Sistema e browser desconhecidos

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As mentiras sobre a energia nuclear
 

 

A TV Globo noticiou orgulhosa ontem à noite que as duas mais importantes entidades ecológicas do mundo apoiaram a proposta do governo brasileiro em Johannesburgo de se definirem metas obrigatórias para o uso de energia alternativa limpa. Mas nem a Greenpeace e nem a World Wide Fund sabiam, àquela altura, que esse mesmo governo acabava de decidir, naquele mesmo dia, pela retomada das obras da central nuclear Angra III.

   A energia nuclear é a mais  perigosa e mais criticada fonte alternativa de energia. E também a mais cara. A Globo devia saber da decisão do governo, porque a notícia  foi difundida ainda ontem pela Agência Estado. Saiu hoje no Estadão, num pé de página.

   As obras de Angra III estão paradas há mais de 20 anos, desde que uma série de desastres, inclusive deslocamentos de terra na Serra das Araras , mostraram que o local escolhido para a construção das usinas gêmeas alemãs,  Angra II e III era inadequado para fundações de uma usina. 

  Os índios já sabiam disso, tanto assim que o nome da praia de Itaorna, onde foram fincadas estacas, significa “pedra podre”, em guarani. Debaixo das areias bonitas, havia grandes matacões ou pedras que se mexiam como tempo. As estacas apoiadas nessas pedras também se mexeram e afetando os fundamentos da usina. Esses  foram apenas dois dos desastres, na incrível saga de erros das usinas nucleares de Angra. 

   A reportagem do Estadão de hoje não conta nada dessa história. É um puro press -release do governo .Também não questiona o porque da retomada agora, de obras que ficaram tanto tempo paradas. Nem mesmo se lembra de contrastar a decisão, com o anúncio feito apenas ha alguns dias, pelo candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, de que se ele vencer as eleições, não irá  construir nenhuma central nuclear.

    A matéria informa que serão retomadas por enquanto apenas obras civis “que precisam e feitas de qualquer forma.” Mas não explica porque precisam mesmo ser feitas , e ainda adianta uma desculpa:   “ Se o próximo governo decidir interromper o processo, o único custo serão essas obras civis, que estão orçadas em R$ 12 milhões.” 

   Se Lula fosse um candidato minoritário ainda se poderia aceitar a decisão do governo de retomar Angra III como legítima. Mas Lula é hoje o candidato com maior chance de ser o próximo presidente. E mais: ao rejeitar a alternativa da energia nuclear ele expressava não apenas sua opinião pessoal, mas a decisão do grupo de trabalho que  reunindo os  maiores especialistas brasileiros em energia no Instituto Cidadania, e que elaborou um projeto abrangente para a matriz energética brasileira, descartando a alternativa nuclear.

    Esse projeto foi incorporada pela Coligação Lula  Presidente como programa de governo. O “ não”  á energia nuclear é  um compromisso com as posições dos movimentos ecológicos mais avançados, e nesse sentido é um dos demarcadores da campanha de Lula. Portanto a decisão anunciada por FCH, tentando fazer da retomada de Angra III um fato consumado, nos estertores de seu governo, é uma demonstração de descaso apela democracia  do mesmo tipo que a exigência  do FMI  de que Lula se comprometa desde já a seguir as políticas monetárias de seu antecessor.

   O press release do governo que o Estadão publica como se fosse uma reportagem jornalística, dedica um longo parágrafo de elogio à Eletronuclear, por ter incorporado no projeto medidas de proteção ambiental e de segurança.    A propaganda da Eletronbuclear, travestida de  legitimidade jornalística, proclama  que 2% do orçamento da empresa  será dedicado a projetos ambientais na região. Essa é apenas uma maquiagem ecológica. Uma operação disfarce. Enquanto 2% do orçamento, totalmente dedutíveis dos impostos a pagar, são usados para plantar graminhas e florzinhas, uma gigantesco e perigoso depósito de rejeitos nucleares estará sendo armazenado em Angra, debaixo dessas mesmas graminhas e florzinhas

  O Estadão engoliu a mãe de todas as mentiras nucleares. A mentira sobre o lixo atômico. O último parágrafo do press- release  diz que os rejeitos nucleares devem  permanecer na região de Angra, o que permitirá uma solução mais segura e mais barata, até para evitar o transporte desse tipo de material.Tudo falácia. A verdade verdadeira é que até hoje não há uma solução definitiva para o problema do lixo nuclear, altamente letal e que leva milênios para decair. Por isso ele é deixado junto às usinas, em covas rasas, eternamente provisórias. Por isso que o Green Peace se opõe tão ferozmente à energia nuclear. 

   O risco da energia nuclear não é igual a outros. É de outra natureza.  A vida só veio a existir na terra milhões de anos depois que o plutônio decaiu totalmente. Angra III e seu lixo trazem o plutônio de volta á natureza e por isso são incompatíveis com a vida. O acidente do césio em  Goiânia já nos havia mostrado isso.


 
     
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