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  Nicaragua Libre - Viajem à revolução sandinista - No tribunal revolucionário 2016-12-15  
 

Masaya — quase um subúrbio de Managua e sua antítese. Antiga, concentrada, gregaria. Casas miúdas coladas em seqü.ncia, formando uma única fachada, comprida, em zigue-zague suave. De repente o quarteirão arrasado, a terra fresca. E depois outro, ao lado da  igreja. Foram as bombas de 500 libras despejadas por Somoza, na tentativa de abafar a insurreição.

Os bombardeios fizeram grandes estragos em Masaya. No bairro de Monimbó, famoso pelas bordadeiras, morreu muita gente. Hoje as saias rodadas de algodão e as blusas rendadas de Monimbo trazem invariavelmente a inscrição "Nicaragua Libre". Masaya è terra de artesãos. As mulheres bordam; Os homens fazem sapatos. Ou cordas de fibras vegetais, que enrolam e fiam em grandes rodas de madeira, que as crianças vão girando, enquanto os mais velhos fazem as trancas.

 

 

— Con Somoza los obreros no tenian ninguna seguridad. Filadelfio Balistan, sapateiro,  dono da pequena oficina onde trabalham outros seis. Ganham em media 400 córdobas por semana. É pouco, ainda, mas parecem satisfeitos. A demanda já aumentou. Os  sapatos chegam até a Costa Rica, Honduras, Salvador.

— Também jã não somos obrigados a vender à cooperativa de calçados de Managua, que era somozista, como acontecia muitas vezes antes. Toc, toc, toc. Os sapateiros não param de martelar. Todos nus da cintura para cima. Pela porta do fundo uma nesga do  pátio interno; samambaias, mamoeiros. A cadeira de balanço com encosto de palhinha. A  conversa prossegue também aos socos.

— Os único somozistas que se salvaram são os que foram para a fortaleza de Coyotepe.

(A grande fortaleza da Guardia, distante dois quilômetros, no alto da montanha).

— Quanò u a insurreição de fevereiro, foram acontecendo as execuções. Eles mesmos passavam todo tempo alardeando que eram somozistas.

Muitos foram executados, em Monimbó. Uns 300. A maior parte ames do triunfo final.

— Se fueron muriendo y se murieron. Na rua o toc, toc, toc seco vem agora de todas as  partes. São dezenas de oficinas de sapateiros. Nas paredes caiadas, os '"grafitti" da insurreição.

NI MANIOBRAS. NI PACTOS, NT CLAUDICACIÓN. SI A LA INSURRECCIÓN POPULAR.

— A insurreição final começou dia 4 de junho exatamente às 2 da tarde, e terminou no dia 19 de julho. Durou 45 dias. A cidade foi bombardeada por terra e por ar,  indiscriminadamente. Vinham os helicópteros, dois ou três deles, despejando barris de gasolina. Jorge Areia Lacayo, 21 anos, bem falante e bem vestido. Recebe-me  pressurosamente na entrada do sobrado senhorial, uma das avenidas principais de Masaya, sede da prefeitura. "Relações públicas e chefe de papelaria” da Junta Municipal  de Masaya, ele se. apresenta. A Junta Municipal foi escolhida em eleição popular ainda  durante a insurreção.

 

<< Quando começou a insurreição as execuções foram acontecendo. Eles mesmos haviam passado o tempo todo alardeando que eram somozistas >>

 

 

A eleição da junta municipal deu-se aproximadamente 15 dias depois de iniciada a insurreição. Como não podíamos reunir muita gente em local aberto, devido aos  helicópteros e aos aviões juntamos a maior quantidade de gente possível, de Monimbó,  do povo, da Frente, no Colégio Salesiano. Foram indicados os candidatos e o povo  referendou. Havia que tomar em conta os antecedentes de cada um porque aqui em  Masaya, a cidade estava cheia de somozistas, agentes da Seguridad, esbirros. A pessoa  que fosse eleita tinha que estar consciente da realidade nacional, de que estava sendo  eleita para servir ao povo, unicamente. O salão da prefeitura lembra o poder que já foi  destruído. Ornamentos barrocos, mobília colonial, estofados de veludo encarnado. Incólume. (O "relações públicas", tão educado e formal, tào bem apessoado, certamente filho de uma das "boas familias" de Masaya, também poderia ser o mesmo dos tempos de  Somoza).

