dois empresários. Instruiu O Jorge para muni-los com microfones ultra-sensíveis, direcionais, e  se sentarem em mesa próxima à dos amigos da Jafite, mas não próxima demais. Isso, sem negligenciar  da outra operação. Também pediu que as decupações das gravações fossem sendo feitas em tempo real.
 
   Às sete da manhã do dia seguinte, no Bom Dia Brasil o comentarista Lixando Garça insistia que o presidente fora assassinado por causa de uma  disputa interna. Quem mais poderia  ter entrado nos aposentos residência, senão alguém de sua própria entourage? Dizia ele, persuasivo.
 
   Logo, logo saberemos quem mais, resmungou Mauro, enquanto se sentava para ler a decupação da gravação do jantar, que já estava sobre sua mesa.. Havia também algumas fotos e um relatório descrevendo o jantar, que ele separou para ler depois.
   
Decupação reservada  OM/SP/001
 
Jantar no Clube Nacional. Inicio  21 horas, término às 22h30. Cinco nominados, mesa redonda no ultimo reservado próximo à parede dos fundos. Pouca gente no restaurante. Silencio facilita gravações. 
Posições dos nominados no sentido dos ponteiros do relógio: Jafite Brotas presidente da Federação Brasileira dos Jornais Diários, Vitório Cidade, dono do grupo Maio de comunicação, José Meirinho, dono da Rede Global,  o banqueiro Gustavo Pituba, do conglomerado financeiro IAU, um senhor não identificado, de cerca de 50 anos, branco.
Siglas adotadas na decupação: J (Jafite), V (Vitório) M (Meirinho), P (Pituba) S( senhor não identificado; 
 
J – O que vocês estão achando... viram a tal rede?
P - Temos que analisar, ponderar...o Malheiros recomenda um recúo tático, um dia ou dois...é o que estou sabendo...
V-   Esse Malheiros é um frouxo,temos que insistir que foram eles mesmo que cometeram esse crime...quero ver provarem o contrário...é só todo mundo dizer isso, repetir, repetir, enquanto isso emplacamos o Malheiros e se esse canalha der para trás, emplacamos outro, de confiança,o presidente do Senado não é bom, emplacamos o presidente do Supremo...
P - Calma Vitório, saboreie esse filé, o Malheiros pode ser canalha, mas não é bobo..ao contrário...ele estranhou essa operação Rio Negro...acusa gente nossa na PF de traição...
M-    Eu  penso que é  prudente recuar, dar um tempo...
V-    Vocês são todos uns frouxos..
P-     Calma Vitório, calma...
J-      Eu estou preocupada com o leilão, está marcado para a sexta, temos quatro dias. Se o leilão acontecer e for o sucesso que estão dizendo, a Petrobras vai ser a segunda maior empresa petrolífera do mundo, estão falando numa capitalização de mais de 100 bilhões...imaginaram uma empresa dessas, e detendo as reservas do pré- sal., não podemos permitir, não vamos recuar  só porque houve  um deslize....
M – De nossa parte,  estamos dando tudo, mas eu estou informado que eles vão botar gente na rua, eu temo pelos meus jornalistas, meus equipamentos, embora é claro isso seja secundário, mas não é o que havia sido combinado, era para emplacar a tese do suicídio, e agora vem essa bomba da PF..tipo da coisa que mexe com as pessoas...tenho medo do que vai acontecer amanhã, nas ruas
S – Senhora Jafite, não seria melhor a senhora viajar, atender algum compromisso no exterior...
J-   Já providenciei, parto manhã à noite para Madrid, vou a um encontro internacional ombudsman, vou no lugar do ombudsman do jornal.....
S-  E essa história da PF, de um revolver de empunhadora curta, que era impossível ser suicídio, uma burrice...
P-  Nada de detalhes, ninguém aqui está querendo saber...
J-  Isso mesmo, nada de detalhes. Mas não se preocupem. Eu, pensando bem vou ter que me retirar antes, tenho que fazer mala, preparar muita coisa...boa noite a todos...
Ruídos de cadeiras se afastando, intervalo de 20 segundos de silêncio...
P-  O que vocês acham...
V-  Está bem, vamos seguir o que diz o Malheiros, um dia, no máximo dois...mas na minha revista eu vou soltar os cachorros, já dei ordem para provarem que se houve crime foi gente deles...vamos revirar de novo o caso de Santo Amaro... o caso das Farc... . 
M-   Você tem sorte, Vitorio, que revista não dá para depredar...
  Magno lê o resto da decupação sem muito interesse. Passa ao relatório dos dois  empresários que se dispuseram a ajudar. Dizem que não conseguiram ouvir praticamente nada, mas  identificaram o quinto homem na mesa, muito conhecido nos meios empresariais como representante no Brasil do grupo Britanic Petroleum/Shall, um tal de Peter  Sullivan, um inglês ou escocês.
 
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