Sistema e browser desconhecidos

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Mataram o presidente - Capitulo 7
 

 

Resumo dos capítulos anteriores: a partir de uma análise do discurso da mídia, o delegado Mauro, da Policia Federal, identificou os articuladores do assassinato do Presidente da República.
 
 
Sétima parte
 
    O delegado Mauro convocara reunião da sua equipe para as 8h30. Estavam  todos, menos o professor Venâncio, que acompanhara o noticiário até depois da meia noite e fora dormir muito tarde. Mauro distribuiu cópias da transcrição do jantar dos conspiradores no Clube Nacional e deu cinco minutos para que todos lessem. Depois perguntou: 
   “Então,  o que vocês concluem? Vamos ver se bate com o que eu penso.
    Rodolfo é o primeiro a falar:
     “Não há dúvidas de que a operadora é essa Jafite, aliás um mulheraço, vocês já viram ela de perto?”
      “Uma potranca, como se diz,” concorda  Lima.
     Rodolfo continua:
      “Nós já desconfiávamos pela análise do professor Venâncio que a mídia estava metida nessa conspiração até o pescoço. A transcrição prova isso. Também fica claro que há um esquema aqui em Brasília. Temos que chegar a esse esquema para a elucidação do crime; saber aquém apertou o gatilho, quem ajudou, como o revólver entrou no Palácio.”
      “ E saber se a mesma pessoa que atirou deixou a falsa carta testamento em cima da criado-mudo, ou se foram dois.” diz Lima“
    “Também está claro que havia um motivo específico além dos de sempre, o leilão das ações da Petrobras e o controle do pré-sal,” diz o Azevedo.
    “Sim, tinha que ser alguma coisa muito grande, capaz de aglutinar esses filhos da puta, que afinal também são concorrentes entre si,” diz Rodolfo.
      “O aglutinador pode ser o gringo, o Peter Sullivan...esse que fala pouco.... o que vocês acham ?” perguntou Mauro
       Quem responde é o Rodolfo:.
     “ Sim e não, eu deduzo da conversa que o avalista de tudo é o banqueiro; notem que é ele quem dá a última palavra; além disso, ele é que conhece o terreno, o país, enquanto o gringo , até por não ser brasileiro, mesmo que tenha dado a idéia extrema de matar, é o oportunista, é como um forasteiro atraído pelo tesouro; pensava que isso aqui ainda era uma republica bananeira, era fácil, descobre que complicou e só está preocupado agora com a segurança...mas não há duvidas de que a operadora é a Jafite...”.
     “Perfeito, mais alguma coisa?” pergunta Mauro.
     Ninguém responde.
     “Então, proponho o  seguinte: um, pedir com urgência os registros telefônicos das ligações da Jafite, e desse Peter Sullivan nos últimos trinta dias; isso pode nos levar aos seus comparsas  aqui no Palácio; dois – levantar se a Jafite visitou alguém no Palácio, no Congresso e no Supremo nos últimos trinta dias. Rodolfo cuide de tudo isso, se precisar chame mais gente de confiança. Também passe um fax ao pessoal dos aeroportos, para obstar o embarque dessa Jafite e do Sullivan.“
   Mauro dissolve a reunião; antes avisa que está para chegar um informe sobre o  origem do buldoguinho, o revólver usado para assassinar o presidente. A balística confirmou que as balas saíram mesmo do buldoguinho, derrubando de vez a tese do suicídio, já que o presidente não poderia ter acionado um revolver de cano tão curto sem a ajuda da mão esquerda, que ficara debaixo da coberta.
   “Sabe o que eu desconfio,  Rodolfo? Desconfio que tinha que ser um revolver diminuto para passar despercebido na detecção, você põe num estojinho pequeno e na hora de passar pela máquina, coloca na lateral, como se faz com o celular , e depois pega do outro lado, sem passar pelo raio X e o segurança vê você fazer isso e acha normal.”
    “Faz sentido, mas pode ter entrado de outra foram também..” 
     Por orientação do professor Venâncio, a rede de radio e  Tevê encabeçada pela Radiobrás não adotara o nome de rede da legalidade. Ele argumentou que o nome  despertava associações negativas no meio militar. Afinal, em 1961 Brizola enfrentou os  militares e os derrotou. Foi adotado o nome de “rede cívica.” 
