Sistema e browser desconhecidos

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A verdade sobre o acordo com o FMI.
 

Nas primeiras manchetes,o acordo com o FMI recebeu tratamento triunfalista: Mercado comemora o acordo” , foi a do Estadão . Os outros jornais seguiram o mesmo tom.  “Brasil conseguiu o melhor acordo de toda a história com o FMI”. 

    Mas os dólares continuaram fugindo e neste final de semana VEJA registrou perplexa; “ Analistas quebravam a cabeça para entender por que o anúncio do empréstimo de 30 bilhões de dólares do Fundo Monetário Interncional (FMI) não teve o esperado e imediato efeito apaziguador sobre os mercados.”

   Muito simples: o empréstimo de US$ 30 bilhões obtido do FMI não teve o efeito de estancar a fuga de dólares  porque a idéia era exatamente a oposta: financiar essa fuga. Este acordo foi  uma das maiores tramóias da história econômica do Brasil: assumimos dessa vez mais US$ 30 bilhões de dívidas, só para dar tempo aos bancos estrangeiros tirarem seu dinheiro do Brasil. O verdadeiro significado desse acordo só apareceu aos poucos.

    Tudo aconteceu na noite da terça-feira, dia 6 de agosto, quando o Secretário do tesouro norte-americano Paul O´Neill e seu adjunto John Taylor, reuniram-se em São Paulo com os pesos pesados da banca internacional. O´Neill havia dito dias antes que não se deveria emprestar dinheiro do contribuinte americano ao Brasil porque ia tudo parar na Suíça.” Sua declaração jogou lenha na fogueira estimulando ainda mais a saída de dólares do Brasil.Pois bem, esse mesmo O`Neill,  na reunião fechada com os banqueiros, concordou não apenas em emprestar mais dinheiro ao Brasil, mas em emprestar mais do que Malan vinha pedindo: US$ 30 bilhões, e não apenas  US$ 20 bilhões. 

  Por que tanta generosidade?

  De medo de uma moratória que infligiria perdas aos bancos americanos, a partir do prognóstico pessimista dos bancos de que o Brasil iria quebrar mais cedo ou mais tarde e teria  que haver uma renegociação da dívida externa.

 E o que é pior, essa renegociação poderia ter do outro lado da mesa gente com Mantega ou Mercadante e não os amigos Malan e Fraga. Por isso, o anúncio dos novos recursos do FMI não deteve a fuga de dólares e os bancos  não reabriram suas linhas de crédito .

   No domingo, dia 11, surgiram alguns relatos divergentes do triunfalismo oficial, mas ainda nas entrelinhas. Numa  entrevista à Folha , Kenneth Mawwell, economista inglês de renome,  dizia que o Brasil caminhava quase certamente para uma crise de pagamentos do tipo que exigiria uma reestruturação geral. E que o acordo com o FMI só adiou esse dia. Maxwell responsabilizou  FHC pela crise e comparou-o a  Alfonsin. 

   Na quinta, dia 15, VALOR trouxe declarações do representante do banco inglês Standard Chartered, Lauro Vallejo, de que foi o próprio Banco Central da Inglaterra que recomendou aos bancos ingleses reduzirem suas linhas de crédito no Brasil. Neste domingo, o Estadão trouxe esta frase de O´Neill, já posterior ao anúncio do acordo: “ Não considero que seja uma boa idéia que os governos peçam às empresas para fazer algo que não esteja dentro de seus interesses econômicos.”  

  Neste final de semana, foi proferida abertamente a palavra proibida ”moratória” , mas pela imprensa internacional. Isso explicaria a determinação dos bancos de retirarem seu dinheiro do Brasil e a ordem dos bancos centrais para que reduzam sua exposição.  O Financial  Times disse que para o Brasil “ O jogo acabou.”  The Economist falou na probabilidade de uma moratória e até deu a receita de quanto o Brasil economizaria com uma renegociação da dívida a juros mais baixos.

   Finalmente, Carta Capital desta semana restabeleceu o verdadeiro sentido do acordo: “Os reais beneficiários do programa de US$ 30 bilhões ficam em Nova York e Washington.” A revista fez as contas do volume de empréstimos que teriam que ser renovados , pelo menos US$ 32 bilhões este ano e US$ 24 milhões no ano que vem,. E diz: “ O que o FMI oferece é para o Brasil trocar dividas com bancos privados por dívidas com o FMI.” 

   Este acordo com o FMI só é comparável ao do acordo da Coroa portuguesa com  o governo britânico, Dom João VI fugiu de Portugal acossado pelas tropas de Napoleão. Em pagamento do apoio britânico na fuga, os portugueses transferiram para sua colônia chamada  Brasil a responsabilidade pela dívida que tinham com os banqueiros ingleses. Salvou-se a Coroa portuguesa e salvaram-se os bancos ingleses. Os brasileiros ficaram com a dívida, como agora. 

 

 


 

3 Nem por isso os americanos deixaram de fazer exigências importantes, incluindo clausulas “estruturais” no acordo, como informariam os jornais  duas semanas depois. Entre elas ao compromisso de privatizar  os bancos estaduais do Ceará, Piauí, Santa Catarina e Maranhão. Também impuseram metas rigorosas paar o governo seguinte de superávit primário ( pelo menos 3,75% do PIB) e de controle da inflação ( que deveria ficar entre os limites de 6% e 4 %  no final de 2003). No início de 2006, o governo Lula liquidou esse empréstimo como FMI com isso pondo fim aos compromissos formais. 


 
     
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