Sistema e browser desconhecidos

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Agenda:

Em cena, o “terror financeiro”.
 

Ou Serra ou o caos”, disse o mega-investidor Soros na reunião do Council of Foreign Relations, revela Clovis Rossi na Folha de ante-ontem. Esse é discurso do mercado financeiro. O  Estadão de hoje  informa com riqueza de detalhes que o comando da campanha tucana  resolveu adotar esse discurso como tática principal:  “PSDB manterá a tática de associar Lula ao caos”, é a manchete interna de página inteira. Diz a reportagem: “ a estratégia é encampar o discurso do mercado financeiro de temor diante de uma possível vitória de Lula para polarizar cada vez mais com o PT.” O Jornal da Tarde, versão light dos Mesquitas saiu-se com uma manchete ainda mais expressiva; “Medo: a aposta tucana.”  E O Globo, do Rio, confirma: crise beneficia Serra.”  .   

  A decisão foi referendada  em  uma reunião da cúpula tucana ontem à noite no próprio apartamento de FHC, em São Paulo.  Nessa operação, irresponsável , FHC faz o papel do policial bonzinho que dá um cigarro ao preso antes dele ser torturado por outro policial. Diz para mídia, cinicamente  que a hora é de acalmar o marcado.

  O fogo pesado da mídia contra a candidatura Lula neste fim de semana, especialmente dos dois jornais paulistas, Folha e Estadão, deve ser visto como parte de uma ofensiva  que está se revelando cada vez mais feroz e inescrupulosa.  O ataque deste final de semana deve ter algum efeito, porque foi corroborado com o fato concreto das perdas  nos fundos de investimento.  Teve como primeiro objetivo desviar a tenção de uma semana repleta de notícias ruins para os tucanos. Mas com o indiscutível sucesso dessa tática que efetivamente está disseminando o medo e colocou o PT na defensiva, a cúpula tucana e adotou-a como eixo do discurso de Serra. O novo objetivo é assegurar a polarização Lula –  Serra. Por isso Pimenta da Veiga, um dos mais agressivos tucanos, insiste na palavra  “competência”, como fez ontem de novo, para evitar crises.

    A seção de cartas da Folha, tratada pelos seus dirigentes como um espaço estratégico, traz hoje três manifestações indignadas contra a fala de Soros e nenhuma a favor. Indício de que a entrevista não pegou bem. Além do  “ Ou Serra ou o caos”  servir de mote ao  novo ataque do terror financeiro contra  candidatura Lula,  Soros disse também que “ o Brasil esta condenado ( pelo mercado) a eleger Serra e que no capitalismo global só votam os americanos, os brasileiros não votam.” Foi isso o que mais ofendeu os leitores da Folha.

   O raciocínio de Soros é interessante porque ao levar o argumento ao limite, convence-nos do contrário por absurdo: se for como ele diz,  não adianta ter eleição, democracia , nada disso. E mais: ao contrário dos que dizem que se Lula for mais claro nas sus propostas para a economia isso não aconteceria, Soro diz que não adianta Lula ser mais claro  ou menos claro. 

   Intencionalmente ou não, Clóvis  Rossi e o editor da Folha usaram a fala a Soros com eficiência a serviço da agenda do terror financeiro.

 Teria Clovis Rossi agido de acordo com a ética jornalística? Ou se colocado a serviço de Serra?

  A função principal do jornalista é informar os fatos de interesse público sejam quais forem as suas conseqüências. Não cabe ao jornalista dosar as verdades que vai revelar porque isso faria dele um censor, um juiz do que o publico deve ou não deve saber. A responsabilidade do jornalista se esgota n momento em que ele revela fatos de interesse público. 

  Acontece que Clovis Rossi não apenas informou uma opinião de indiscutivel interesse público, ele criou um fato de interesse público, o que é muito diferente.  Se Soros  tivesse dito o que disse num discurso ao público no tal jantar do  Council of Foreign Relations,  teria sido ele o criador do fato. Clovis Rossi  escolheu  Soros, entre tantas outra pessoas para entrevistar  e nem explicou se Soros disse o que disse informalmente  numa mesa de jantar  em tom de boutade, ou de ironia, se foi uma frase de efeito entre duas garfadas, ou se foi em tom sério e formal. Clovis Rossi nem explicou o que foi esse jantar, se houve ou não algum discurso o que ele estava fazendo lá, como jornalista independente que é. Ele nos deve pelo menos a explicação das circunstâncias e do tom em que Soros disse o que disse.

    Carlos Heitor Cony diz na sua crônica de domingo que “ durante os 21 anos de ditadura militar , era comum ouvirmos que a advertência de que eleição atrapalhava a vida do país.”. O melhor era não ter eleição. E Ruy Fausto, na sua importante entrevista no caderno Mais! Da Folha, revela que essa tese é ainda mais antiga, sempre foi levantado o espectro do caos, quando uma frente popular ameaça chegar ao poder. Certamente antes de saber da frase de Soros, Rui Fausto diz que quanto à ameaça de caos na hipótese de uma vitória de Lula, esse tipo de conversa já existia no tempo do ´front populaire’  francês. 

 
 

10 Dois meses depois, claramente incomodado pelo uso eleitoral e pelas implicações éticas de  suas declarações, Soros  publicou um extenso artigo no jornal VALOR em que recua totalmente e defende a tese oposta. Nesse artigo ele diz que “algo está fundamentalmente errado com o sistema financeiro internacional,” se uma decisão democrática não pode ser aceita , e que “os problemas do Brasil não podem ser atribuídos a algo que o Brasil tenha feito de errado; a responsabilidade é inteiramente das autoridades financeiras internacionais.” Conf. VALOR, 13/08/2001l 

 

 

11 Dias depois, na Folha de 14/06/2001, Clovis Rossi deu a explicação. Disse que conversou com Soros durante o jantar que se seguiu à sessão inaugural e  que se apresentou como jornalista. Disse que  no seminário se exigia reserva dos nomes dos expositores, mas no jantar essa regra não existe. Ele respondia a uma declaração de Soros ao jornal VALOR e a João Caminho,da  Agência Estado no dia anterior,  em que Soros disse: “Lamento muito pelo fato de minhas ponderações terem sido usadas na campanha eleitoral  do Brasil..eu não fiz o comentário público naquele dia e não vou faze-lo agora, porque não quero influenciar (o processo eleitoral). Soros disse também: “Essa reportagem foi feita por um jornalista que escutou conversas privadas durante a reunião do Council on Foreign Relations, que tem uma regra que determina que elas sejam confidenciais.” O que se pode concluir desses registros é que  Soros pensou que falava em “off”, reservadamente, apesar de Rossi se apresentar como jornalista e Clóvis Rossi por sua vez,  não mencionou na sua reportagem as circunstancias da conversa o que deu a  elas , implicitamente, o caráter  de declaração pública. Houve uma forçada de barra. E apesar de todas as explicações ainda não ficou claro se Soros falava numa mesa de jantar na qual havia um jornalista que se apresentou com tal ao se sentar, ou se falou somente a Clovis Rossi, como numa entrevista. O primeiro cenário parece mais plausível. Conf. Soros recua em sua s declarações sobre eleições no Brasil. Agestado, 13/06/02.


 
     
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