Sistema e browser desconhecidos

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O Lula que a Folha inventou
 

Virou dirigente sindical para esquecer a morte da mulher. Não comandou as greves do ABC, mesmo porque elas nem existiram, e ainda apoiou a luta armada. Não gosta de ler, só lê o prefácio dos livros. Mesmo assim vai ser presidente porque  FHC disse que isso ia acontecer. Esse é o resumo da biografia de Lula que a Folha teve a audácia de publicar este domingo. Deveria ser chamada de “suposta”, biografia de Lula.

   A Folha conseguiu a façanha de explicar as origens de Lula  sem falar das grandes greves de 1978 , 1979 e 1980, que derrubaram a ditadura militar e projetaram Lula mundialmente . A palavra ”greve”, só aparece três páginas depois da narrativa principal, diluída num pequeno texto-legenda de um quadro cronológico sobre a campanha da anistia . E tudo com a data errada de 1979. A campanha pela anistia começou em 1975 com  Terezinha Zerbini e já em 1978 foi fundado o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA).

   A primeira greve do ABC estourou na Saab Scania em 12 de maio de 1978. Alguns dias depois, a greve estourou na Ford  e em seguida  em 90 outras indústrias do ABC. Dois meses depois, meio milhão de trabalhadores em cerca de 400 indústrias do Estado de São Paulo haviam entrado em greve. Era o começo do fim da ditadura militar. Nada se explica, na história recente do Brasil, sem essas fulminantes greves do ABC e a República de São Bernardo.

   A República de São Bernardo também não existiu.Nem mesmo na legenda de uma das fotos, em que Lula fala aos grevistas no Estádio de Vila Euclides existe a palavra “ greve.” É como se  fosse uma assembléia  qualquer.”Lula discursa para os metalúrgicos de Vila Euclides,” diz a legenda. Uma fraude jornalística parecida à cometida  pela rede Globo, quando explicou as imagens das Diretas Já em São Paulo como se fosse a festa de aniversário da cidade. 

   Na sua biografia de Lula, Plínio Fraga pula ostensivamente o período das greves. De 1975 ele vai direto para 1981. Com isso fica ininteligível o motivo da demissão de Lula da  Villares, sua prisão e  sua cassação como líder sindical. Na biografia da Folha, a ditadura caiu sozinha, de madura, e  Lula se tornou importante porque era um líder sindical que gostava  de assembléias e um dia teve a brilhante idéia de fundar um partido. 

   Será que foi por esquecimento, que o jornalista pulou as greves do ABC? Ou foi de propósito? Ou será que a exclusão do operário chegou a tal ponto na cultura yuppie que ficou decidido suprimir movimento operário, como um capítulo irrelevante da história do capitalismo? Ou será que ele quis ser original e pensou numa biografia que tratasse de aspecto inusitados e não do que já era sabido por todos? 

    Não é nada disso. A narrativa pula as greves como parte de um padrão que suprime deliberadamente da formação política de Lula as noções de luta, de enfrentamento  e de intransigência na defesa dos interesses dos trabalhadores em greve. A tese do  jornalista está no olho da matéria e para sustentá-la ele vai suprimindo ou inventando fatos ao longo de toda a narrativa. É a tese de que Lula se formou politicamente na cultura sindical da assembléias”, e não na luta e no enfrentamento. 

  É louvável a idéia da Folha de montar  um caderno com as biografias dos candidatos. É importante mostrar aos jovens uma parte de nossa história que nem está nos livros porque é muito recente e nem está na memória deles, porque já não é tão recente assim. Mas por isso mesmo é muito ruim falsear a história.  Plínio Fraga  gasta ¼ do texto, um enorme nariz de cera, como se diz em jargão jornalístico,  falando não de Lula e sim de como um dia FHC prognosticou que Lula seria presidente. Como se FHC explicasse a existência de Lula. O contrário é mais plausível, já que FHC foi lançado como candidato e apoiado pelos poderosos como um antídoto a Lula. 

   No final, depois de gastar mais algum espaço com  gravatas de Lula e outras besteiras do mesmo tipo, o jornalista percebe que não conseguiu explicar o radicalismo original de Lula, e saiu-se com esta mentira: O Lula que um dia defendeu a luta armada como uma via para que os oprimidos chegassem ao poder e a expropriação do grande capital é hoje um senhor de cabelos bem cuidados e, barba aparada, ternos de core fino e sorriso contínuo.”

  Assim ele confundiu Lula, líder das greves do ABC e fundador do PT com Marighella, fundador da ALN. Confundiu o respeito de Lula pelos que morreram  lutando pela melhoria das condições de vida do povo, entre os quais Marighella, com apoio à luta armada, com a qual Lula não teve nada a ver.

 

 



 

1 Essas gravações forma gravadas em Disco e distribuídas fartamente pelas redações nos meses seguintes.Trechos dos diálogos gravados foram reproduzidos intermitentemente pela imprensa, para sugerir que o cúpula petista de Santo André tinha algo a esconder ou estava implicada na morte de Celso Daniel. “O mentor intelectual do seqüestro seria ( Sérgio)  Gomes da Silva”, diz a Folha com todas as letras na sua reportagem sobre as fitas de 19/07/02. 


 
     
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