Pergunto se ele havia sido combatente, ou miliciano.

— Não. Nem combatente, nem miliciano. Colaborador, apenas. Um grupo animado de  rapazes e moças quer falar com o "relações públicas." Todos do tipo "boa familia local".  Jorge Arcia Lacayo continua:

— Uma vez que a Guardia saiu de Masaya. já não conseguiu mais entrar. Isso foi no  mesmo dia em que a Organização dos Estados Americanos aprovou a resolução  desfavorável a Somoza. De madrugada a Guardia estava saindo. Fizeram depois umas quinze tentativas para entrar de novo na cidade, mas os muchchos, os combatentes e os  milicianos e todo o povo em geral, que os apoiava, faziam o possível para que a Guardia  não entrasse, porque estávamos completamente seguros de que se entrassem viriam  arrasar não somente com a juventude, como acontecia antes,, mas com toda a  população, porque toda a população apoiava a Frente. O "relações públicas" agora está sendo solicitado com empenho pelas moças e rapazes. Palavras soltas sugerem que se  trata de um passeio às ilhas do Lago da Nicarágua, para o domingo. O "Relações  públicas” muda, agora para um tom mais solene," o fecho de sua exposição:

— Como vocè sabe perfeitamente já faziam mais de vinte anos que os muchachos  vinham lutando para derrotar Somoza, e graças a Deus, depois de muitos esforços  logrou-se completar a insurreição final. Na realidade eram poucos os combatentes  conscientes da realidade, mas devido a que aqui havia uma onda de crimes e  assassinatos em massa iodos os dias, sobretudo de jovens, então a Frente resolveu  apressar a insurreição fina!. Sobretudo porque era notório, sobretudo aqui em

Masaya, que os jovens não podiam mais andar nas ruas depois das cinco ou seis da tarde, porque as patrulhas da Guardia os detinham e ninguém ficava sabendo depois seus paradeiros. Só apareciam seus cadáveres.

Tivessem o que ver ou não a Guardia sempre dizia que eram sandinistas ou sandino-neomunistas, como eles diziam, mas na realidade o que o povo buscava era a sua melhoria. Melhoria em todos os aspectos. E agora, depois desse triunfo que a Frente  obteve. estamos conscientes de que pouco a pouco nos estamos organizando para levar  nosso povo adiante.

Cumprimento-o efusivamente e me despeço. A Guardia Nacional treinava meninos para  espionar e até para lutar. Mas os meninos presos sabem que nada de grave pode  acontecer a eles.

— Eu fui capturado aqui mesmo, na cidade de Masaya. Meu nome é Leonardo Garcia Gayo, nascido na cidade de San Marco, iepartamento de Carazzo. Sou casado em  secundas nupcias, e tenho três filhos com a primeira esposa e dois com a sesunda. Tribunal Militar Sandinista de Masaya. Os :ineo presos foram trazidos da fortaleza  próxima, Coyotepe, para serem “interrogados. Quatro adultos e um menino de 13 anos, Oscar Tercero Gonzales. Os meninos eram treinados pela Guardia para espionar e também lutar. Havia algumas centenas 'esses meninos, em geral órfãos, ou de famílias muito pobres, e que a Guardia um dia acabam levando. Os presos vestem roupas normais, mas amarrotadas; circulam livremente nas salas do fundo e no pequeno quintal .interno do Tribunal — instalado provisoriamente na residência abandonada de um  somozista. Suas fisionomias, com a notável exceção do garoto, denotam medo. Apesar de aparentar tranqüilidade. Julio Fonseca, combatente sandinista responsável pelo  Tribunal Militar de Masaya, encorpado, simpático, perguntou aos presos se concordavam em dar um depoimento a um jornalista estrangeiro. Leonardo Garcia Gayo, tipo forte,  gordo, fisionomia vulgar, balofa, camisa amarela e caJças poídas. Preso há 19 dias.  Passou um mês escondendo-se dos sandinisias. Não se queixa do tratamento que vem  recebendo:

— Basta dizer que logo que fui detido, disseram a minha senhora que ela podia,  perfeitamente me levar uma cama portátil, porque eu não ia ficar em nenhuma cela, ia apenas ficar detido para prestar esclarecimentos; fui levado no meu próprio carro, que está retido em Coyotepe e minha senhora regressou e me trouxe a caminha. A  alimentação è boa, durante a manhã, e ao meio dia; nesse sentido não tenho nenhuma  queixa. De Coyoiepe me trouxeram para este escritório faz três dias e ainda não fui  interrogado nenhuma vez.

Fazendeiro. Dono de 17.000 pés de café, e uma fazenda de gado. Diz que suas  propriedades foram saqueadas:

— Estou informado porque ontem, casualmente, veio aqui uma trabalhadora minha, e me disse que a porta da casa estava completamente escancarada e que haviam saqueado tudo. A colheita de café está por fazer; eu não tenho ninguém lá colhendo o café. E fui  informado que um veiculo que eu tinha lá, um jeep, já está sem motor, arrancaram o  motor do jeep. E também um carro, que pertencia "a minha mãe, um Pontiac 1957, ficou  sem os pneus. Tenho gado também, mas agora" não sei quanta1; cabeças, porque fui  avisado pelo meu “mandador" ainda durante a insurreição, de que havia chegado certa  gente, que tinham tirado 19 reses, das 140 que eu tinha.

Latifundiário, ao que parece, apesar do número pequeno de cabeças de gado. Diz que essa propriedade tem 600 manzanas, ou seja, 402 hectares, o que não é muito, mas com a outra de 17 mil pés de café, torna-se muito. (Os dados de WheelockLsobre a  distribuição da'ierra na Nicarágua, não se delem nesse aspecto de um mesmo proprietário  possuir mais de uma fazenda, o que parece ser muito comum no país). No dia 3 de junho   o mundo do senhor Garcia Gayo foi abalado. Ainda faltavam 49 dias para a vitória final  sobre Somoza.

— Era domingo. Às sete da noite, mais ou menos eu ouvi ruídos, gritos, barulho de gente que corria. Ouvia uma voz que dizia, "ao suelo, ao suelo, si se mueve si muere, "então  ouvi a voz de meu "mandador." Fechei a porta do meu quarto e sai pela porta traseira e passei a noite fora de casa. No dia seguinte fui a San Marco, onde fiquei dois ou três dias,  e fiquei sabendo que aquelas pessoas continuavam na minha propriedade. Então fui para  a casa de uma irmã, em Managua. Oito dias depois, por necessidade de roupas, porque  só tinha a roupa do corpo, me dirigi à fazenda e vi que fora saqueada. Uma caixa  pequena de ferro que eu tinha, sumiu, e sumiram roupas e objetos da casa. Fui detido no  dia 5 de agosto, estava na casa de minha senhora, aqui em Masaya. (Registro o "casa de minha senhora"; repentina separação de bens.) Porque acha que está preso? pergunto. 

- Bern, em primeiro iugar atribuo ao fato de que meu pai era primo-irmão do general Anastácio Somoza Garcia. Mas meu pai nunca r cupou nemhum cargo público, ou emprego do qual tenha abusado, ou lucrado. Lá em San Marco todos poderão dar  testemunho de que ele se dedicava ao seu trabalho na fazenda, que se chamava San  Leonardo, que eu herdei depois que ele morreu, e eu também nur.ca ocupei nenhum  cargo público, continuei trabalhando a propriedade. Quais são as acusações? pergunto.

— Em concreto a mim não disseram diretamente o motivo pelo qual estou detido; mas à minha senhora informaram de que havia denúncias de que eu pertencia a Seguridad. Essa era uma das acusações e eu jamais pertenci à Seguridad, não tinha tempo para isso. Quero mesmo que me investiguem, porque na realidade, no dia em que fui  capturado estava muito mal, com certos problemas de artrite e uma úlcera duodenal. Levanta a perna da calça esquerda: A perna está inchada.

— Quando fui trasladado a Coyotepe minha artrite se agravou, como se pode ver. Tanto assim que agora as autoridades do Tribunal, visto que estou nestas condições, decidiram me deixar aqui mesmo. "Aqui no Tribuna! Militar Sandinisía julgamos elementos que foram  da Guardia Nacional. É surpreendente o número de pessoas que colaboravam (Artrite? A  perna maltratada lembra, muito mais, a fuga repentina, a corrida pelos campos, à noite, o  somozista escondido pelos matos).

— Uns oito ou nove dias depois de chegar a Coyotepe fui interrogado pela mesma pessoa que me capturou, me levaram a um escritório, e me interrogaram, sem me pressionar, nem nada, e me perguntaram se conhecia membros da Guardia Nacional, e quem era o  chefe da Seguridad, e que relações eu tinha com eles, o que eu fazia quando alguém me  roubava uns tostões, e que procedimento eu tinha quando alguém me prejudicava. Então  eu respondi que tinha que me queixar às autoridades para que fossem castigados, e disse  também que no dia em que chegou aquela gente à minha fazenda e eu não sabia se  eram Guardia Nacional ou sandinistas aquelas pessoas, não denunciei à Guardia  Nacional, e todavia nesse tempo a revolução ainda não havia triunfado, mas não tomei  nenhuma iniciativa para que essas pessoas fossem castigadas. Me perguntaram também  se eu tinha conhecimento de que meu pai fora uma grande pessoa, de que havia praticado atos em1 benefício próprio, e disse que não, que não sabia de nada, que meu  pai sempre foi um homem honrado e trabalhador; outra coisa que me perguntaram  sempre, foi em torno de suspeitas de que eu tivesse ligações com La Seguridad , coisa  que em realidade eu não, posso dar testemunho, somente as pessoas com quem eu  estava ligado podem dar testemunho disso. Que dizem os trabalhadores de suas  propriedades?

—Bem. nenhum deles foi interrogado, eu suponho. 

Quanto pagava aos trabalhadores?

—Ao "mandador"eu pagava 150 córdobas semanais e "su comida”. 

(Se pagava isso ao "mandador", imagine-se aos outros. Repito a pergunta com ênfase dobrada na expressão "trabalhador").

— Aos trabalhadores, digamos, trabalhando por dia, eu pagava a eles, trabalhando uma  semana inteira, 105 córdobas. Que era o que estava estipulado. Como eu tinha minha  propriedade situada entre dois povoados os trabalhadores não moravam na fazenda.  Vinham pela manhã e retornavam às suas casas à tarde. Somente em fazendas muito  grandes há trabalhadores que moram nas próprias fazendas. Bóias frias, quase todos. A 15 córdobas por um dia de trabalho. 1 dolar e meio mais ou menos, por um dia inteiro de  trabalho. (“Como estava estipulado", diz ele, como se fosse uma lei natural). 

—Advogado? Bem, neste momento não coloquei ainda advogado, porque segundo disseram a minha senhora, não era ainda a hora de colocar advogado. Os outros presos  acompanham toda a conversa em silêncio pesado. O garoto parece ser o único  despreocupado. 

(É claro que nada de grave pode acontecer a um garoto. Ele sabe disso. Os outros não. Provavelmente nada de grave vai acontecer a eles também, mas garantia não existe. E   quem sabe que crimes escondem debaixo da conversa mole? Quantas contas temem  ajustar?).

—Eu fui preso há quatro dias apenas, na minha casa. Dizem que eu sou orelha informador da polícia, alguém disse, e por isso estou preso. Ainda não sei quem foi, maus vizinhos, claro… Horacio Tiffer Perez, diz que se chama. Fisionomia transtornada. Não  tem uma história coerente, como Garcia Gayo. Não consegue explicar qual é o seu ofício,   sua profissão, como se sustenta. Diz que tem 55 anos. Casado, mora dos lados de  Coyotepe. Diz que era lavrador, mas tem corpo frouxo de um comerciante. 

— Sou lavrador. Depois consegui emprego na Luz, ali estive trabalhando, na empresa de  Luz mais depois me retirei, pedi minha renúncia e me dediquei à minha casa e trabalhos  locais, de agricultura, a semear milho. 

