Sistema e browser desconhecidos

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Crise do real escapa ao controle.
 

 

Tornou-se delicada a situação do mercado financeiro porque a crise fabricada por Armínio Fraga  acabou escapando do seu controle. As perdas já  devem somar R$ 5 bilhões. E a onda se espalhou, respingando outros mercados financeiros domésticos e externos. Com isso, assumiu um caráter mais geral e de maior visibilidade, ainda que de intensidade moderada. Houve até manifestação do FMI, para acalmar os mercados, como noticiam  os jornais. A Folha deu destaque, na página B3: “FMI e EUA tentam abafar crise no Brasil”. O cadernos de economia do Estadão é todo ele dedicado à crise. Não há clareza ainda se está em curso um ataque especulativo mais pesado contra o real, ou se o movimento dominante é a re-alocação localizada de aplicações,  que também está ocorrendo, por causa do calote dos fundos de investimento.

    Complicou-se a situação do governo com as revelações de ontem de que os grandes bancos receberam informação privilegiada e salvaram sua grana. O JB deu manchete: “Grandes investidores se salvaram.” Diz que na véspera esses grandes sacaram R$ 1.8 bilhões. O Estadão de ontem disse que esses  saques totalizaram R$ 2,6 bilhões líquidos . E revela “Segundo fontes do mercado , grandes investidores já teriam sido avisados sobre as possíveis perdas e portanto efetuaram os saques antes da marcação dos títulos a preço de mercado.”

   Hoje,  o Estadão recua. Comprova que os grandes investidores já estavam saindo antes das últimas medias do BC, mas muda o tom tentando com isso provar que as medidas não tiveram nada a ver.   O JB  no entanto, que teve a primazia desse revelação, mantém a acusação e dá manchete de primeira página à iniciativa da oposição de pedir uma investigação: “Câmara vai investigar vazamentos” Trata-se de uma acusação da maior gravidade. Indica  tráfico de informação privilegiada dentro do Banco Central. 

  Até ontem predominava na mídia a  percepção de que o BC atuou de forma desastrada. Nassif e outros jornalistas de prestígio se juntaram ao coro dos economistas que culpam o BC.  Incomodados,  os  tucanos partiram para uma contra-ofensiva pesada, com a ajuda da mídia que hoje abriu a eles todos os seus espaços. A idéia principal é tentar reverter a percepção do calote e da culpa de Armínio. 

   Mas, ao mesmo tempo, o governo segue o conselho dado ontem por  César Maia na Folha de explorar politicamente a crise para salvar a candidatura  Serra. César Maia na página dois da Folha de ontem pregou abertamente que se jogue mais lenha na fogueira para salvar a candidatura Serra. “Ou, como diz Morató  em seu imperdível”el juego de los políticos: usar o discurso da catástrofe iminente” . A tese de Maia é de que o eleitor não quer continuidade e por isso Serra não convence. Mas pode querer a continuidade se a alternativa for a catástrofe. 

  Não por coincidência Serra insiste em falar irresponsavelmente no tema do alongamento de dívida e ontem acusou o a oposição de explorar a crise.  O fato é que a crise materializou o discurso genérico de que o Brasil poderia virar uma Argentina. 

  Os neo-liberais repetem hoje o mote de que a culpa é duplamente de Lula:  por estar  à frente nas pesquisas, coisa a que ele não tinha o direito, e por não se comprometer a seguir a mesma política de Malan, outra coisa a que ele também não tinha direito. E exploram  o medo subjacente, que já existe no investidor, de o Brasil virar uma Argentina, como revela a manchete da página B3 de Estadão: “Crise argentina deixou investidor temeroso.”.

    Do grande número de artigos acusando o PT pela crise destacamos os de Armínio Fraga na Folha e a entrevista com Celso Pastore no Estadão. Armínio estás se defendendo, mas  no finalzinho repete o refrão de que a falta de sinalização das oposições tem culpa na crise. Celso Pastore, agressivo, põe toda a culpa no PT.  O título da entrevista  de Pastore é um absurdo lógico ou um ato falho: “ O desequilíbrio vem do risco político.” Então há um desequilíbrio? Que desequilíbrio? Só pode o ser o das contas nacionais, especialmente os do tamanho desproporcional da dívida em relação ao PIB e  o do balanço de pagamentos,  que não fecha. Esses são fatos objetivos, que não dependem da campanha eleitoral.


 
     
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