Sistema e browser desconhecidos

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A ditadura do mercado
 

 

O Estadão não esperou a divulgação das linhas mestras do programa do PT e já adiantou em tom de cobrança que o  PT vai  “decepcionar o mercado.” Todos cobram de Lula e do PT o gesto de obediência a essa entidade mítica chamada “ mercado”. Até mesmo pensadores  respeitáveis como  Eduardo Gianotti, reproduzido por Suely Caldas no Estadão do domingo, culpam indiretamente Lula pela crise cambial e sugerem o alinhamento com o mercado. Sonia Racy cobra em  sua coluna de hoje “um programa do PT alinhado  com o pensamento do mercado “

    Conclusão: FHC nos legou uma situação que não admite sequer a apresentação à consulta popular de propostas diferentes das do ”mercado”. A mera apresentação de propostas diferentes já detona uma crise monumental. Deixou-nos uma situação que  não admite mudanças de políticas, conforme a vontade popular, não admite alternância no poder. Deixou-nos uma pseudo - democracia ,  uma ditadura do mercado. 

    Com o saque dos US$ 10 bilhões do FMI e o aumento do compulsório, retirando de circulação cerca de R$ 6,5 bilhões, o Banco Central reconhece que a crise é  pesada. A bomba de fato estourou no colo dos que a plantaram.  A Folha de ontem revela que o governo prepara novas medidas de intervenção, inclusive limites mais estritos ao volume de dólares que o bancos podem manter  em carteira.  

   Prevalece a percepção entre observadores, economistas e banqueiros, de que haverá novos ataques especulativos contra o Real, mas sem descambar para uma crise geral do tipo Argentina inclusive porque o Brasil, ao contrário da Argentina, contará com apoio rápido e integral do FMI. Morris Goldstein, especialista  do Instituto de Economia Internacional, entrevistado por Paulo Sotero no Estadão de hoje diz que se o Brasil precisar mais  US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões do FMI, receberá o dinheiro. 

   No arsenal de medidas do BC elencadas pela Folha não consta nenhum controle sobre as remessas de dólares. O tema é tabu, porque seu mero anúncio aceleraria ainda mais a crise. Mas Esse controle poderia   ser iniciado discretamente, como medida administrativa interna  com caráter  de acompanhamento preventivo. Um bom ponto de partida são as contas CC5, que vem usadas abusivamente pelos bancos para mandar dólares para fora.    Impressionante a revelação feita discretamente pelos jornais da sexta passada de que foram remetidos para o exterior R$ 124 bilhões através da contas CC5, entre 1992 e 1996. O enfoque na mídia é na sonegação fiscal por sacoleiros e narcotraficantes, mas o verdadeiro enfoque deveria  ser no uso dessas contas para remessas pelos grandes bancos, fugindo de seu papel original que era apenas de servir para pessoas físicas. Foi o neo- liberalismo que abriu esse canal de remessas de dólares. 

   ÉPOCA desta semana volta ao relatório da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro, que concluiu que do  equivalente a  R$ 124 bilhões remetidos pelas CC5 em apenas seis anos, apenas R$ 12 bilhões estavam ligados lavagem de dinheiro.

    Com a crise cambial, começou um debate sobre a reestruturação da dívida, até agora, um tabu. Forçado pelo ataque especulativo ao real. Morris Goldstein diz na entrevista a Paulo Sotero que em algum momento o país terá que reestruturar sua dívida. O debate ainda está sendo viciado  pela sua instrumentalização política e pelo predomínio da visão dos banqueiros: No Estadão de hoje, Alcides Amaral trata do “nó da dívida interna”, mas sua única idéia é de que não se deve falar de jeito nenhum em reestruturação ou renegociação por métodos não tradicionais, caso contrário,  “ o caos será instalado”, diz ele,  retomando a palavrinha usada por Soros.   

   A Folha perguntou na sua página dois da edição de sábado: “A reestruturação da dívida pública deve começar já, neste governo? Otávio de Barros, economista do BBV respondeu que é como dar um tiro no pé. Disse em resumo, que não se deve nem falar no assunto. Mas não sugere um caminho alternativo. Na mesma página, Leda Maria Paulani, assessora da prefeitura paulista e professora da USP, também não recomenda essa solução e diz que o problema não é o tamanho da dívida em si, mas  o mecanismo que faz a dívida crescer. É preciso desmontar o ”circulo vicioso”  que nos últimos anos tem impedido a economia de crescer.

   Está havendo um lento processo de convergência entre economistas, inclusive dirigentes de bancos, em torno das teses com a de Leda Maria Paulani, de que o problema é muito mais o mecanismo que faz a dívida crescer o tempo todo, do que o seu tamanho atual, ainda administrável. Essa foi a tese defendida na semana passada também por Paulo Tenari, do grupo Citi e por José Carlos Miranda, da UFRJ. 

    A tática de explorar o medo inconsciente do eleitor está rendendo. A mídia, fechadíssima com os tucanos,  faz o jogo do medo em suas  manchetes,  ao mesmo tempo em que critica esse jogo em suas colunas opinativas. Docemente constrangidos com a fala de Soros, que repercutiu intensamente durante duas semanas, alguns tucanos dizem que “não tem nada a ver.” Mas a postura de Serra continua agressiva: endossou o a fala de Soros e  prometeu manter Armínio Fraga no Banco Central , o que além de seu  forte simbolismo, por Fraga ter sido o principal operador de mercado de Soros, indica que até Serra  precisa dar garantias ao capital financeiro internacional. Um terço dos internautas do O Globo opinaram que a culpa da crise é o medo de um governo Lula. Animados como esse e outros resultados que devem estar obtendo, os tucanos, inclusive José Serra confirmaram ontem que vão mesmo usar o fator Argentina para derrotar Lula. “ o desafio será encontrar um ponto de equilíbrio para esse discurso que permita a continuidade dos ataques ao PT sem contribuir para agravar a crise.” Revela ÉPOCA desta semana.  


 
     
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