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Correstrangeiros: como me tornei correspondente do The Guardian e outras histórias.
 

   The GuardianSó fui entender o prestígio do  The Guardian no mundo do jornalismo muitos  anos depois de me tornar correspondente do jornal, quando dei um curso na Michigan State University. O pequeno aviso na porta do professor que me convidou só dizia “Bernardo Kucinski foi correspondente do The Guardian no Brasil” Não falava nada dos muitos livros que escrevi, nem do meu título de Doutor em Comunicação, nada. Nem mesmo “ Professor da  USP”, expressão que no Brasil é uma verdadeira griffe.

   No entanto, foi por acidente que me tornei stringer do The Guardian. Um série de acidentes. Cheguei Londres em 1970, com uma mão na frente outra atrás, o manuscrito  de um livro denunciando as torturas ditadura militar escondido numa das malas da minha mulher, e a credencial de jornalista de um jornal alternativo, o Bondinho. De cara, deparei com uma reportagem de um tal Christopher Roper, no The Guardian elogiando o “milagre econômico”  do Delfim Netto. Escrevi uma carta indignada ao jornal e foi assim que tudo começou. 

   Eu não sabia que o Christopher  era um dos donos de uma newsletter  especializada em América Latina, chamada Latin America Political Report. Uma newsletter bem “quente” e simpática à luta contra as ditaduras que então dominavam Brasil, Argentina e Uruguai. Entre os donos, quase todos do The Guardian, estavam  John Rettie, o jornalista que primeiro descobriu e publicou o discurso do Kruschev  no XX Congresso sobre os crimes de Stalin, e  Richard Gott, idealizador da importante coleção da Penguim sobre as América Latina, que publicaria o manual da guerrilha urbana de Marighella.

   Incomodado com a minha carta, o tal Roper quis me conhecer. Conversa  vem conversa vai, acabou me convidando para colaborar com a newsletter. Pode escrever em português que nós traduzimos, disse ele.

    Semanas depois, escrevi minha primeira colaboração, em inglês. Acho que foi o furo de reportagem sobre a criação um banco multinacional em Londres, com a participação de um banco brasileiro. O  correspondente da revista Visão em Londres copiou essa matéria , o que me deu muito prestígio. Aliás, ele copiou sem dar o crédito, levando um pito do Roper. O importante é que decidi escrever em inglês, embora tão macarrônico que dava pena. Era mais fácil traduzir do português do que consertar aquele inglês. Mas hoje estou convencido que são tivesse começado a escrever em inglês naquele dia nunca teria me tornado stringer do The Guardian, South, Euromoney, Airline Business e outras publicações inglêsas e americanas.

    O inglês é uma língua muito difícil para brasileiros, mas muito forte, rica em expressões idiomáticas e sempre em transformação. E lexicamente  muito lógica, apesar do registro escrito de muitas palavras parecer coisa de disléxico. Cheguei à conclusão de que no inglês se  você pensa de  modo correto só há uma maneira correta  de escrever o que você pensou.  E não tem aquela brutal diferença entre a lingua falada e a linguagem escrita erudita.

    Voltei para o Brasil  quatro anos depois, já com emprego na Gazeta Mercantil e de quebra, como colaborador do Opinião e stringer  do Latin America Political Report. Uns dois anos depois deu-se então o segundo incidente. Um jornalzinho fascista chamado Expresso, que tentava imitar o estilo da aimprensa alternativa, publicou uma reportagem de página inteira acusando-me  de subversivo. Acompanhava uma charge de um Kucinski narigudo, ao estilo das caricaturas anti-semitas. 

   Estávamos num  período  decisivo da  ditadura, 1977. O “ milagre econômico”  desabava em meio à  crise do petróleo.  Era visível o esgotamento do regime militar, o que levara os setores militares mais comprometidos com a repressão a inventar novos inimigos e subversivos mesmo onde eles não existiam.  O contexto no qual  um ano e meio antes eles haviam prendido e assassinado o Wladmir Herzog.  Sentindo-me um tanto à perigo, apelei para os editores do newsletter e decidimos que a melhor proteção seria eu começar a aparecer como stringer do The Guardian, com matérias assinadas – já que na newsletter não se assinavam matérias.  E foi assim que me tornei correspondente do The Guardian. Como se fosse um favor do The Guardian, para me proteger. E esse sentimento, de que eles estavam fazendo um favor, acompanhou-me durante muitos anos.

  Hoje eu acho que eu é que estava fazendo um favor. Sofria demais para escrever em inglês, em especial quando tinha que falar de coisas simples do cotidiano. Faltavam-me as palavras. Além disso, tinha que correr contra o tempo ( três  horas de desvantagem), e se a matéria chegava lá depois das quatro, hora de Londres, não entrava. Brasil só entra se for para adiantar o fechamento ou se for golpe militar. O Brasil não tinha naquela época a importância estratégica que tem hoje.

   Para piorar tudo, a teletipista do Correio de Pinheiros era adepta da operação padrão. Além do teletipo ser uma máquina lenta, sempre havia dois ou três despachos na frente do meu para serem enviados.  Houve o tempo em que  alugamos um escritório na Sete de Abril -  eu, Patrick, alguns outros -, mas um dia, descobrimos que o garoto que levava as mensagens ficava zanzando horas antes de entregar no teletipo. 

   Hoje é  fácil. Você aperta um botão e lá vem o corretor do inglês. Aperta outro botão e a matéria já está na tela do editor, lá em Londres, ou em Nova York. Não precisa sair de casa.  Só nós, os veteranos, sabemos como era duro ser correspondene estrangeiro na era a.i. ( antes da internet).

   Lembro de um episódio em especial, quando o México decretou a moratória da dívida externa, em  82.  México Brasil e Argentina eram os três maiores devedores. Disse ao editor de economia que o Brasil ia ser o próximo a quebrar, na verdade já estava quebrado, só que o Delfim estava segurando a má notícia por causas das eleições em novembro. Nós estávamos em setembro.  O editor ficou doidinho, queria a matéria para o dia seguinte,  e,  matéria grande. 

   No dia seguinte eu vi que não ia dar tempo de jeito nenhum de passar aquela matéria gigantesca pelo teletipo. A solução, usada  naquele tempo apenas para   despanchos curtos, foi ditar a matéria por telefone, palavra por palavra. As telefonistas do The Guardian eram treinadas em taquigrafia , mas não em entender o inglês falado por um paulistano. Diferentemente dos americnaos, os ingleses não tem o ouvido treinado  para escutar a fala de um estrangeiro. Na  Inglaterra, se você por exemplo, põe o acento da palavra  “Trafalgar”  em “gar” , ninguem te entende. Tem que pôr o acento em “fá.” 

    Foi duro. Essa transmissão durou  horas.  Do lado de lá, o editor pulava  de ansiedade em volta da telefonista. E ela naquele inglês cockney: “What did you say dear?”.  Em compensação, foi a glória. No dia seguinte, lá estava a manchete "Blefe não vai salvar o Brasil.” Por causa dessa matéria o Alberto Tamer, correspondente do Estadão  que tinha uma fala num programa matutino do Joelmir Betting da Band, disse com todas as letras que eu “era membro de um grupo que trabalhava parada difamar o Brasil no exterior.” Notem que esta é terceira referência desabonadora aos jornalistas brasileiros que faço nesta pequena memória daqueles tempos. Vem mais, adiante. 

    Minha correpondência era diferente da dos outros correspondentes estrangeiros. Claro, tinha que ser, era um olhar mais brasileiro. A agenda deles era de índios, miséria, prostituição, favelas, destruição da Amazônia, corrupção, perseguições políticas. Temas importantes, mas muito marcados  por clichês do terceiro-mundismo. Ainda viviamos o restinho daquele período de certa maneira glorioso em que a América Latina  excitava o mundo como um lugar exótico. Um período que acho que começou com a revolução cubana e teve seu apogeu quando Gabriel Garcia Marques ganhou o Nobel com os Cem Anos de Solidão

   Os correspondentes realmente estrangeiros também escreviam muito sobre a economia. Mas davam pouca atenção à  política institucional e questões militares. Cobriam vez ou outra violações de direitos humanos pela ditadura, mas acho que só naqueles casos de expulsão de padres pelos militares a cobertura era mais forte. Acho que naquela época ainda de guerra fria, a denúncia das ditaduras latino-americanas não era tema popular na grande imprensa estrangeira. Aliás, o Chomsky escreveu verdadeiros tratados sobre a leniência do New York Times em relação às ditaduras da América Central e do Sul. Mesmo depois da derrubada de Allende, que chocou o mundo. É possível também que muitos correpondentes estrangeiros ou seus chefes lá fora não tivessem clareza sobre o tamanho do risco envolvido. É difícil denunciar abusos de uma ditadura quando você não sabe avaliar os riscos. 

   Lembro de quando um grupo de luta armada sequestrou o consul japonês em São Paulo para trocar por presos políticos e desembarcou aqui um bando de jornalistas japoneses. Eu e alguns outros correspondentes decidimos abordá-los para explicar o contexto daquele sequestro, os desaparecimentos políticos, o Doi-Codi, as torturas. Eles não quiseram nem saber.  Foi um desapontamento. 

   Eu  não me importava nem um pouco com índios  e com devastação da Amazônia. Acompanhava mais de perto o visível crescimento da insatisfação social, o surgimento das grandes greves do ABC, o agravamento da crise da dívida externa e da inflação; a luta intestina no meio militar entre geiselistas e linha dura. O surgimento do “braço clandestino”  da repressão.

  Por diferentes motivos, alguns trágicos, eu tinha então fontes militares, o que era muito raro. Nenhuma redação tinha, por exemplo, o Almanaque do Exército, livro básico de referência para se decifar o sentido político das promoções de militares e da composição do Alto Comando, que então mandava no país. O almanque podia ser comprado na livraria do Exército, no Rio de Janeiro, mas ninguém se lembrava disso.  Foi com basse nesse conhecimento que eu  relatei no The Guardian o primeiro golpe militar que teve Brasilia como palco. Aliás, um golpe virtual, ou palaciano,  sem o deslocamento de tropas: quando o ministro do exército,  General Sylvio Frota convocou os comandantes do  cinco exércitos para uma reunião em Brasilia que iria desbancar o presidente, Geisel se antecipou enviando emissarios à base aérea de Brasília, que  pegaram os generais do Alto Comando um por um e no momento do desembarque e os levaram para o Palácio presidencial, deixando Frota sozinho do  chamado “Forte Apache”, a sede do exército. A reunião convocada por Frota para destuituir Geisel, virou uma reunião que destituiu Frota. Pela primeria vez no Brasil, disse eu  na matéria, não é o comandante do Exército que demite o presidente, é o presidente que demite o comandante do Exército. 

  Em julho de 1981 mandei o furo sobre o envio de urânio do Brasil ao Iraque, que acabou provocando o rompimento das relações entre Brasil e Israel. A fonte era militar e a confirmação, obtive de físicos, que eu conhecia dos meus tempos  de estudante de Física. Mas os coleguinhas brasileiros , por inveja ou governismo, acusaram-me de ter recebido a informação do Mossad e que era falsa. O Brasil não tinha capacidade de enriquecer urânio, foi o argumento do governo. Um argumento falacioso porque meu despacho dizia claramente que se tratava de urânio quimicamente puro e não de urânio enriquecido. Eu até citava um físico que especulava para que podia servir esse tipo de urânio, já que ainda não era enriquecido.

  Fui salvo pelo Estadão, que alguns dias depois publicou uma ampla reportagem com fotografia e tudo confirmando a história. Mesmo assim, o Estadão não me deu o crédito, suponho que para não ser acusado de "também”  ter sido usado pelo Mosssad.  Vários  jornalistas  brasileiros gastaram as solas de seus sapatos  atrás de pistas que pudessem  me caracterizar como agente do Mossad, enquanto eu conseguia mais e mais fontes que corroboravam  a históriada remessa do urânio, inclusive do Rômulo Pieroni, que comandou parte da opeação como Diretor do  IPEN. 

   Desde esse  episódio perdi o respeito pela maioria dos colegas brasileiros. Lembro sempre daquela frase de Orwell sobre um agente do Comintern que tinha como tarefa difamar os anarquistas na Guerra da Espanha: “ Esse sujeito e os jornalistas são as únicas pessoas que conheço pagas para mentir.” E nunca mais organizei as open-houses em que convidada uma centena de jornalistas amigos a  passarem o domingo em minha casa, para comemorar  meu aniversário e o de meus dois filhos. 

    O correspondente estrangeiro obviamente tem como primeira e mais regular fonte de informação, a imprensa local. Muitos correspondentes estrangeiros demoram a perceber que a nossa imprensa local não é confiável, não pode servir de base para despachos a uma imprensa internacional  dotada de um padrão superior de precisão, contextualização e análise. Se era assim na época da ditadura, em que os jornalistas  tinham algumas causas nobres em comum e havia uma imprensa alternativa de oposição, ficou pior agora, quando a maioria dos quadros veteranos ou saiu das redações ou aderiu ao discurso único do neo-liberalismo, e o reportariado é formado por jovens com pouco ou nenhum conhecimento da história recente. Digo isso com pesar, porque muitos deles foram meus alunos. Felizmente esse quadro começa a mudar, mas vai levar uns anos até que isso se manifeste numa mudança de  qualidade do nosso jornalismo. 

   Eu tive a sorte de me tornar jornalista numa das eras de apogeu do jornalismo escrito: a era do Watergate, das reportagens de Basil Davidson sobre as guerras de libertação na África. VEJA tinha acabado de surgir, dirigida por Mino Carta, não era esse lixo que se vê hoje. Em VEJA publicamos duas capas memoráveis denunciando as torturas no Brasil , em pleno governo do  General Médici. Depois veio o grande projeto de jornalismo econômico da Gazeta Mercantil. Outro momento alto de nossa imprensa. Hoje essse jornal está nas mão de um especialista em comprar massas falidas. E ainda tinha o The Guardian,  e a imprensa alternativa, de que eu participava, Opinião, depois MovimentoEm Tempo. Durante todo o período em que fui stringer do The Guardian e de outros veículos estrangeiros, trabalhei também na imprensa local, principalmente jornais alternativos, Gazeta Mercantil e EXAME.

  Também tive sorte pessoalmente, nas minhas reportagens. Lembro de duas, em especial. A primeira sobre uns tais “empréstimos paralelos.” Pedido do Euromoney. Eles tinham ouvido cantar o galo, mas não sabiam aonde. Queriam uma reportagem. Eu também  não sabia nada. Mas naquela semana, por acaso, minha mulher cismou de visitar uma amiga que não via há  15 anos, e me arrastou junto, lá para os lados do Alto do Ipiranga. Chegamos. O marido, um japonês bonachão, mas com cara de deprimido, tinha acabado de se demitir do banco em que trabalhava, por estafa. “Essa  coisa complicada de empréstimos paralelos acabou comigo, cansei”, disse ele.. A partir disso só foi preciso um pouco de paciência e ele me deu o serviço todo, detalhe por detalhe. No fim disse que chega da bencos, agora ia criar rãs, no seu sítio. Não bastasse esse lance de sorte, dias depois, na cervejinha que tomávamos depois do karatê abordei um aluno novo, um rapaz jovem perguntando  porque ele decidira treinar karatê: Estafa, disse ele, para relaxar. Trabalhava no Citibank e estava estafado com os “empréstimos paralelos do banco. “ Esse me deu detalhes ainda mais preciosos. Datas, valores, mecanismos usados pelas empresas e o nome das empresas . O empréstimo paralelo basicamente era uma forma de mandar grandes somas de dólares para o exterior sem ter que passar pelo Banco Central ou pela Receita Federal. Como? A multinacional A , com sobra de caixa, fazia um empréstimo em moeda local aqui no Brasil à multinacional B, que estava com falta de caixa. Na Europa a matriz da empresa B fazia uma transferência equivalente em moeda de lá  à empresa A. As duas se acertavam nas taxas de juros das operações. Resolviam seus prolemas de investimento ou de remessa de lucros, sem ter que internar ou remeter dólares, bastando um contrato de gaveta intermediado por um banco.

  Outro lance incrível de sorte se deu quando a Airline Business  me pediu uma matéria sobre a privatização das Aerolíneas Argentinas. Cheguei em Buenos Aires e logo procurei o jornalista que colaborava de lá para o mesmo newslletter americano (Lagniappe Letter) para o qual eu então colaborava do Brasil. Ele me recebeu muito bem e quando falei do que estava atrás ele muito simplesmente abriu um armário atrás de sua escrivaninha, e disse: “Aqui usted tiene todo sobre Aerolineas.” E tinha mesmo. Inclusive um estudo de viabilidade econômica de sua privatização, encomendado se bem me recordo, pela Scandinavian Airlines. Foi ele quem havia feito o estudo. É ou não é um rabo muito grande?  

    Também tive meus azares. Acho que principal, recorrente, é em relação aos livros que escrevi. Um dele, que escrevi com Sue Branford, sobre o PT, descrito como partido que se definia por ume ética e não por uma ideologia ou uma dourina. Tive o ímpeto de queimá-o em praça pública. Depois me dei conta que quem escreve livros não queima livros. Os livros ambém são datados. Tem uma história. Outro livro, “Abertura, história  de uma crise”, tinha com base as  reportagens escritas para o The Guardian sobre as lutas operárias  que levaram à abertura, e a luta intestina que se seguiu no meio militar. É um livrinho bom, citado por alguns historiadores por suas revelações únicas. Mas a editora, do meu amigo Ozeas Duarte, faliu. Muitos exemplares foram vendidos a peso. Felizmente a e Editora Contexto lançou uma versão para-didática do mesmo livro, que está por ai, vendendo aos pouquinhos. O livro Ditadura da Dívida, que escrevi com Sue Branford, também morreu de ”morte da editora” a Brasiliense, que faliu. E assim por diante, o livro que denunciava torturas “Pau de Arara, a violência militar no Brasil" que escrevi com Italo Tronca, publicado em francês pela Maspero e depois em espanhol pela Siglo XXI., saiu dos catálogos porque fizemos a besteira de não colocar autoria, ou melhor,  pseudonimos. Foi rebaixado à condição de panfleto. 

   Se é verdade que me afastei de muitos de meus colegas brasileiros, as amizades com os jornalistas ingleses ficam para sempre: com Rettie, com Sue Branfcord, Moyra, Jan Rocha, Stanely, Patrick e tantos outros.  Correspondentes vem e vão.  Mas muitos acabam  fisgados  pelo Brasil, pelas brasileiras principalmente. E vão ficando. Ás vezes, para sempre. Alguns se tornam especialistas em aspectos do Brasil, superando os brasileiros.  Poucos conhecem o MST como Sue e Jan Rocha. Poucos conhecem o mercado de café como o Patrick. Onde os correspondentes falham muitas vezes é na economia, que acompanham intensamente, mas em geral  reproduzindo um senso comum da imprensa local que além de nem semrpe ser sensato, é formulado quase que somente pelos bancos. 

  Da política institucional falam pouco porque ela não é vista como importante, no que talvez tenham razão. Mas também por causa da insistência em tratar o Brasil como país do terceiro mundo, e não como uma potencia regional hoje com capacidade de influência em várias questões de importância  estratégica mundial, desde o combate ao narcotráfico, até o etanol, passando pela pirataria, luta contra a AIDS, negociações de DOHA, integração da América Latina, relações com Chávez e por ai a fora. Guardadas as proporções, é  como se os correspondentes brasileiros em Washington só falassem dos teenagers que desaparecem, da máfia, dos filhos de imigrantes que não vão à escola, dos trabalhadores clandestinos, da prostituição, e assim por diante. Tudo isso que tem aqui tem lá. Mas lá não é isso o que interessa a um corespondente estrangeiro. E com esse recado, talvez um tanto pretensioso, termino esse pequeno relato. 

 


 

In: O Brasil dos Correspondentes, Organiz. Jan Rocha e/o, São Paulo, Editora Mérito, 2008, pgs, 35-45.   www.meritoeditora.com.br


 
     
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Comentários: 1

Comentários:
- Reinaldo
Ė bom saber que temos verdadeiros jornalistas nesta nação capitalista.