Sistema e browser desconhecidos

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Livros contra a ditadura.
 

   Se há livros que  fazem a história, não se limitando  relatá-la, há, obviamente, editoras que fazem história. Mas o que fica na nossa memória é o livro e seu autor, não a editora que o lançou. Como se as editoras fossem meras produtores de papel impresso, às quais o autor encomendou um determinado número de exemplares de seu livro. 

   Em sua investigação minuciosa e pioneira  da atividade editorial no Brasil no período de  dez anos em que se deu, a partir de 1974, a lenta agonia do regime militar, Flamarion Maués parte da acepção clássica das editoras como espaços próprios que conjugam autor, mercado, narrativa, estética, e projetos políticos de mudança, na melhor tradição da atividade editorial. 

  A partir desse enfoque e  apoiado em minuciosa pesquisa,  Flamarion Maués revela o engajamento na luta da sociedade civil contra a ditadura de cerca de 50 editoras, a maioria criadas nessa época outras já existente mas que mudam  de postura editorial. Ele as designa “editoras de oposição.”

   Muitas dessas editoras,  mostra Flamarion, constituíram-se também em espaços alternativos de militância política, da mesma forma que as redações dos jornais alternativos. Várias delas tinham ligações estreitas com partidos políticos clandestinos. 

  Embora lenta, a transição é rica de acontecimentos e tumultuada. Inicia-se com a crise do petróleo, que põe em cheque a legitimidade econômica da ditadura, e a eleição de 1974, que exaure sua legitimidade política, e só vai terminar dez anos depois, com primeira eleição direta para presidente.

   Nesse período foi promulgada a lei de Anistia,  voltaram exilados políticos, e saíram das prisões os presos políticos. Entre os livros memoráveis desse  tempo estão “A Ilha”,de Fernando Moraes, publicado pela Alfa Ômega em 1976, inicio do período de abertura, e  “O que é isso companheiros”, de Fernando Gabeira”, publicado em 1979 pela Codecri, a editora do O Pasquim. Também é notável, já no final desse período, como um livro que faz história,  o “Brasil: Tortura Nunca mais", da Editora Vozes. 

   Foram dezenas os livros publicados nesse período, de cunho político, desde  reedições dos clássicos  do marxismo, destinadas a repor, por assim dizer, as bibliotecas dilapidadas pelos  militares, até é testemunhos das torturas e sofrimentos sofridos nas prisões da ditadura, culminando com propostas de uma nova ordem política, democrática, em substituição ao regime ditatorial agonizante.

  Surge também nesse período, mostra Flamarion, uma nova prosa de ficção, com características próprias, uma modalidade de romance de resistência, assim como o memorialismo na literatura política, principalmente os diários de prisão, os relatos da repressão política, e de tortura. 

   Ao retomar de modo original  o estudo de um período crucial de nossa história, revelando o protagonismo insuspeito de editoras na luta contra a ditadura militar instaurada em 1964, quiçá esta obra  inspire estudos sobre   outros protagonismos desse período, cada vez mais distante e cada vez menos lembrado. 

 


 

Orelha para o livro "Livros contra a ditadura: A Editora Brasil Debates e a Dissidência do PCdoB" de Flamarion Maués. 2010.


 
     
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