Sistema e browser desconhecidos

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Agenda:

Imprensa livre, mas debate cerceado
 

 

Na última sexta -feira, um dos mais importantes economistas brasileiros, Ibrahim Eris, propôs que o governo introduzisse de imediato algum tipo de controle sobre a remessa de dólares para o exterior, que hoje se dá de modo livre e indiscriminado. 

  Ibrahim Eris fez em público as contas de nossas reservas e chegou a um resultado dramático:  com o corte da linhas de crédito pelos bancos estrangeiros, o Banco Central só tem para gastar US$ 14 bilhões de dólares e se ficar alimentando a fuga de dólares à razão de US$ 2 bilhões por mês, como tem feito nos últimos dois meses, o próximo governo vai pegar um país quebrado.

   Ibrahim Eris não é um economista qualquer. Foi presidente do Banco Central. Fez as contas de nossas reservas e apresentou sua proposta na frente do atual ministro da fazenda Pedro Malan, durante o seminário “Para onde vai o Brasil?”, em que estavam presentes também outros diretores do Banco Central e um monte de jornalistas. No dia seguinte, o único jornal que noticiou foi a Gazeta Mercantil, mesmo sim porque foi o jornal que promoveu o evento.Controle de câmbio é tudo o que os bancos não querem. Um debate que não deve acontecer. Este episódio exemplifica melhor do que qualquer outro, o domínio do capital financeiro sobre a pauta da imrpensa.

    A agencia Globo News noticiou  a palestra de Ibrahim Eris e resumiu suas contas que mostram que o Brasil pode estar  a caminho do calote, se as linhas de crédito não forem re-estabelecidas. Mas não deu nem uma palavra sobre o centro de sua intervenção, que foi a proposta de controle das remessas. A GloboNews, mais sutil, enfatizou a defesa que  Ibrahim fez do cambio flutuante, o que não nem nada que ver com o mecanismo de controle das remessas. O controle se limita a verificar por que cada remessa está sendo feita e eventualmente criar uma fila de prioridades e desestimular ou impedir alguns tipos de remessa. Ficou parecendo que Eris defendeu o contrário do controle de câmbio

   O Estadão desta segunda-feira  estima que só em julho as remessas d dólares através de contas de não residentes, as chamadas via CC5 , em que o motivo da remessa não precisa ser declarado e nem a pessoa precisa se identificar, somaram US$ 1,2 bilhão. Mais US$ 637 milhões foram remetidos nos primeiros 12 dias úteis de agosto. 

   A fuga média  só por esse canal, é de US$ 500 milhões por dia útil. Nesse ritmo as reservas do Banco Central podem se esgotar antes mesmo do prazo calculado por Ibrahim.O Banco Central defende a tese de que não se trata de fuga de capital, ou especulação, mas de empresas que estão liquidando antecipadamente suas dívidas, aproveitando o desconto dado pelos credores. Mas isso é discurso. O Banco Central não pode saber se o motivo é mesmo esse, porque por definição, as remessas não são controladas.

   O controle cambial é um temas tabu na era da economia neo -liberal. José Júlio Senna, num longo artigo na Folha do domingo, discute a alternativa do controle cambial, que ele chama de “Plano B”, mas com tanto medo, que desqualifica a proposta, mesmo mostrando ao mesmo tempo que ela deu certo na Malásia, onde foi aplicada no auge da crise asiática .

    Tudo o que cheira  controle é anátema para os neo-liberais. Por isso, os jornalistas especializados em economia chapa-branca, não comentam o assunto. E por isso suprimiam do publico a proposta de Ibrahim Eris. 


 
     
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