"Nós somos muito zelosos da Revolução e por isso queremos esclarecer bem quem era  somozista e quem nao era Julio Fonseca, comandante da Frente Sandinista, lê o dossier  de Horacio Tiffer Perez: Primeiro: assassinato ao senhor Guilherme Martínez Sala, por  discussões de índole pessoal, há 34 anos.

Segundo: agressão a tiros contra José Miranda Perez, seu primo irmão, que em consequencia levou um tiro na boca. vindo a morrer. 

Terceiro: apunhalou no estômago seu compadre de nome Jorge Nogueira Tuckle. 

Quarto: segundo fonte não confirmada, dizem que em Managua cometeu outro assassinato, todavia não especificado. 

Quinto: Quando agia como guarda-costa de Cornélio cometeu atos de brutalidade  variados e atos delituosos, amparando-se sempre em sua grande colaboração com  Cornélio e La Guardia.

Julio Fonseca levanta os olhos da folha de papel. Esclarece:

—Cornélio era presidente da câmara de Deputados. Já foi justiçado. 

Prossegue a leitura: 

Sexto: Muito conhecido como orelha, paramilitar e ultimamente, manoblanca. 

—Estes são os antecedentes que ele já tinha há anos. Agora o que temos sobre os  últimos tempos.

Sétimo: Esteve de custódia na usina elétrica, era um dos que repeliam os ataques sandinistas. Há pessoas em Santa Rosa que asseguram que era um franco atirador. 

Oitavo: Esteve participando com a Guardia Nacional durante a insurreição. Assegura-se  que sua filha constumava infiltrares na cidade de Masaya para levar informações.

Nono: Muito conhecido nesta cidade de Masaya como “maton". (Matón: dado a matar,  violento, traiçoeiro). 

Julio dobra o papel e guarda na gaveta.

- Aqui no Tribunal Militar Sandinista nós julgamos elementos que foram da Guardia Nacional, militares, para- militares, orelhas, soprões, manoblanca, e delatores. Esse tipo Horacio Tiffer Perez, nós o conhecíamos bem Quando trabalhávamos clandestinamente organização, antes mesmo da insurreição, já nos cuidávamos muito dele.

Porque só foi preso há quatro dias?

—Só apareceu agora. Estava fugido. Logo que puseram os olhos em cima dele, foi preso. 

—Qualquer um pode dizer, "esse tipo foi guardia" Nós tratamos, por meios adequados, de  conseguir provas. 

"Cometeríamos um pecado grave chamar de somozista um trabalhador que por cinco  córdobas ou uma prenda mínima participou de um comício somozista”. Ramon Perez  Garcia, outro combatente da Frente Sandinista, magro, com uma perna defeituosa  (Paralisia infantil, ele explica, antes que eu faça suposições sobre ferimentos em combate). Tem 36 anos: 

- Nós somos muito zelosos da Revolução e por isso queremos esclarecer bem quem era somozista e quem nao era. Nós chamamos somozistas aqueles que tiveram participação direta na máquina somozista, não pessoas que eram levadas como massa. Porque nesse  caso cometeríamos o pecado muito grave de chamar somozista a um trabalhador que por  cinco córdobas ou uma prenda mínima participava de uma manifestação somozista. O  somozista era a pessoa que vivia sob a égide do somozismo e se enriquecia com isso. 

- O fazendeiro de café? Leonardo Garcia Gayo? Esse é somozista?

- Em primeiro lugar, Leonardo Garcia Gayo foi Guardia Nacional, por três anos.  Naturalmente ele nüo vai aceitar as imputações de delitos, mas já admite que foi  Guardia por três anos.

— O que vai acontecer com esses presos? Serão fuzilados? Oficialmente nenhum  somozista é fuzilado na Revolução Nicaragüense. Afora os que já foram, é claro. 

Júlio Fonseca:

- A decisão que tomou a direção nacional da Frente Sandinista junto com o companheiro Tomas Borge, ministro do Interior, é de que nenhum deles seja executado. 

- Mesmo tipos como esse Tiffer? Os combatentes da Frente concordam com essa  decisão?

- Na minha opinião pessoal os elementos da Guardia Nacional muito implicados em  crimes de delação, de torturas, deveriam ser fuzilados, de acordo com os princípios da  justiça revolucionária. Mas essa é a minha opinião pessoal. 

 

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