Sistema e browser desconhecidos

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Agenda:

Vitória final do crime organizado.
 

 

A CPI do Narcotráfico, que funcionou de 1999 a 2001 concluiu que havia relações entre o crime organizado no Espírito Santo com cartéis internacionais de traficantes. E sugeriu o indiciamento de 28 pessoas no Estado. No dia dois de julho de 2001 o ministro da Justiça Miguel Reale Júnior acertou com o procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, os últimos detalhes legais para uma intervenção no estado do Espírito Santo, diante da revelação de que altas autoridades do Estádio do Espírito Santo, inclusive o presidente da Assembléia Estadual deputado José Carlos Gratz, estavam envolvidos como crime organizado. Mas, dias depois o governo recuou.  Reale Júnior renunciou ao seu cargo.   

 

   Assim termina a era FHC.  Com uma  grande vitória do crime organizado, que nas palavras do derrotado ministro Miguel Reale Júnior,  “deve estar soltando fogos.” Mais do que isso: José Carlos Gratz , o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, apontado pela mídia como o chefe do crime organizado no Estado, apareceu na TV  acusando “ esses petistas dos direitos humanos”   e já anuncia em VALOR desta segunda-feira que ainda vai ser o governador do Estado. 

   Foi a mais humilhante derrota do governo FHC. Todos tripudiam sobre o presidente, desde a vetusta OAB que formulou o primeiro pedido de intervenção, depois aprovado pro unanimidade pela Comissão Nacional de Direitos Humanos,  até o grupo Tortura Nunca Mais que questiona se  a reviravolta teria algo a ver com as próximas eleições.” Mas uma semana depois do arquivamento do pedido de intervenção,  ainda não há na mídia uma explicação convincente  sobre  motivos do dramático recuo de FHC .

   O Espírito Santo difere dos outros Estados porque enquanto no Rio e em São Paulo o crime organizado criou áreas em que atua como Estado paralelo, no Espírito Santo ele ocupou o próprio aparelho de Estado. Gratz e mais 27 pessoas no espírito Santo foram indiciados pela CPI do narcotráfico e nada aconteceu porque eles já mandam na polícia e no judiciário local. Um bom balanço dessa situação foi feito por Roberto Pompeu de Toledo na VEJA deste fim de semana. ÉPOCA revela que o procurador da justiça Wellington Citty, que mandou arquivar tudo por falta de provas hoje é amigo do peito de Gratz e disso se vangloria.

   Dora Kramer  admitiu que “algo de muito grave aconteceu” para o recuo da intervenção. Eliane Cantanhêde contou com riqueza de detalhes na  Folha como a decisão de intervir foi cuidadosamente negociada e conferida por Miguel Reale com a cúpula do Palácio e com o próprio FHC. Daí o espanto de Reale quando ficou sabendo pela TV que o procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro havia mandado engavetar o pedido de intervenção, cancelando tudo no último minuto. Brindeiro chegou a ajudar o Conselho a redigir o pedido e foi um dos que o haviam aprovado. Cantanhêde disse  que as razões do recuo são um mistério. 

   Ricardo Amaral  tentou explicar o mistério no dia seguinte ao recuo, no jornal VALOR. : FHC foi convencido a cancelar tudo porque a equipe econômica teme que o agravamento da crise financeira force o governo a tentar a medida espetacular de apressar ainda este ano a mudança do artigo 192 da Constituição Federal, para emplacar a independência do Banco Central. Segundo  um outro artigo, o 60, nenhuma mudança constitucional pode ser feita se um Estado estiver sob intervenção ou estado de defesa.  Os outros jornais não seguiram a dica de Valor de que o recuo na intervenção se deve ao desejo de declarar o BC independente. Mas o silêncio pode ser a corroboração de que é isso mesmo

  VALOR é o jornal que tem as melhores fontes no mercado financeiro, ao ponto de seu enfoque quase se confundir com o enfoque dos banqueiro . A proposta de negociar um pacto de transição com o FMI apareceu com primazia na matéria do editor de VALOR, Celso Pinto, sob o titulo: “Acordo teria que ser rápido e enxuto.” Parece até que o próprio jornal está promovendo o acordo e não apenas reportando as negociações.

   Pela tese de VALOR,portanto, FHC  não teria recuado  por vacilação ou hesitação, ou “choque da realidade da intervenção”, como sugere Eliane Cantanhêde. O recuo reflete o medo que o governo tem da intensificação da crise financeira e sua rendição ao capital financeiro.  O medo dessa crise é hoje  um fator dominante de suas ações. 

   ÉPOCA e ISTOÉ trabalharam com a hipótese política. Para ÉPOCA a intervenção levaria a descoberta de vínculos de Gratz e do crime organizado como o ex-governador Gerson Camata. Isso respingaria obviamente em Rita Câmara, a vice de Serra. ISTOÉ reforça essa versão, dizendo que “ a mal explicada guinada  na verdade encobriu uma ação capitaneada pela candidata a vice na chapa governista, Rita Câmara. “ E revela que Rita Camata telefonou a Miguel Reale pedindo que a intervenção fosse sustada.

   Mas a história da ISTOÉ está muito mal contada e contraditória. Mistura a história de Rita Camata com outra  sem pé nem cabeça sobre uma suposta advertência da ABIN a FHC de que a intervenção poria a perder  anos de investigação sobre o crime organizado no Espírito Santo prestes a chegarem à verdade final. ISTOÉ pensa que o leitor é  idiota. Uma  intervenção só poderia facilitar essa investigação e não atrapalhar.


 
     
Index Enviar noticia por email clique aqui para imprimir a noticia
Comentários: 0

Comentários: