Sistema e browser desconhecidos

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Agenda:

Manchetes mentirosas
 

 

“Efeito Lula eleva risco país”.

 

“Serra sobre 7 e chega a 20,9%.

 

“Efeito Serra derruba risco país”.

 

 

    Três manchetes, três mentiras. Nunca foi tão óbvio o uso ideológico das manchetes dos jornais. Lula significa o caos, a crise, o risco Argentina. Serra significa a salvação, a recuperação, a saída  da crise. Mas quem disse que o dólar caiu  nas segunda porque melhoraram as chances de Serra? Nem isso é verdade. A principal causa objetiva está dentro do próprio mercado: o aumento de 10% para 15 % no compulsório  sobre os saldos das cadernetas de poupança introduzido na segunda. Com menos caixa, os bancos tiverem que diminuir sua especulação com o dólar.Na terça, o dólar subiu de novo e não havia nenhum pretexto eleitoral.

   A manchete mais mentirosa, do Estadão de ante - ontem, é a do  grande aumento na votação de  Serra, medida pela CNT/Sensus.  Não houve esse aumento. Há um mês ele está empacado em torno dos 20%, como mostrou na mesma noite de segunda  a outra pesquisa, da  Vox Populi.  Sua  subida para esse  patamar deu-se há quase um mês. No Vox Populi de fim de maio já tinha 20%. Agora deu 21%.  O mais provável é ter havido uma correção da defasagem na pesquisa CNT/Sensus anterior, produzindo agora o efeito “ subida de 7 pontos de Serra.”

    Lula perdeu apenas 2 pontos apesar de todo o “ terrorismo financeiro”, e ainda é o candidato com menor índice de rejeição. Na Gazeta Mercantil da terça, o diretor da Sensus , Ricardo Guedes, diz que a pesquisa , terminada dia 20, ainda não captou o efeitos das denúncias de corrupção em  Santo André Significa que também não captou o encontro de São Paulo, em que  Lula lançou a “Carta ao povo brasileiro.”

  Nos interstícios da mídia começa a aparecer a  tese de que as turbulência tem pouco a ver com efeitos Lula ou Serra e tem origem muito mais nos Estados Unidos do que no Brasil. É o que diz o ultimo boletim  da Sobeet,  uma ONG que estuda as transnacionais, citado num pé de página do Estadão. A grande quebradeira de empresas americanas obriga empresas e bancos a liquidarem posições no Brasil para fazer caixa. A Folha de hoje revela “Fundos e bancos dos EUA perdem até 20” de seu patrimônio.

 

Operação Távola Redonda

   A denúncia de que dirigentes do PT foram grampeados com base na adulteração de requerimentos que falavam  em narcotráfico, repercute hoje nos jornais ainda mais do que no primeiro dia, em parte graças ao fiasco do coletiva convocada pela Polícia Federal para se explicar. Mas poucos jornais mencionaram que se tratava de toda uma operação, com o código de “Operação Távola Redonda”, dirigida contra “os amigos do  Rei”, no caso, os amigos de Celso Daniel, como sugere O Globo de hoje, e não de uma iniciativa  isolado de um delegado de polícia. Este caso mostra uma espionagem política de caráter sistêmico. 

  O Globo corrobora essa tese, citando um trecho que se repete nos vários pedidos de grampo, em que a Polícia Federal alega ter recebido “informações e relatórios oriundos de nossas congêneres.” No jargão policial “congenere” é ABIN . 

  Fernando Rodrigues, na Folha, diz que se trata de um escândalo. O Estadão soterrou o assunto  mais uma vez, no meio de uma matéria sobre o encontro de Marrey com Brindeiro. O episódio está acentuando uma profunda diferença de comportamento editorial entre Folha, que fustiga o PT sem clemência, mas tenta um padrão de isenção, e o Estadão, totalmente engajado na campanha de Serra,  ao ponto de omitir informações relevantes, como estas do caso do grampo.

  Já na semana passada, quando o ministério público ofereceu denuncia contra alguns membros da prefeitura de Santo André, não há provas documentais das acusações no noticiário dos jornais.  Todo o relato jornalístico da Folha, Estado e JT foi baseado unicamente no depoimento do irmão do prefeito, dado no dia 24 de maio, uma sexta - feira. É ele João Francisco Daniel que fala o que outros teriam falado a ele e a terceiros. Algumas coisas ele disse ter ouvido diretamente. A maioria,  foi na base do ouvir dizer: ouviu de um que ouviu de outro. 

  Os jornalistas publicaram a denúncias com coisa provada,  sem checar com esses terceiros ou com os acusados, mesmo porque só os foram procurar na noite da publicação da matéria e a maioria deles nem sequer conhecia os termos da acusação. Mariz de Oliveira,  advogado do principal acusado, Sérgio Gomes, estranhou para a Folha que  “os jornais terem sido informados da acusação antes mesmo dos próprios acusados.”  Os jornalistas sequer se deram ao trabalho de perguntar quem são os outros três denunciados pelo  Ministério Publico, além de Sérgio Gomes As reportagens falam que a denúncia tem 13 páginas, o que sugere que houve outras diligências e depoimentos, mas não muito.  Também foi curto, de apenas 14 dias úteis, o intervalo entre o depoimento de João Francisco e o dia da denuncia ao Ministério Público. 

   O  caso vinha sendo construído, ao que  parece, desde antes mesmo da morte de Celso  Daniel, e o depoimento de seu irmão foi só o ponto final de um inquérito que permanece precário do ponto de vista das provas. A operação “sigilosa”, vinha de longe e impressiona o fato de contar com “oito procuradores”, uma força tarefa que só perde para a operação que fotografou o dinheiro no cofre de Roseana.

   Há uma revelação mais grave feita por  Frederico Vasconcelos há quase seis meses, na Folha do dia 25 de janeiro que  os jornalistas parecem ter esquecido  “... as relações suspeitas de personagens em torno do prefeito (Celso  Daniel) podem dar aos tucanos, para uso posterior, munição inesperada pelos petistas...a Folha apurou que essa teia de ligações  vinha sendo levantada há algum tempo, reservadamente, por membros da segurança pública no 

governo tucano...” 

   E  no desmentido sobre a remessa ilegal de dólares, o irmão de Celso Daniel revelou que já havia esclarecido essa remessa “em depoimento à Polícia Federal em agosto de 2001,”  Portanto havia uma investigação reservada sobre  Celso Daniel muito antes de seus assassinato. Nem mesmo o estranho balanço burocrático da polícia sobre seu trabalho  foi questionado pela imprensa. Em um mês e um dia foram tomados 97 depoimentos, e feitos 7 retratos falados . A maioria dos depoimentos foi de familiares e amigos de Celso Daniel. A polícia aproveitou o crime para desencadear uma devassa na vida de Celso  Daniel. Ouviram Ronan Pinto, sócio do amigo de Sérgio Gomes, chamado como “testemunha.” Testemunha de que, se ele não testemunhou nada? Perguntou na ocasião  Maria Lídia, na CBN, começando tardiamente a desconfiar que alguma coisa está errada no comportamento da polícia

 

 
     
Index Enviar noticia por email clique aqui para imprimir a noticia
Comentários: 0

Comentários: