Sistema e browser desconhecidos

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As mentiras da guerra
 

 

Os americanos anunciaram mais uma vez no início desta semana que haviam encontrado provas de produção de armas de destruição em massa no Iraque. Tratava-se de um furgão com vestígios de produção de agentes biológicos. Na terça-feira, a imprensa americana deu manchetes e fotos do furgão.

   Informou a agência Reuters:

   “ Exames preliminares do trailer indicam que ele pode ter sido um laboratório móvel de armas biológicas ou químicas, segundo um oficial.” 

    Na quarta, o tom já mudou. O trailer poderia ter sido usado no passado para a produção desses agentes.  Depois foi limpo pintado, de modo que é difícil haver vestígios. Hoje,  não falaram mais no assunto. Era verdade? Ou era mentira? 

   Sabemos que a mentira é também uma arma. A criança usa a mentira para se defender. Os generais usam a mentira para enganar o inimigo. Os ingleses sofisticaram o seu uso na segunda guerra mundial, tornando-se mestres no uso da dissimulação, das operações diversionistas, da disseminação de falsas informações para enganar o inimigo sobre suas verdadeira intenções.

   Tornaram-se clássicas  operações como a do “O homem que nunca existiu”, em que eles usaram o cadáver de um oficial inglês, devidamente municiado com documentos falsos e o jogaram na costa da Espanha, para convencer os alemães de que o desembarque da Normandia  não seria na Normandia.

   A notícia do furgão que teria sido usado na produção de armas de destruição em massa  foi a enésima vez desse tipo durante a ocupação do Iraque. Em todas, o mesmo padrão: os americanos anunciam a descoberta de possíveis sinais de produção de armas de destruição em massa, depois dizem que novos exames não confirmaram os primeiros, depois não falam mais no caso, até surgir o próximo caso.

   Também em outras frentes da ocupação, nota-se o mesmo padrão de uso quotidiano de informações falsas. A mais notória foi a notícia falsa de que o povo de Basra havia se sublevado contra o regime de Sadam Hussein logo que as  tropas ingleses se aproximaram da cidade. Havia sinais de sublevação, disse no início o oficial inglês. Depois disse que houve muita confusão e não dava para se saber direito o que aconteceu. Depois não disse mais nada.

   Assim como ainda não foram encontradas as armas de destruição em massa, nunca houve sublevação em Basra. Ao contrário, Basra resistiu aos invasores quase até a queda de Bagdá, três semanas depois. 

   Faz parte desse padrão de enganação, o fato de que a  cada dia havia uma nova mentira. É como se o estado maior americano tivesse criado um grupo especial com a incumbência de produzir a cada dia uma mentira. Para enganar o inimigo? Não. Para enganar a opinião pública, ocupando o espaço que os jornais teriam de outra forma dedicado a noticias verdadeiras, algumas delas desagradáveis. Por isso, era preciso ter uma mentira a dada dia. Porque os jornais fecham uma edição a cada dia. 

    Pode parecer que assim como existem bombas atômicas táticas, os americanos criaram as mentiras de guerra táticas. Mentiras para durar apenas dia. Mas a operação “mentira diária”,  tem também uma dimensão estratégica. Apesar de serem todas desmentidas, as notícias falsas definiram, por repetição, um mundo ideológico substitutivo do mundo real dos americanos como invasores e iraquianos como vítimas.

    Nesse mundo ideológico construído pela sucessão de mentiras, Sadam Hussein é um ditador brutal cuja localização é anunciada a cada dia e  desmentida no dia seguinte, e seus colaboradores um bando de criminosos com apelidos do tipo “Ali químico” ou a “ mulher do Antraz”, que se dedicavam furiosamente, como o Dr Silvana das histórias  em quadrinhos,  tão somente à produção de armas de destruição em massa. Até hoje não encontradas.

 

 
     
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