Sistema e browser desconhecidos

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Agenda:

A aposta da mídia no segundo turno.
 

 

As táticas e os motivos da operação  segundo turno” só foram revelados para a opinião pública depois de tudo feito e  acabado. Está na página dupla da Folha do dia da eleição, domingo sob o título auto-explicativo “ 18% ainda podem mudar de voto para presidente”. E como fazê-los mudar? Usando a mídia, como ensina Mauro Francisco Paulino, na mesma página: “A  mídia poderia impedir os indecisos de entrarem na onda Lula. “...”eleitores “passíveis de influência das ondas de repercussão do último debate, do noticiário noturno da TV, do direito de  respoista de Serra na noite de ontem, dos últimos resultados de pesquisa”. Está aí  a receita completa. E foi tudo usado para furar a onda Lula, exatamente do jeito que está descrito..

   Um dia antes do lançamento da operação, na quarta-feira  dia 2, o governo baixou a Medida Provisória que regulamenta a participação do capital estrangeiro na mídia. Era o sinal que os grandes grupos de mídia aguardavam ansiosamente. No dia seguinte,  circulou a edição especial da VEJA de aparência neutra mas de conteúdo anti- lulista,  induzindo o leitor a votar em Serra. VEJA saiu dois dias  antes do dia normal, sem nenhuma contecimento extraordinário que justificasse, nenhum ataque o World Trade Center, por exemplo. Pelo critério jornalístico, VEJA deveria tirar uma edição especial na segunda, com os resultados das urnas e não antes, ou adiar sua edição do domingo para a segunda, como fez  ÉPOCA.

   Na madrugada da quinta, depois do debate, uma mesa de analistas composta de tucanos, declarados ou enrustidos, concordava, por unanimidade, que Lula foi mal no debate e que haveria segundo turno. No sábado, comparando o dia-a-dia  de campanha dos quatro candidatos, o Jornal Nacional teve a ousadia de mostrar Lula entrando numa privada. Essa foi a seqüência mais marcante das muitas  manipulações.

    Juarez Quadros, o Ministro das Comunicações, justificou o uso de MP para regular capital estrangeiro na mídia,  em fim de mandato e na véspera do primeiro turno, alegando  ”relevância e urgência.” A MP favorece empresas jornalísticas empenhadas em fechar rapidamente negociações com grupos estrangeiros para escapar da crise. Nos meios financeiros e de mídia, circulava a informação de que a  MP foi  talhada de encomenda para facilitar a vida de dois grandes grupos de mídia a Editora Abril e a Globo. Especialmente a Globo, que só na última alta do dólar teria visto a sua dívida aumentar em mais de R$ 1 bilhão. 

  Houve acordo entre o governo e essas empresas, em torno da MP sobre capital estrangeiro? Houve relação com a operação “segundo turno”? Dessa vez, os incansáveis repórteres  investigativos preferiram descansar.Nem a  Folha tão moralista, foi a campo investigar. Mas a Folha fez a ilação na sua edição do dia seguinte. Mencionou a Editora  Abril e o grupo Globo, como diretamente interessados nessa MP porque já estavam negociando a participação com  grupos estrangeiros. O Ombudsman do jornal contestou o argumento do ministro na sua coluna deste  domingo : “Relevância e urgência para quem”? E cobrou a omissão dos jornalões. Apontou que os jornalões, sempre tão críticos ao uso de MPs, dessa vez foram só elogios.

   A Globo, nesta campanha, fez um grande esforço de neutralidade para apagar a memória da manipulação grosseira do debate Lula x Collor da campanha de 1989. O que acabou fazendo foi substituir a manipulação grosseira por uma muito sutil. Na comparação do dia-a-dia dos quatro candidatos,  Serra ganhou uma exposição recorde e bonita, em campanha própria e de novo  na companhia de Alckmin. A Lula só restaram cenas de suor e a sua constrangedora  espera na porta de uma privada de campanha. 

   Como noticiar o resultado do IBOPE, peça forte e exclusiva da  Globo, se o IBOPE dava crescimento de Lula de dois pontos na reta final, quase uma disparada? A solução foi  diluir a pesquisa IBOPE dando antes a pesquisa  Datafolha, que acusava queda de 1 ponto nos votos válidos a Lula a ainda a pesquisa Vox Populi, em que Lula não subia . Só depois o locutor anunciou rapidinho que no IBOPE Lula alcançava 50 % dos votos válidos logo se apessando a alertar; “mas é preciso mais que 50% para vencer no primeiro turno.” Mais quanto, cara pálida?


 
     
Index Enviar noticia por email clique aqui para imprimir a noticia
Comentários: 0

Comentários: