Sistema e browser desconhecidos

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A derrota do preconceito e o direito de sonhar.
 

Pela primeira vez na história do Brasil, uma pessoa oriunda das classes mais pobres pode se tornar Presidente da República. Se isso acontecer, terá sido principalmente graças à derrota do preconceito. Fátima Pacheco Jordão chama a atenção, no Estadão deste domingo, para uma pesquisa Vox Populi, que associou os candidatos a 14 atributos pessoais, entre os quais honestidade, preparo e capacidade para governar. Lula saiu-se melhor do que todos os outros candidatos, com 65% de aprovação, bem acima dos 49% de Serra, 45% de Ciro e 44% de Garotinho. Entre a primeira pesquisa desse tipo da Vox Populi, feita em julho e a de agora, Lula ganhou em média 5 pontos. Sua campanha não se desenvolveu em torno de divergências programáticas ou doutrinárias, e sim no cerco e finalmente na derrota do preconceito de que um brasileiro sem diploma não está preparado para governar.

   A tese de que  Lula  não estava preparado para governar foi disseminada pela mídia durante toda a campanha, ora ostensivamente ora sub-repticiamente. Tornou-se a principal arma dos adversários de Lula:  Serra, Ciro Gomes e de Garotinho. Os exemplos mais interessantes são os sub - reptícios,os subliminares. Ainda na edição deste domingo do Estadão, há dos exemplos: ao analisar propostas de candidatos para a cultura, o jornal critica lacunas de todos os programas, mas só quando se refere a Lula, prefere usar a expressão “confusão”. “Lula faz uma confusão entre o que seja uma política geral para o setor e o problema do financiamento.” Na mesma página, analisando as propostas para ciência, de novo: E o Lula fez uma confusão, supondo que patente é a atribuição das universidades.” Ora, a proposta da frente Lula Presidente para ciência foi formulada por um grupo de renomados cientistas, portanto mesmo se tivesse havido confusão, não foi de Lula. A intenção é passar a mensagem, subliminar, de que Lula é ignorante. Só os ignorantes fazem confusão. 

   Uma vitória contra o preconceito não é apenas de Lula, mas de grande parte do povo brasileiro. Esses milhões de eleitores, igualmente sem diploma e com pouca instrução formal, que antes não votavam em Lula, porque ele era “um trabalhador igual a você”

, agora passara a votar em Lula pelo mesmo motivo aparente, porque ele um trabalhador igual a eles. Deu-se uma mudança de mentalidade, a  aceitação pelo eleitor de  si mesmo como um ser de valor, com auto-estima e o direito de sonhar. 

   O sonho de Lula é o sonho de todos os brasileiros que nele votaram. O jornalismo brasileiro, incluindo o jornalismo alternativo,  deixou escapar essa grande história – felizmente registrada pelo repórter de campanha de Lula, Claudio Cerri. Quem matou a charada, antes ainda de Claudio Cerri, vejam só, foi a embaixadora americana no Brasil, quando disse logo ao chegar, que Lula corporificava no Brasil o que os americanos chamam de ” the american dream”, o direito que todo americano tem de sonhar, de ter um projeto, de querer ser alguém, seja qual for a sua origem, a sua etnia, a sua nacionalidade de berço. 

  Nos Estados Unidos da América do Norte, onde nasceu a democracia moderna, o direito de todo cidadão de sonhar, tem o mesmo estatuto do direito de todo cidadão de portar uma arma, de informar e ser informado.  “I have a dream", foi o refrão do famoso discurso de Mather Luther King, ao final da marcha dos negros americanos pelos direitos civis de 28 de agosto de 1963, chamada “Marcha  pelo Trabalho e Liberdade. Ele tocava, com esse refrão, no mais forte argumento dos negros pela igualdade de direitos. 

   A campanha de Lula  pelo direito de sonhar não foi acompanhada pela mídia brasileira, justamente porque ela própria era prisioneira do preconceito. O preconceito se alimenta do não conhecimento. Quando começou a pintar que o sonho poderia se tornar realidade, mas apenas então, surgiram algumas reportagens de um jornalismo perplexo que tentava entender o que estava acontecendo e o motivo pelo qual milhões de eleitores decidiram votar em Lula. Lourival Santana, no Estadão do dia 22 mostrou como os movimentos sociais esperam ansiosamente uma vitória  de Lula.  ÉPOCA daquela mesma semana foi pesquisar “Quem está com Lula na cabeça”, e descobriu que “o eleitor do PT tem perfil mais conservador, aprova a mudança de Lula.

 A reportagem diz que Lula, antes visto com as lentes do preconceito e por isso rejeitado,  agora emergia  como símbolo da mobilidade social por “superar barreiras com seu próprio talento”.  O novo eleitor que vota em Lula está passando por uma transformação psicológica na qual o  sentimento de subordinação é suplantado por em sentimento de orgulho.

 

 



 

4 Mote da primeira campanha de Lula, para governador do Estado de São Paulo, em 1982.

 

 

5 Referindo-se provavelmente à Carta ao Povo Brasileiro, na qual a coligação de Lula se condiciona as mudanças prometidas a um período de  ”lúcida e criteriosa  transição entre o que temos hoje e aquilo que a sociedade reivindica,”  e reafirma o “ compromisso histórico com o combate á inflação.”A Carta não abandona a proposta de acelerar o crescimento econômico e de buscar uma alternativa ao modelo vigente, mas foi entendida como  um grande acordo com o mercado financeiro que incluía compromissos não escritos entre os quais o de respeitar um autonomia de fato do Banco Central. 


 
     
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