Sistema e browser desconhecidos

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Mataram o presidente - Capitulo 9
 

Resumo dos capítulos anteriores: O delegado Mauro da Policia Federal descobre que a trama para assassinar o presidente tinha objetivos anti-nacionais e envolveu agentes em Brasília 

 
 
 
Nona e última parte
Justiça pela metade 
 
Mauro ligou para o plantão da Justiça Federal de Brasília e pediu a presença do Promotor Público mais qualificado, que estivesse disponível, para acompanhar o interrogatório dos suspeitos de participação no assassinato do presidente. 
 
   Por sugestão do novo presidente, recebida naquela manhã, durante sua posse, convidou também o senador Virillo, líder da oposição no Senado, o mesmo que havia entrado com a ADIN pedindo a declaração de incapacidade biológica do vice. 
 
  O presidente queria que a oposição acompanhasse o inquérito e tinha certeza de que Virillo, embora ultra-reacionário, nunca teria participado de uma conspiração dessa natureza, portanto sua presença não punha o inquérito em risco. Mauro concordou, sob uma condição: se sentisse necessidade, faria  interrogatórios sem a presença de Virillo.
 
   Na esplanada, naquele fim de tarde de horizontes queimados de sangue, uma multidão estimada em dois milhões de pessoas acompanhava o féretro do presidente morto. O ar, embora seco,  era de emoção profunda; uma catarse coletiva. Envolto na bandeira nacional e na de seu partido, o ataúde seguia no topo de um carro blindado do exército, em marcha lenta. 
 
   A opção pelo veiculo militar e não o do corpo de bombeiros também foi sugestão do professor Venâncio, para marcar  a adesão e o respeito das forças armadas pelo seu ex-comandante em chefe, covardemente assassinado. 
 
    Na passagem pelo grande mastro da bandeira nacional, erguido ainda ao tempo do regime militar para sobrepujar em altura a torres gemas do Congresso, foram disparados 12 tiros de salva militar.
 
    O cortejo seguiu depois  em direção à base aérea, de onde o corpo seguiria para São Paulo, atendendo o desejo da família do presidente de sepulta - lo em São Bernardo, onde jaziam vários de seus antigos companheiros de lutas sindicais e onde nasceu o movimento de trabalhadores que derrubou a ditadura.
 
    A multidão ora cantava o Hino Nacional, ora canções populares, de saudade e nostalgia. Vez por outra entoavam orações. Já perto da base cantaram o hino do Corinthians, o time do presidente. 
 
   Enquanto isso, na sala de interrogatórios da Policia Federal, o auxiliar de projeção Antonio Gonçalves nem precisou ser apertado. Revelou logo que o chefe de projeção Dionísio estivera muito  nervoso na noite do crime. E que alegou ter que mexer no equipamento, para não sair junto com ele. Ele estranhou porque sempre dava carona ao Dionísio. Disse que o Dionísio nunca  havia ficado até mais tarde, ao contrário, tinha sempre pressa de ir embora. Perguntado sobre um revólver, disse que não, não tinha visto nada. Não sabia nada de revolver. 
 
   Os interrogatórios eram conduzidos por  Mauro, mas assistidos por toda a equipe, mais o procurador, mais o senador Virillo. Os depoimentos eram  gravados em áudio e vídeo e ao mesmo tempo estenografados.
 
   Depois do Gonçalves, que foi liberado, Mauro chamou o   policial João Batista. Sua tática era a de juntar munição para encurralar o operador de cinema, provável autor do disparo. Ia deixa-lo para o fim.
 
   João Batista, policial antigo, negou der pés juntos  qualquer relação com o sumiço do buldoguinho. Alegou que embora fosse o encarregado, havia sistema de plantões, e nem sempre era ele quem controlava o serviço. Mas perdeu o sangue-frio quando Mauro perguntou que negócios ele tinha com Jafite Brotas. A principio tentou negar. Depois não teve como, confrontado com as listagens dos telefonemas. Balbuciou alguma coisa, depois parou. Permaneceu um meio minuto hirsuto, em silêncio, depois falou:
   “Eu quero  me valer da lei da delação premiada.”  
  Mauro já esperava por essa. Policial há muitos anos, esse João Batista sabia o que o esperava se não colaborasse, e já que era para colaborar, melhor pelo sistema da delação premiada. Afinal, ele podia dizer que não sabia de nada, apenas facilitara o revólver. 
     “Você forneceu o revólver?”
     “Sim.”
     “A  quem?
     “ Ao Dionísio, do Ministério  das Comunicações.
     “ A pedido da Jafite?
     “ Sim.”
   “ A pedido da senhora Jafite Brotas, presidente da Federação Brasileira de Jornais Diários?”
     Mauro fez a questão de repetir a pergunta, e citar os nomes por extenso, ao perceber o espanto a incredulidade do Senador Virillo.
 
