Sistema e browser desconhecidos

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Agenda:

Mataram o presidente - Capitulo 8
 

 

Resumo dos capítulos anteriores: a partir dos  mentores do assassinato do presidente, o delegado Mauro chega aos  executantes.
 
 
Oitava Parte
Juntando as peças do quebra-cabeças 
 
   Da reunião com sua equipe  Mauro fora direto ao Palácio, organizar com o secretario Dagoberto, uma lista de quem poderia ter tido acesso à letra manuscrita do presidente nos últimos dias ou semanas. Assistiram juntos, logo depois,  a cerimônia de posse do vice- presidente. 
 
   De volta à sala de situação na Polícia Federal, Mauro  analisou as listagens dos telefonemas dados por Jafite e por Sullivan, que estavam sobre a sua mesa. Rodolfo já havia destacado em amarelo dois números que se repetiam bastante, ambos de Brasília. 
 
   Um deles, Rodolfo já havia pesquisado, era de um policial da PF lotado no almoxarifado, de nome João Batista. Anexa, a sua ficha: há 28 anos na PF, faltando dois anos para se aposentar, uma sindicância, cinco anos antes, por suspeita de grampear ilegalmente aparelhos de telefone a serviço de terceiros, engavetada por falta de provas. À mão, Rodolfo acrescentou: discreto: “ ligado à turma do Puma.”
   Mauro chamou o Rodolfo:
  “ Agora Rodolfo, peça a listagem das ligações que esse João Batista fez do seu telefone e do telefone do serviço dele no almoxarifado, se lá existir linha direta. Peça dos últimos trinta dias. Acho que aqui tem coisa. O que a Jafite tinha a ver com um tipo desses?”
  O segundo número muito repetido de telefonemas dados por Jafite  era, segundo Rodolfo, do chefe do cerimonial da Presidência da República, Hernany Couto da Silveira, funcionário de carreira  do Itamaraty com  grau de Conselheiro.Interessante, refletiu Mauro, pode não ser nada, mera rotina, ligar para o cerimonial, mas pode ser quente.
   Hernany Couto da Silveira já  constava das duas listas preparadas por Mauro e Dagoberto naquela manhã: a dos funcionários do Palácio com acesso à letra manuscrita do presidente e a dos que tinham conhecimento detalhado da agenda presidencial.Um bom candidato a suspeito, decidiu Mauro. 
 
   Dagoberto descrevera Hernany como  um tipo insinuante que, embora herdado do governo anterior, nos últimos meses havia conseguido ocupar posição central na equipe de apoio próxima ao presidente. Muito inseguro no trato com grã-finos e diplomatas, e cada vez mais solicitado pela comunidade internacional, o presidente  só se sentia seguro tendo o Hernany ao seu lado; não ia a lugar nenhum sem ele.
 
   “Peça a listagem das ligações desse Hernany também, tudo com urgência máxima,”  Mauro  disse a Rodolfo.
    Dois outros relatórios preparados por Rodolfo esperavam em cima da mesa: um deles era a informação que faltava sobre os cinegrafistas que haviam projetado o filme assistido pelo presidente e seus dois convidados, na noite do assassinato. Ambos eram cedidos pelo Ministério das Comunicações: Dionísio Chaves, o chefe de projeção e Antonio Gonçalves, o auxiliar. 
 
   As fichas de ambos traziam  endereços, telefones, números de RG e CPF mas  poucas informações adicionais. Dionísio tinha dez anos de serviço no ministério e Antonio oito. Antes, Dionísio fora durante cinco anos PM em Minas Gerais. Esse dado chamou a atenção de Mauro. A PM de Minas era mal-afamada, ele estava cansado de ler relatórios escabrosos sobre essa PM, essa e da Bahia, as piores. Por que será que esse Dionísio saiu da PM? especulou Mauro.
 
    O outro relatório tratava da origem do Buldoguinho, o revólver usado para matar o presidente. Apesar do esforço para obliterar o número de série, quase totalmente apagado, o laboratório de criminalística conseguiu identificar o revolver e traçar sua origem:  fora apreendido pela Polícia Federal há cinco anos no Aeroporto de Brasília, de um traficante da conexão Nigeriana. Dois anos depois foi incluído no lote PF/DF/109-03 de armas apreendidas, destinadas à destruição, dizia o relatório.
 
   Mauro raciocinava freneticamente. Claro que não foi destruído. Retiraram  esse buldoguinho e talvez outras armas do lote. Não é a primeira vez que  vendem esses revólveres por fora, e dão  baixa como tendo sido destruídos.
 