   Às nove horas da manhã, também por sugestão do professor Venâncio, a rede cívica transmitira entrevista na qual o chefe da casa civil denunciou uma trama em andamento para  cancelar o leilão de capitalização da  Petrobrás, e revelou que a Policia Federal investigava a possível relação dessa trama com o assassinato do presidente. 
   O objetivo da entrevista era ganhar terreno entre os militares, que se consideram mentores da criação da Petrobrás. O grupo Ivai  e jornalistas de extrema direita, haviam induzido o  Clube Militar no Rio a montar um debate sobre “Governo e liberdade de imprensa,” visto por Venâncio como desdobramento perigoso. Lembrava de perto a “Republica do Galeão”, o inquérito paralelo instaurado pelos oficiais da aeronáutica  em 1954, fato determinante da decisão de Getulio de se matar. 
   A entrevista do chefe da casa civil foi tão bem sucedida, que às onze horas o Clube Militar anunciou o cancelamento do debate. Além disso, a entrevista estimulou o povo, que se aglomerava  na esplanada dos ministérios, despejado de ônibus, que não paravam de chegar, de Goiânia, do Norte, de Minas e do Sudeste. A esplanada fervilhava de gente.
  Todos queriam assistir a posse do vice e acompanhar o funeral do presidente assassinado. Vestiam camisetas da CUT, da CGT, da Força Sindical do MST e da UNE. Vinham também estudantes  de cara pintada de verde – amarelo,  Pipocavam bandeiras brancas e vermelhas. Até o PSTU, que antes  acusara o governo de subserviente ao capital financeiro e ao agro-negócio, juntara-se à manifestação. 
    Num movimento espontâneo, embora  provocado pela transmissões da rede Global que parecia torcer pela ADIN da oposição que pedia a  vacância do vice, a multidão começou a convergir para a ponta direita da esplanada, onde se encontra a Supremo. Gritos de “abaixo a ADIN golpista”, ecoavam no  plenário do tribunal.
    Mas o presidente do Supremo, fiel ao compromisso com o secretário Dagoberto, mais ainda agora que se revelou  a trama do assassinato, indeferira o pedido de liminar da ADIN. E com a posse do vice, prevista para logo mais, o pedido ficaria prejudicado em definitivo.
      Às onze horas, pontualmente, no Palácio do Planalto, presentes os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal, todos os ministros e o corpo diplomático, tomou posse e prestou juramento o vice- presidente. A cerimônia, transmitida por grandes telões instalados pela Radiobrás na esplanada, acalmou por um bom tempo a multidão. Mas ao meio dia, terminada a cerimônia, começou o quebra - quebra dos  carros de reportagem. Primeiro atacaram os carros da Global, que insistia em atribuir o assassinato ao partido do presidente; depois atacaram as demais redes.  
    O quebra-quebra ainda estava em curso, quando o novo presidente dirigiu-se ao país pela rede cívica, pedindo calma e proclamando suas diretrizes de governo. Reafirmou todos os compromissos assumidos com o presidente morto durante a campanha, em especial a manutenção dos programas mais combatidos pelos conservadores, o bolsa família, o minha casa meu sonho, e o Prouni; disse que estava mantido todo o ministério, e que ele apenas teria um outro secretario particular, mantendo no  entanto a colaboração  do secretario do presidente morto
    Terminou dizendo que estava mantido o leilão das ações para a capitalização da  Petrobrás e confirmou que um inquérito rigoroso estava apurando as conexões do crime com interesses anti-nacionais. À medida que falava primeiro pausadamente, depois em ritmo mais balanceado e como mais vigor, o novo presidente foi demonstrando uma notável vitalidade, para quem era dado há uma semana como moribundo. Pareceu a todos que o poder o havia curado, ou pelo menos regenerado.
 
Fim da sétima parte.
Próximos capítulos: o cerco aos conspiradores 
 
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