     “E que mais, que mais a Jafite pediu?”
     “Nada,  só isso, ele disse que o Dionísio prestava segurança a ela quando vinha para Brasília..”
      “ Você  sabe que a delação premiada só vale se você disser a verdade e toda a verdade? perguntou Mauro.
    “Sei.”
      “E você quer me convencer que a Jafite te deu esses telefonemas todos por causa de um revolver de merda que ela podia conseguir em qualquer lugar...você mente descaradamente e ainda quer se valer da delação premiada...é melhor você se decidir.” Mauro acena ao promotor, que confirma sua fala.
   O policial titubeia. Todos o encaram com olhar de interrogação.
Mauro decide arriscar:
   “O Dionísio já  confessou tudo. Diz que foi você quem o indicou para a Judite.”
     “Mentira...”
     “Ele já está em regime de denuncia premiada...”
     “Mentira...”, balbuciou o policial, eu só forneci o  revólver, nem sabia para o que era...é um bico que a gente tem aqui...”
      Mauro mandou leva-lo de volta à cela.
    ”Pense bem; se  mudar de idéia nos chame.”
      O Operador de cinema, Dionísio subiu em estado de choque. Quando viu aquela mesa com quase uma dúzia de pessoas importantes, e reconheceu entre eles o senador, perdeu toda a pose. Mesmo assim, tentou negar envolvimento no crime.
     Foi então confrontado com o depoimento do seu auxiliar e as evidencias de que seu registro de saída era falso. Mas ele só amoleceu quando  foi confrontado com a listagens de telefonemas do policial João Batista.
    Nesse momento ele se desestruturou. Confessou o crime, atribuiu a culpa ao João Batista que  o convenceu que ia dar tudo certo e que era bom para o país. Depois desatou a chorar, dizendo-se arrependido, que foi induzido por cobiça, pelos 50 mil reais. Depois enxugou as lágrimas e contou tudo com detalhes.
 
     O revolver entrou  no Palácio dentro de uma caixinha de DVD.  O chefe do cerimonial o levou ao quarto do presidente, antes dando um jeito de tirar o ajudante de ordens da ante-sala. Deve ter sido ele quem colocou a falsa carta testamento no criado mudo, sobre isso ele nada sabia. 
 
   Ao sair da sede da Polícia Federal, o senador Virillo, que também era poeta e pertencia à Academia Brasileira de Letras, sentia um misto de nojo e vergonha. Nojo da oposição e vergonha por ter se ligado a ela. 
 
    Ao meio dia da quarta-feira, Mauro já havia esclarecido totalmente o crime. Foram indiciados como mandantes a  Jafite Brotas e o chefe do cerimonial  Hernany Couto e Silva; como cúmplices e executores o policial João Batista e o operador de cinema Dionísio Chavez. Todos foram denunciados também por formação de quadrilha.
 
   Mauro nunca pode denunciar os banqueiros e os  outros magnatas envolvidos na conspiração porque as gravações feitas no jantar do Clube Nacional não foram aceitas pela Promotoria por não terem sido autorizadas por um juiz .E sem essas gravações, não havia nenhuma prova legal contra eles . Além disso, a Jafite assumiu sozinha tudo.
   O presidente da Câmara, Malheiros mais uma vez soube se preservar e uma semana depois da posse do novo presidente, já era seu mais prestimoso interlocutor  na Câmara dos Deputados.
 
Mauro ganhou notoriedade, mas meses depois foi punido com afastamento de seis meses sem vencimentos. Um jornalista de renome, não se sabe se a serviço dos magnatas da mídia ou não, o acusou de violar a lei ao gravar sem autorização o jantar do Clube Nacional. 
 
 
--fim--
 
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