   Muita coincidência: os telefonemas  da Jafite a esse João Batista, ele lotado no almoxarifado, o buldoguinhos sai do almoxarifado supostamente para ser destruído, mas é desviado. Pode não ser nada, mas pode ser tudo. Vamos fritar esse João Batista. Vamos começar acusando-o de vender o revólver. Mas pode ser que seu envolvimento seja mais pesado. 
 
    Mauro mandou o Rodolfo deter o João Batista na carceragem da própria PF, sem dizer nada, por enquanto. E mudou a ordem em relação à Jafite, em vez de apenas impedir o  embarque, detê-la para averiguações. Na mesma hora telefonou ao Dagoberto pedindo um mandado de prisão preventiva contra Jafite Brotas, por suspeitas de participação no assassinato do presidente. As peças começavam a se encaixar. Mas insistiu com Dagoberto que todo o processo, por enquanto, corresse sob sigilo de justiça.
 
   Na carceragem, separado dos outros presos, o  policial da PF João Batista sentia frio. Já estava ali há três horas, sem saber  o. Nunca lhe acontecera isso antes, nem quando houve aquela maldita sindicância sobre o grampo. João Batista começou mentalmente a repassar todas as malandragens em que se metera nos ultimo meses, tentando descobrir  qual foi a que deu errado. Concluiu que só pode ter sido essa o repasse  do buldoguinho.e começou a ficar com muito medo.
 
   No final da tarde, Mauro recebeu as listagens dos telefonemas dados por João Batista. Ali estavam, além dos   número da Jafite, que ele já esperava, os do operador de cinema Dionísio Chávez, o ex-PM de Minas. Houve vários telefonemas a esse Dionísio  na semana que antecedeu o crime. Mauro mandou o Rodolfo prender imediatamente o operador de cinema e seu auxiliar.
 
   O delegado Mauro já tinha uma teoria de como o crime foi perpetrado: operador de cinema deve ter se escondido, na própria cabine, esperando que o presidente fosse dormir.  Deve ter transportado o revolver numa das caixinhas de DVD, nas quais levava os filmes a serem projetados, daí o tamanho escolhido.  Deve ter contado com a cumplicidade de alguém de dentro, talvez o chefe do cerimonial, ou o ajudante de ordens, para conduzi-lo ao leito do presidente no momento apropriado  e de alguém na portaria para falsificar o registro da hora da saída. Se foi assim, refletiu Mauro, espantado, bolaram  um esquema incrivelmente simples, necessitando poucos cúmplices e pouca encenação.
 
   Em reunião com Rodolfo, Lima e Azevedo, Mauro discutiu quem prensar primeiro, se o operador de cinema Dionísio ou o policial João Batista. Ou ainda o auxiliar do operador, Antonio Gonçalves que podia nem estar implicado, mas por isso mesmo poderia dar informações preciosas. 
   “ Eu tenho o palpite de que esse Gonçalves foi embora logo que terminou a  projeção, e o Dionísio inventou alguma desculpa para ficar um pouco mais, talvez dizendo que precisava checar a aparelhagem. Ele não precisava do Gonçalves e não era bom ter uma testemunha.”
   “Alguma indicação de que foi mesmo  assim?”, perguntou o Lima.Quem respondeu foi Rodolfo:
    “Os registros na portaria dizem que o Gonçalves saiu ás 23h15, o Dionísio ás  23h30. Mas a letra é diferente. Ora, entre 23h15 e 23h30 não houve mudança no plantão da portaria. O plantão só mudou à meia noite. Por que uma letra diferente? Por que o registro da saída a do Dionísio foi feito a posteriori, por quem entrou no turno da meia noite, um registro falso. Ele não saiu às 23h30, saiu depois da meia noite. Checamos a letra com registros posteriores das saídas do cozinheiro e a letra bate.
   “ Então o porteiro que entrou à meia noite também é cúmplice?”
   “ É  quase certo” disse Mauro. “Ou  o Dionísio inventou alguma história para falsear a hora da saída e o porteiro  acreditou ingenuamente, mas acho isso difícil. Já mandei levantar o ficha do porteiro também,e  da chefia da portaria.”     
    “Então devíamos começar pelo auxiliar, o Gonçalves,” sugeriu Lima. “ Se ele não teve envolvimento, vai abrir mais fácil o que souber”
    “OK”, disse Mauro. ”Os  outros que fiquem na geladeira, sem se comunicarem; às oito começamos.”
 
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